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Editorial
Publicado em 27 de março de 2026 às 05:00
Importante frisar, desde logo, que o projeto da ponte Salvador-Itaparica é estratégico para a Bahia. E, como já ressaltado em outras edições deste jornal, sua execução pode impulsionar o desenvolvimento econômico e social do nosso estado. No entanto, a condução do projeto pelas autoridades estaduais não tem refletido a seriedade e a responsabilidade que o tema exige. >
Os fatos mais recentes reforçam essa preocupação. Um conjunto de laudos técnicos produzidos pelo Ministério Público Federal (MPF) expõe fragilidades relevantes no projeto e põe em dúvida a consistência dos estudos apresentados até aqui. Não se trata de um detalhe burocrático, mas de lacunas estruturais em áreas sensíveis, especialmente no campo ambiental.>
Mais do que isso, os laudos indicam a necessidade de ampliar significativamente o corpo técnico envolvido na análise, com especialistas em áreas como oceanografia, biologia e direito ambiental. Quando o próprio MPF recomenda reforço técnico para compreender o projeto, o recado é claro: o nível de informação disponível ainda é insuficiente para decisões seguras.>
No campo do patrimônio cultural, o alerta é igualmente contundente. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) já se posicionou de forma contrária à licença, ao considerar insuficiente o relatório apresentado sobre impactos em comunidades tradicionais. O órgão exige a revisão dos estudos e a ampliação da análise para municípios sequer contemplados inicialmente, o que evidencia uma abordagem incompleta e apressada.>
Não se trata, portanto, de ser contra a ponte. Trata-se de exigir que um projeto dessa dimensão, que afetará ecossistemas, modos de vida e a própria dinâmica econômica da Bahia, seja conduzido com o máximo rigor técnico, transparência e responsabilidade institucional.>
O que está em jogo não é apenas a construção de uma ponte, mas a forma como o poder público conduz grandes obras e respeita ou não os parâmetros que garantem sua legitimidade.>