Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Elton Serra
Publicado em 2 de janeiro de 2017 às 08:22
- Atualizado há 3 anos
Primeiro dia útil de 2017 e você, certamente, já está colocando em prática os planos para o ano que está começando: perder uns quilinhos, deixar de beber, comprar um carro novo, viajar para aquela cidade que você sempre sonhou em conhecer, encontrar um novo amor. Você também deve ter passado nas outras páginas esportivas deste jornal para conferir as novas contratações de seu time, mas sofreu um duro golpe, deixando um vazio de novidades na sua alma de torcedor.Os clubes de futebol pensam da mesma forma: traçam metas para a temporada, objetivam títulos, competições internacionais, receitas que possibilitem um equilíbrio financeiro. Nem sempre agradam à torcida com contratações de impacto técnico, mas por muitas vezes buscam aquele reforço que reverbere positivamente na mídia, mostrando status e polindo a imagem institucional no mercado da bola.O Campeonato Baiano deste ano, que terá 11 clubes, não promete trazer grandes novidades. O Bahia não vive mais aquele jejum de títulos de outrora, enquanto o Vitória, que conquistou apenas dois estaduais nesta década, voltou a levantar a taça em 2016 e diminuiu a pressão. Até o interior, que antigamente sofria para conquistar um título, chegou à final duas vezes nos últimos seis anos. O argumento de que o Baianão serve apenas para derrubar técnico e manter acesa a rivalidade entre tricolores e rubro-negros ganha cada vez mais força.Ba-Vi, aliás, que pode acontecer em outras duas competições: na Copa do Nordeste, dois jogos são esperados no mata-mata, caso ambos ultrapassem a primeira fase; na Copa do Brasil, a partir da quarta fase, mais dois confrontos são possíveis. Certo mesmo são os encontros pela Série A, algo que não acontece desde 2014. Até o argumento da rivalidade no estadual pode cair por terra, caso Bahia e Vitória se mantenham por muito tempo disputando o principal campeonato do país.Esse cenário nos faz refletir sobre como será o planejamento dos dois gigantes do estado. As Copas do Nordeste e do Brasil, que começam em fevereiro, serão prioridades. O Campeonato Baiano, que também se inicia no segundo mês do ano, não atrai a atenção das duas diretorias e, consequentemente, das duas torcidas. A partir de maio, quando o Campeonato Brasileiro movimenta o calendário, maiores investimentos são feitos e as metas são renovadas. Não é muito difícil debruçar sobre esse raciocínio.Porém, sabemos o cenário ideal. Bahia e Vitória não possuem, atualmente, elencos fortes para disputar uma temporada inteira. Enquanto o tricolor vem de uma Série B, competição com nível técnico abaixo da elite do nosso futebol, o rubro-negro terminou um ano de participação sofrível na Série A. É preciso o fortalecimento dos dois grupos para a temporada 2017, e este planejamento é algo que urge. Ter um time praticamente formado em janeiro, fazendo poucas correções durante o ano, é o que se espera.Futebol não tem receita pronta, mas dá aos dirigentes direcionamentos óbvios com o passar dos anos. É claro que não é fácil, em muitos casos, colocar um bom planejamento em prática – o que depende, também, da capacidade de gestão dos cartolas. Entender o cenário onde está inserido e buscar soluções para sobreviver num voraz mercado é quase uma arte, que poucos conseguem dominar com maestria. Dentro deste mundo paralelo está o torcedor, que deve esquecer que não encontrou no jornal de hoje os reforços que esperava, e cobrar metas consistentes para não transformar em sofrimento o gostoso ato de torcer.>