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Publicado em 5 de janeiro de 2017 às 05:00
- Atualizado há 3 anos
O Leão inicia 2017 com 15 jogadores formados na base rubro-negra em um elenco com 27 atletas, já contando os recém- contratados Leandro Salino e Uillian Correia. Um percentual de 55%. No Esquadrão, o índice é bem parecido: o elenco que começa o ano com 28 jogadores tem 15 da base (53%). No entanto, Bahia e Vitória terminaram 2016 sem firmar no time titular nenhuma revelação da base lançada no ano passado.Na gestão de Marcelo Sant’Ana, que teve início em 2015, 33 jogadores da base disputaram pelo menos uma partida no time profissional do Bahia. Foram 18 no ano de estreia e 15 no ano passado. Mas os números enganam.Apesar da pequena diferença quantitativa, a política de aproveitamento mudou sensivelmente após o fracasso tricolor na Série B 2015 mostrar que nem todo menino tem talento suficiente para ser titular, nem chega ao profissional pronto para aguentar o ritmo e a pressão, ainda mais em um time de massa. Depois da chegada de Guto Ferreira, em junho de 2016, a base deixou de ser prioridade. A diretriz do clube mudou junto: a base voltou a ser suporte, e não mais um caminho forçado.Em 2016, o número de atletas da base lançados só chegou a 15 porque o Bahia jogou duas vezes no mesmo dia e, com isso, enfrentou a Juazeirense com a equipe sub-20 enquanto o time principal goleava o Galícia. Sete jogadores tiveram chance só naquele dia ou em outra ocasião semelhante, na partida contra o Santa Cruz pela Copa do Nordeste, que o tricolor já estava classificado e poupou seu time principal - além dos amistosos contra Santos e Orlando City.A seguir, a lista dos 15 jogadores lançados em 2016: Dedé, Deijair, Marlon, Everson, Wesley, Marco Antônio, Kaynan, Luis Fernando, Cristiano, Max, Felipinho, Itinga, Júnior Ramos, Mayron e Hugo Freitas. Os sete primeiros são os mencionados no parágrafo anterior. A conta não inclui o atacante João Paulo Queiroz, emprestado pelo São Paulo em julho, porque ele chegou direto para o elenco profissional, embora tenha descido para a base. De qualquer maneira, ele também só jogou uma vez. Desafio o torcedor a reconhecer mais de um deles se cruzar no shopping.O maior exemplo da mudança de diretriz: dos 15 lançados, quem mais entrou em campo foi o atacante Cristiano, que esteve em quatro partidas oficiais e no amistoso nos Estados Unidos. Destaque na Copa São Paulo de juniores do ano passado, ele estava ontem na Copinha de novo. Em 2015, o zagueiro Robson jogou 41 partidas e o volante Yuri, 38. Ambos estavam no primeiro ano como profissional.Os jogadores da base mais utilizados por Guto Ferreira foram lançados em 2015 por Sérgio Soares, caso do goleiro Jean e do zagueiro Éder, reservas sempre a postos (Eder fez 29 jogos em 2016, a maioria com Doriva). Gustavo Blanco e Yuri, constantes em 2015, ficaram fora dos planos de Guto. No Vitória, 2016 também não foi ano de colheita. Dos 15 jogadores revelados na Toca que constam no elenco profissional de 2017 publicado no site do clube, só os goleiros Caíque e Wallace foram lançados no ano passado, além do zagueiro Bruno, incorporado ao elenco, porém ainda sem estrear. Curiosamente, Wallace fez uma partida pelo Baiano, não passou confiança e, na seguinte, Caíque estreou. Fez 13 jogos no ano e foi quem salvou a lavoura, mesmo sendo reserva de Fernando Miguel.Os outros garotos do elenco já haviam sido lançados antes. Ramon, Flávio e David estrearam em 2015 e, ao menos, se tornaram presença constante como titular ou no banco em 2016. Euller e Marcelo são um caso peculiar: lançados em 2013, só em 2016 tiveram um ano de afirmação na carreira. Outros garotos estagnaram, como os promissores Yan, Gabriel e Rafaelson, trio lançado em 2015 que quase não apareceu no ano passado. O zagueiro Vinícius, lançado em 2014, também não levantou voo - jogou oito partidas no estadual e só uma na Série A. Herbem Gramacho é editor de Esporte e escreve às quintas-feiras.>