Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Donaldson Gomes
Publicado em 19 de março de 2026 às 05:00
Alerta no campo >
O maior risco que o conflito no Oriente Médio traz para a economia brasileira está no mercado de fertilizantes nitrogenados, especialmente de ureia e amônia. Desde o início do conflito, o preço da ureia no Brasil já registra aumento superior a 33%, aponta levantamento da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim). O Irã é um importante exportador desses produtos e a instabilidade na região — somada às interrupções logísticas no Golfo — vem provocando forte volatilidade de preços. Grande produtor agrícola, o Brasil é historicamente dependente de importações, que respondem por cerca de 85% dos fertilizantes que o campo utiliza. Isso expõe o país a choques de preços e de logística internacional. Caso as restrições na navegação e no comércio regional se prolonguem por um período mais longo, podem surgir riscos de abastecimento no mercado de fertilizantes nitrogenados, além de novos aumentos de preços, avisa a Abiquim.>
Ociosidade>
Para o restante da indústria química, a alta ociosidade registrada atualmente na atividade, em torno de 40%, é apontada pela Abiquim como uma garantia de abastecimento do mercado nacional, caso haja necessidade de complementar ou substituir importações. Típico caso de males que vêm para bem. Ao mesmo tempo em que o indicador reflete um desafio estrutural para a indústria nacional, neste momento pode permitir à indústria ampliar rapidamente a produção e garantir o abastecimento de produtos químicos no país. >
Três cenários para a indústria química>
Cenário 1 >
Conflito limitado (mais provável): Alta temporária do petróleo, volatilidade cambial moderada e impacto inflacionário administrável.>
Cenário 2 >
Restrição prolongada no Estreito de Ormuz: Pressão significativa sobre fertilizantes nitrogenados, aumento de custos logísticos e maior volatilidade nos mercados de energia.>
Cenário 3 >
Escalada regional ampla: Choque energético prolongado, redesenho das cadeias globais de suprimento e impacto relevante sobre a indústria química internacional.>
Bom balanço>
A Mina Santa Rita, operada pela Atlantic Nickel (ATN) gerou receitas de US$ 274,5 milhões e EBITDA de US$ 103,4 milhões em 2025, com 25% provenientes de subprodutos, apesar de um ambiente desafiador no preço do níquel. A produção atingiu 122.000 toneladas métricas secas (kdmt) de concentrado de níquel, com média de 13,4% de teor de níquel sulfetado (NiS), de acordo com os resultados operacionais e financeiros divulgados nesta quarta-feira (dia 18). Em 2025, a Atlantic Nickel exportou 121.000 toneladas métricas secas (kdmt) de concentrado de níquel sulfetado, o que representou um aumento de 6% em relação ao ano anterior. Um total de 12 navios partiram do Porto de Ilhéus. Desde o início das exportações em 2020 sob a gestão de Appian, mais de 632.000 toneladas de concentrado foram enviadas para o Canadá, China e Finlândia. A Appian e Atlantic Nickel devem apresentar no próximo dia 26 um grande recurso subterrâneo, estendendo a vida útil inicial a céu aberto de 8 anos da mina Santa Rita para mais de 30 anos. Em 2024, a Atlantic Nickel realizou seu Estudo de Pré-Viabilidade ("PFS") para a expansão subterrânea da mina, apontando para uma produção anual estimada em 30.000 toneladas de níquel equivalente (Nieq) por ano, baixa intensidade de capital e uma estrutura de custos competitiva. >
Energia temporária>
A demanda por soluções de energia temporária cresceu mais de 100% em 2025 na comparação com 2024 no Nordeste, de acordo com dados da Tecnogera. Em casos pontuais, a demanda registrada pela empresa ultrapassou 300%. O aumento da demanda foi impulsionado pela ampliação de projetos industriais, obras de infraestrutura e grandes eventos na região. O avanço foi observado principalmente em aplicações ligadas à locação de geradores e equipamentos de suporte energético utilizados para assegurar continuidade operacional em canteiros de obras, operações industriais, projetos logísticos e eventos de grande porte. Segundo Maysa Calmona, gerente de Comunicação e Marketing da Tecnogera, o movimento acompanha o ciclo de investimentos observado na região e reforça o Nordeste como uma das áreas mais dinâmicas do país na demanda por soluções temporárias de energia. “A necessidade de sistemas flexíveis de geração tem aumentado à medida que novos projetos são implantados e atividades econômicas ampliam suas operações, exigindo suporte energético adicional para garantir estabilidade e segurança no fornecimento de energia”, completa.>
Missão brasileira>
Oito empresas do setor de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos da Bahia vão participar da Expocosmética 2026, entre os dias 11 e 13 de abril, na cidade do Porto, em Portugal. Considerada uma das maiores feiras do setor na Península Ibérica, a Expocosmética reúne marcas, profissionais e especialistas de toda a cadeia da beleza, sendo um espaço estratégico para networking, atualização de tendências e geração de negócios. Além da participação na feira, a programação inclui workshop preparatório, showroom “Origem Bahia”, encontros B2B e visitas técnicas a empresas da região do Porto, proporcionando uma imersão completa no ambiente industrial e comercial europeu. A iniciativa integra a Missão Empresarial promovida pela Fieb, em parceria com o Sebrae Bahia e apoio do Sindicato das Indústrias de Cosméticos da Bahia. Para o presidente do Sindcosmetic, Raul Menezes, a missão vai além da geração imediata de negócios. “É uma oportunidade de renovação e desenvolvimento. É sair da caixinha para ver o mundo. Nosso objetivo é que o empresário saia do dia a dia da produção e conheça tendências, vá olhar o que está acontecendo no mundo. Exportar é consequência”, afirma.>
Estreia>
O Shopping da Bahia, administrado pela Allos, inaugura no dia 26 de março um estúdio dedicado à realização de transmissões de vendas ao vivo no próprio empreendimento – uma parceria estratégica entre o Shopping da Bahia e a Play2Shop, unindo inovação, tecnologia e varejo em um projeto inédito no país. O estúdio vai permitir que lojistas apresentem e vendam seus produtos em transmissões ao vivo, com estrutura profissional de produção, apresentação e operação comercial. A operação será conduzida pela Play2Shop, que faz parte do ecossistema do Grupo Dreamers, com foco na estruturação de projetos de social live commerce para o varejo brasileiro. O estúdio em Salvador será o primeiro de um plano de expansão nacional da Play2Shop. As próximas praças avaliadas para receber o modelo são o Rio de Janeiro e São Paulo. O modelo também reforça o conceito de phygital, ao integrar a presença e a experiência do varejo físico com a escala e a dinâmica de engajamento do ambiente digital, permitindo que as lojas transformem seus produtos e estoques em conteúdo e vendas nas plataformas de social commerce. >