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Rodrigo Daniel Silva
Publicado em 15 de julho de 2025 às 05:00
Amigos, a entrevista do pesquisador em finanças públicas e professor da Uefs, Antonio Silva Magalhães Ribeiro, publicada no último dia 10 de julho, desmonta o discurso sustentado nos últimos anos pelos governos petistas na Bahia - especialmente o do atual secretário da Fazenda, Manoel Vitório - de que a situação fiscal do estado está sob controle e “tudo vai bem” (clique aqui e leia a entrevista na íntegra).>
Na política, é comum enaltecer os feitos e esconder os problemas debaixo do tapete. No caso do governo baiano, os investimentos - que colocaram o estado à frente de muitos outros - foram amplamente celebrados. Já o aumento das despesas e os desequilíbrios fiscais foram sistematicamente omitidos pelos gestores.>
Foi assim durante os mandatos do ex-governador Rui Costa, hoje ministro da Casa Civil. Em 2018, ele vendeu a imagem de uma Bahia “muito bem, obrigado”. No entanto, logo após ser reeleito, usou o capital político para enviar à Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) um duro pacote de austeridade, que a oposição classificou como “estelionato eleitoral” e apelidou de “pacote da maldade”.>
Jerônimo Rodrigues, diferentemente de seu antecessor, não foi eleito em 2022 com uma votação expressiva. Venceu por uma margem apertada. Sem respaldo popular, tudo indica que preferiu não seguir o mesmo caminho de Rui, evitando um plano de ajuste fiscal rigoroso - talvez temendo perder mais apoio político.>
Ao que parece, o governador apostou todas as fichas no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Esperava que o Palácio do Planalto despejasse recursos generosos na Bahia. Mas isso não aconteceu. E o resultado tem sido o aumento expressivo na contratação de empréstimos, como alertou o professor Antonio Ribeiro.>
“Se não considerar as operações de crédito nos últimos 18 anos, tivemos, pelo menos, 15 anos deficitários. Então, o que eu quero dizer com isso? Está havendo um desequilíbrio já há algum tempo. Tomar empréstimo, financiamento, fazer operações de crédito não é nenhum crime. Mas isso tem que estar dentro de um planejamento de longo prazo”, ressaltou ele na entrevista ao CORREIO.>
Diante disso, surgem perguntas incômodas, mas necessárias: caso seja reeleito em 2026, Jerônimo Rodrigues enviará também o seu próprio “pacote da maldade” à Assembleia? E dirá ao eleitor que “a Bahia não anda com as próprias pernas”, como observou o pesquisador?>
É improvável que o governador antecipe essa discussão. Mas o eleitor precisa estar atento - e cobrar.>