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Publicado em 7 de janeiro de 2026 às 05:30
A eleição de 2026 na Bahia será marcada por um cenário muito diferente daquele vivido em 2022. É a partir dessa comparação que fundamento minha convicção de que ACM Neto tem grandes chances de vencer a disputa pelo governo do Estado e promover uma alternância de poder desejada por boa parte da sociedade baiana. >
Em 2022, o contexto era amplamente favorável ao PT. O presidente Lula havia acabado de sair da prisão e ainda concentrava enorme força eleitoral no Nordeste, especialmente na Bahia. Seu prestígio era tão grande que a eleição estadual acabou nacionalizada. O voto era no 13. Não era no nome do candidato ao governo. Grande parte do material de campanha distribuído pelo interior não trazia foto, nem nome. Era apenas o número 13, associado diretamente a Lula.>
Além disso, o então governador Rui Costa encerrava sua gestão com avaliação positiva. As pesquisas mostravam aprovação maior do que reprovação. Havia um ambiente de continuidade, o que ajudou a impulsionar um candidato que até então era pouco conhecido do eleitorado baiano, Jerônimo Rodrigues.>
Outro fator decisivo foi a situação financeira do Estado naquele momento. O pós-pandemia trouxe um cenário atípico. Os estados, inclusive a Bahia, gastaram menos em algumas áreas, como educação, e receberam compensações financeiras da União. O governo baiano também contou com recursos do Fundeb e, principalmente, com uma indenização bilionária paga pela Ford após o encerramento de suas atividades no estado. Esse dinheiro entrou livre nos cofres públicos e garantiu uma condição fiscal confortável. Formou-se, assim, o que muitos chamam de tempestade perfeita para o PT vencer a eleição.>
Nada disso se repete em 2026. O primeiro ponto é a perda de força eleitoral de Lula. Ele ainda pode vencer na Bahia, mas não terá desempenho semelhante ao de 2022, quando alcançou cerca de 72% dos votos válidos. O governo federal não correspondeu às expectativas de grande parte do eleitorado baiano. Há frustração. O mais provável é que Lula vença com percentuais menores, algo entre 50% e 60%, o que muda completamente o peso de sua influência na eleição estadual.>
O segundo ponto é a avaliação do governo Jerônimo Rodrigues. Hoje, a desaprovação supera a aprovação. Isso aparece em levantamentos de diferentes institutos, em análises da imprensa e no sentimento captado nas ruas. Trata-se de um governo mal avaliado, o que naturalmente gera desejo de mudança e dificulta qualquer projeto de reeleição.>
O terceiro aspecto é a situação fiscal do Estado. Os recursos extraordinários do passado foram consumidos. Os precatórios e a indenização da Ford já foram usados. A Bahia não vive mais a tranquilidade financeira de quatro anos atrás. Prova disso é a política de endividamento. Em apenas três anos, o governo contratou algo entre 23 e 26 bilhões de reais em empréstimos. Isso limita a capacidade de investimento e reduz a margem para promessas fáceis, aquelas que se anunciam em campanha e se começam a cumprir logo depois da eleição.>
Por fim, há um fator decisivo. Jerônimo Rodrigues não pode mais se esconder atrás do número 13. Em 2022, ele foi eleito sem ser conhecido. Hoje, é conhecido e avaliado. O eleitor percebe que a Bahia vai mal em áreas centrais do dia a dia, como segurança pública, educação, saúde e infraestrutura. A violência segue alta, os serviços públicos não avançaram como prometido e as respostas do governo não convencem.>
Esses quatro elementos juntos mudam completamente o jogo. Menor força do presidente da República, rejeição ao governo estadual, fragilidade fiscal e um governador conhecido e reprovado. Diante desse cenário, cresce o espaço para uma candidatura de oposição competitiva, com experiência administrativa, capacidade de diálogo e discurso sintonizado com o desejo de mudança.>
Por isso, acredito que 2026 pode marcar um novo ciclo político na Bahia. A alternância de poder não é apenas possível. Ela se apresenta como uma consequência natural de um governo que não entregou o que prometeu e de um eleitor que quer novos rumos. Nesse contexto, ACM Neto surge como um nome forte, capaz de liderar esse processo e vencer bem a eleição.>
Reinaldo Braga Filho é ex-prefeito de Xique-Xique>