Empurra-empurra dos governos Jerônimo e Lula só prejudica a população

É inaceitável que a segurança pública seja tratada sem a relevância merecida

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Publicado em 22 de março de 2024 às 05:00

Um dia antes de promover uma entrevista coletiva para anunciar a homologação da delação premiada de Ronnie Lessa - acusado de matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes -, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, se reuniu com o ministro da Comunicação Social, Paulo Pimenta, e disse ao colega que a questão da segurança pública era de responsabilidade de estados e municípios.

Cinco dias antes da posição de Lewandowski, o governador Jerônimo Rodrigues também tratou da segurança pública. Ao ser questionado pela imprensa sobre os dados do Monitor da Violência, que apontam a Bahia pelo quinto ano consecutivo como líder nacional no ranking de violência, o petista baiano declarou que este era um assunto nacional. “Nós sabemos que a segurança pública não é um tema municipal nem do estado, é um tema nacional”, afirmou ele.

Enquanto há um empurra-empurra sem nenhum dos entes assumir a responsabilidade de uma vez por todas, a população baiana, e de todo o país, tem sofrido as consequências dessa tentativa de se isentar das obrigações políticas. Famílias são dilaceradas pela violência desenfreada, comunidades inteiras vivem acuadas pelo medo e pela insegurança.

Em Salvador, casos de violência não faltam para exemplificar. Traficantes da facção criminosa Comando Vermelho expulsaram, pelo menos, 30 famílias de suas residências do bairro de Narandiba. A área, onde essas pessoas moravam, passou a ser usada como uma “central” para guardar armas, drogas e esconder os integrantes. A mesma organização criminosa invadiu localidades na Ilha de Itaparica, antes dominadas pelo também grupo criminoso BDM (Bonde do Maluco).

Os baianos têm clamado por ações concretas e eficazes para deter a criminalidade, mas as autoridades apresentam discursos vazios e jogos de empurra-empurra. O secretário de Segurança Pública, Marcelo Werner, sequer explicou o que o governo tem feito para deter o avanço do Comando Vermelho na Bahia. A resposta do titular da SSP, para uma questão que aflige a população, foi dizer que vem “acompanhando a dinâmica das organizações criminosas”. Não dá. É inaceitável que a segurança pública seja tratada sem a relevância merecida.

Não é sem razão que 66% dos brasileiros, como mostrou a pesquisa Atlas/Intel, consideram como ruim ou péssima a atuação da administração Lula na segurança pública. Não será com coletivas de imprensa, para anunciar movimentações processuais, como no caso Marielle Franco, que o governo federal reverterá a avaliação negativa. Embora seja um passo importante, o País quer a punição dos autores do assassinato e medidas para evitar novos crimes. O Brasil precisa de investimentos em políticas de prevenção e repressão à criminalidade, fortalecimento das instituições de segurança e, acima de tudo, de agentes políticos que assumam a responsabilidade pela proteção e bem-estar de todos os cidadãos brasileiros.

É vergonhoso ver os governantes ignorarem as obrigações ao passo em que a população paga o preço. A vida e a integridade dos cidadãos estão em risco, e não podemos tolerar a irresponsabilidade por parte da classe política. Não se pode permitir que os jogos de culpa se sobreponham à vida e à segurança dos baianos e brasileiros.