Herbem Gramacho: O futuro do futebol e o saudoso Confete

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Publicado em 29 de outubro de 2015 às 02:56

- Atualizado há 10 meses

Ainda não eclodiu na Bahia porque o embrião surgiu no Sudeste e no Sul e principalmente porque, por aqui, a preocupação é com as peripécias de Bahia e Vitória na Série B. Mas, em um cenário mais amplo, o futebol brasileiro passa por um processo que pode significar um divisor de águas a médio ou a longo prazo.Não tem nada a ver com o 7x1, uma consequência e não causa dos nossos males. O problema é nacional, com a insatisfação generalizada dos times (exceto os paulistas) com os respectivos campeonatos estaduais. E o futuro que se desenha é a Primeira Liga, já criada por times de Minas Gerais, Rio de Janeiro (Fla e Flu), Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Nos moldes atuais, ainda é uma briga local. Mas que tem potencial para se tornar um campeonato brasileiro em que o poder de decisão, captação de patrocínio e estratégias de marketing estejam com os clubes e não com as federações, sejam elas estaduais ou nacional (CBF). A questão é: se dá certo com a Copa do Nordeste, sucesso com o público, as equipes e os patrocinadores, e se der certo com a Liga Sul-Minas-Rio, o que faltará para este ser o caminho a se adotar também nacionalmente, no principal campeonato do país e em suas divisões de acesso? A grosso modo, o que os clubes querem é eliminar um intermediário (as federações) e, consequentemente, tornar o negócio mais vantajoso, o que é legítimo e estratégico. Ter o campeonato nacional gerido por uma liga de clubes é praxe nos principais países da Europa e não seria novidade no Brasil. Por aqui, o Clube dos 13 traduziu esse pensamento ainda em 1987, cinco antes dos ingleses criarem a Premier League, hoje referência mundial e inspiração para o nome da Primeira Liga, como os sulistas e sudestinos pretendem chamar o regional de lá, que começa em janeiro de 2016. A questão é atrair os times paulistas, fiéis ao presidente da CBF Marco Polo Del Nero, ex-presidente da Federação Paulista, porque estão economicamente satisfeitos com o estadual rentável que têm. Arrisco dizer que é questão de tempo, não mais que uma década. E quando isso acontecer, não terá mais volta.

Rubi Confete“O Bahia tando jogando e ganhando, Ave Maria! Você pode passar uma semana com fome, mas vai passar com amor”. Parece meloso, piegas, mas quem assistiu ao filme Bahêa Minha Vida sabe que essas palavras de Rubi Confete não eram uma estratégia de marketing.Confete foi embora na noite de terça, levando com ele um pouco do que ainda resta do velho Bahia e de seu torcedor de 5 conto que enchia a Fonte Nova de fé e devoção, nos tempos áureos do estádio  antes da demolição.

Rubi Confete, assim como Lourinho e o anão, foi destaque de uma época em que suor e camisa pirata ainda eram maioria nos jogos do Bahia e que torcedor folclórico era mais enaltecido que torcida organizada. Torcedores como ele valem por milhares, sem exagero. Porque são responsáveis por construir no imaginário popular o perfil que hoje o Esquadrão tanto se orgulha: o de time de massa, de um povão que não mede esforços para ver seu Baêa jogar, que luta e acredita até o fim. Estereótipos não costumam ser um bom parâmetro da realidade, mas se for para fazer um do torcedor do Bahia, Confete é uma boa indicação.*Herbem Gramacho é editor de Esporte e escreve às quintas-feiras