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Descubra como você vai pagar pelos juros dos EUA

Federal Reserve aponta que vai manter taxa entre 5,25% a 5,50%; medida provoca impactos na economia brasileira

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  • Flavio Oliveira

Publicado em 20 de abril de 2024 às 16:00

Desvalorização da moeda brasileira traz pressão inflacionária Crédito: shutterstock

O Federal Reserve (FED, o banco central dos Estados Unidos) jogou um balde de água fria nas expectativas de agentes de mercados em todo o mundo ao indicar que vai atrasar o corte das taxas juros da economia mais poderosa do planeta. Com isso, o dólar ganha força em relação às demais moedas, e com o real não seria diferente. A divisa brasileira, entre aquelas dos países que integram o G20, no entanto, foi a que mais se desvalorizou em abril: 4,5%. Outras nações, com menos intensidade, também enfrentam o problema: o iene japonês, o rublo russo, o peso mexicano e o won coreano tiveram uma desvalorização de 2%. O euro e a libra esterlina se desvalorizaram menos que 1%. A má notícia é que o cenário de dólar acima dos R$ 5 vai perdurar. A pior é que os brasileiros – assim como cidadãos de outras partes do globo – vão ajudar a pagar essa conta aberta pelos americanos.

A taxa de juros é um instrumento utilizado para controlar a inflação (perda de poder de compra de uma moeda). Taxas altas ajudam a esfriar a atividade econômica e diminuir fatores que pressionam o aumento dos preços. Uma taxa baixa age de maneira contrária, incentiva investimentos, consumo e criação de empregos. A maioria dos países ainda sofre com a desorganização econômica provocada pelos anos de pandemia. O sofrimento aumenta com incertezas provocadas pelas guerras Rússia x Ucrânia e Israel x Hamas e, agora, a iminência do conflito Israel x Irã. Cada país também enfrenta seus próprios fantasmas internos.

No caso do Brasil, as incertezas externas têm recebido contribuições internas consistentes para a perda de valor do real, com o governo dando o máximo de si para sabotar suas conquistas, a exemplo da melhora em indicadores como PIB e emprego. As crises se sucedem. Para ficar nas mais recentes, temos a dos dividendos da Petrobras, a aprovação de pautas bomba (aumento de despesas à revelia da Fazenda) no Congresso, e o anúncio de que o governo desistiu de perseguir superávit (arrecadação maior que os gastos) em 2025 (na verdade, pode até fechar o ano com déficit de 0,25% do PIB).

Este anúncio – que compromete a credibilidade do governo Lula e de sua equipe econômica - foi feito um dia depois de o presidente do FED, Jerome Powell, dizer, na terça (16), que não está confiante na redução das taxas de juros nos EUA. Ele declarou que a meta de inflação norte-americana ainda não foi atingida. As informações mais atuais indicam que a inflação anual no país teve alta de 0,3% e ficou em 3,5%, enquanto a inflação mensal de março ficou em 0,4%. O juro americano está no intervalo de 5,25% a 5,50% desde julho de 2023. O mercado apostava em até seis cortes nessas taxas em 2024, com a primeira ocorrendo em maio. Agora, a expectativa é que o primeiro corte só ocorra no segundo semestre, e que serão apenas três cortes neste ano.

Diante dessa realidade, a tendência é a de que os investidores tirem dinheiro de mercados emergentes - e de suas empresas -, parar aplicar no dólar e em títulos d governo dos EUA. O juro de lá garante uma boa rentabilidade praticamente com risco zero de calote e de desvalorização do ativo. O aumento da procura aumenta o preço do produto (no caso o dólar).

Estes são os primeiros impactos provocados pelos juros americanos no Brasil: fuga de investidores e valorização do dólar frente ao real. O Brasil depende de recursos externos para se financiar. E para atrair esse dinheiro, uma das saídas é oferecer uma remuneração maior – no caso, juros maiores – para atrair investidores. Embora o juro alto ajude a controlar a inflação, ele tem o efeito perverso de encarecer o crédito e inibir o setor produtivo. É o investimento – seja privado ou público – que cria novos empregos. A falta de investimentos, ao contrário, pode levar à estagnação e ao corte de vagas. Por outro lado, em uma economia cada vez mais globalizada, onde o dólar é a moeda corrente nas transações entre países, quanto maior o custo da divisa americana, maior a pressão inflacionária.

Se o governo não se atrapalhar, nada leva a crer que o Brasil corra o risco de enfrentar uma recessão. Todas as projeções apontam para uma alta do PIB beirando os 2% neste ano. A inflação também está sob controle. O foco dos investidores está no crescimento da dívida pública, um indicador utilizado par medir a capacidade de pagamento do país. Assim, o problema está na credibilidade do país, o que o governo tem colocado em xeque.

Homem quer superar Deus e recriar pássaro extinto

Dodô ilustrou livro infantil Crédito: Reprodução

Extinto desde 1680, o pássaro dodô pode voltar a habitar este planeta. Autoridades das Ilhas Maurício, um país localizado no Oceano Índico e antigo habitat natural do animal, está em busca do local mais adequado para abrigar a nova velha espécie, dando seguimento ao projeto anunciado em 2023 pela Colossal Biosciences, empresa privada de biotecnologia e engenharia genética sediada nos Estados Unidos. Os pesquisadores da Colossal afirmam ter sequenciado o genoma da ave a partir de uma amostra de DNA retirada de um espécime exposto em um museu na Dinamarca.

O próximo passo após o sequenciamento do material genético do dodô, é o de modificar células que atuam como precursoras de ovários e testículos chamadas de células germinativas primordiais, de aves geneticamente próximas do dodô: o solitário (uma ave também extinta que vivia numa ilha próxima, e que, assim como o dodô, não voava) e do pombo Nicobar (ou pombo-europeu), o parente vivo mais próximo do dodô, para que contenham o DNA da ave das Ilhas Maurício. Essa cultura de células será implantada em um ovo do pombo-europeu, e se tudo correr como planejado, após a choca, eclodirá um filhote de dodô.

O simpático dodô é o símbolo das Ilhas Maurício e ficou famoso por ser personagens de filmes e livros como Alice no País das Maravilhas.

Este não é o primeiro anúncio de “recriação” de animais e organismos extintos. Em 2014, por exemplo, uma equipe de cientistas criou polêmica ao anunciar uma experiência para recriar o extinto vírus influenza que causou a pandemia de gripe espanhola nos anos 1920.

No caso do dodô não é diferente. A comunidade científica se divide entre quem questiona a manipulação genética de espécies extintas, pois pode trazer doenças desconhecidas e por tirar recursos e atenção da preservação das espécies embora em risco de desaparecimento. Mas há aqueles que defendem que experiências como estas são a única forma de sobrevivência de seres hoje ameaçados de extinção.

Meme da semana

Símbolo dos Estados Unidos, a Estátua da Liberdade é a mais uma vítima de três pandemias associadas: sedentarismo, consumo de alimentos ultraprocessados e obesidade. Todas estão associadas a mortes precoces. Humor também é ferramenta de reflexão.

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