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César Romero: novos olhares

  • D
  • Da Redação

Publicado em 22 de junho de 2014 às 03:38

 - Atualizado há 3 anos

Quando se fala em arte de qualidade logo se pensa nos EUA e Europa. Não é bem assim, temos artistas de grande inventividade na China, Japão, Austrália e continente africano. No fundo, é uma questão de divulgação, que a mídia internacional não foca, nem críticos de arte se dispõem a buscar nestes rincões quem está produzindo. É bem mais cômodo investigar o trabalho de quem está por perto. Não se pode comparar a mídia africana, com o poderio norte-americano. Aqui mesmo no Brasil, o eixo Rio-São Paulo tem visibilidade muito maior que todo o Nordeste composto de nove estados. Necessitamos de novos olhares. O Nordeste é considerado o terceiro mundo do Brasil, quando aqui nasceram ou passaram artistas seminais para a identidade visual de nosso país, como: João Câmara, Francisco Brennand, Rubem Valentim (foto), Antonio Maia, Raul Córdula, Samico, Sérvulo Esmeraldo, Miguel dos Santos, Montez Magno, Pancetti, Carybé, Antonio Bandeira, Leonilson, Vicente do Rego Monteiro.

O Nordeste, apesar da crescente influência na arte brasileira, permanece isolado do ponto de vista econômico-cultural e talvez por isso preserve valores autênticos da cultura popular, o que dá sentido e identifica a cultura brasileira. O Nordeste resiste apesar do preço que paga para impor seus artistas e sua arte tão original. Nossas tradições são guardadas, estimuladas, apesar da globalização. Artistas nordestinos e que vivem fora do Sul-Maravilha pagam alto preço, por seu isolamento, permanecendo ignorados por longo tempo até que a persistência e o fazer lhes façam justiça. Também críticos de arte como José Valladares, Clarival do Prado Valladares, Ana Cristina Carvalho, Ferreira Gullar, Maria Helena Flexor, Weydson de Barros Leal, Wilson Rocha, Matilde Matos. 

Alguns deste artistas e críticos faleceram, outros chegaram à Bahia, outros imigraram para o sul, buscando melhores oportunidades, especialmente mercado e reconhecimento.  Mas em todos um legado excepcional, que ajudou e ajudam a formatar a memória nacional. Este ano aconteceu a XIª Bienal de Dakar - Senegal, considerada sua melhor edição. Especialmente no que tange à Arte Contemporânea Africana, com boas representações do Benin, Togo, Camarões, Etiópia, Zimbábue, Costa do Marfim e Moçambique. Em paralelo à Bienal de Dakar, 200 exposições aconteceram, formando um panorama plural. Destaque para os artistas Viye Dida, SolyCissé, AbdoulayeConate e OusmanSow. No Brasil, poucos conhecem estes artistas, que são magníficos.

O Nordeste corre por fora dos grandes movimentos nacionais e internacionais, o que se torna para estes uma grande perda, especialmente em originalidade.  Alguns artistas nordestinos conseguem furar este cerco, mas com grande dose de sacrifício. Darcy Ribeiro dizia que “a América Latina é nossa grande pátria,” e agora, mais do que nunca, começou a interessar ao mercado e à crítica americana e europeia artistas latino-americanos. É certo que muitos já tinham seus nomes consagrados internacionalmente como os mexicanos Orozco, Tamayo, Rivera, Frida Kahlo, José Maria Velasco, Siqueiros, Cuevas, José Posada e Francisco Toledo. O uruguaio Joaquim Torres-García realizou a união construtivista das culturas pré-colombianas, com a universalidade da arte moderna. Também Carlos Paez Vilaró, Gustavo Alamón, IgnacioZuluaga.

Na Argentina temos León Ferrari, AntonioBerni, Benito Martín, Raul Soudi e Julio Le Parc. Na Venezuela, o mais importante, Jesús Rafael Soto, seguem-se Carlos Cruz-Diez, os cubanos Amelia Peláez, WifredoLam, René Portocarrero, Mariano Rodrigues e o fotógrafo Alberto Korda. Na Guatemalam temos Moisés Barrios, Efrain Racinos, Victor Vásquez. Na Colômbia, encontramos Fernando Botero. Bolívia: Arturo Borda, Fabricio Lara Saraiva. No Equador, Enrique Tábora e Oswaldo Guayasamin. No Chile, Claudio Bravo e Roberto Motta. Estes países representam as artes visuais latino-americanas com maior força, mesmo que muitos de seus representantes tenham morado nos EUA ou Europa e legitimado suas carreiras por lá, mas todos com raízes de latinidade. E o Brasil? Fica para outra oportunidade.