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Nelson Cadena: 100 anos do Diário Oficial

  • D
  • Da Redação

Publicado em 3 de novembro de 2015 às 15:39

 - Atualizado há 3 anos

Era para a primeira edição ter circulado em 7 de setembro de 1915 quando foi inaugurado o prédio-sede da Empresa Gráfica da Bahia, assim tinha sido planejado pelo governador José Joaquim Seabra. Mas o que o governo não planejou, e não contava com isso, foi a Segunda Guerra Mundial. O conflito bélico tirou da Bahia o técnico alemão que desde julho vinha fazendo os testes com a moderna rotativa Albert Frankal. O cidadão teve de voltar às pressas para seu país e o Arthur Aresio da Fonseca, superintendente gráfico, teve que  se virar para fazer funcionar a contento a máquina. Conhecia o equipamento desde os tempos em que, às voltas com um problema semelhante, fez rodar a primeira edição de A Notícia, o jornal do senador Frederico Costa, em 1913, dirigido por Arthur Mattos. Pelos jornais, sabemos que se pensou em imprimir o DO numa máquina plana, mas não era o recomendado. E enquanto os técnicos baianos resolviam as pendências mecânicas e elétricas, os atos oficiais continuaram a ser publicados na Gazeta do Povo. Houve uma “primeira” edição do Diário Oficial em 1° de outubro, interrompida por defeito da rotativa. O jeito foi guardar para posterior aproveitamento. Assim foi até 30 de outubro de 1915, quando, finalmente, os baianos conheceram o novo jornal que já nasceu com a proposta de ter um noticiário diário, elaborado por Mário Gama, redator-secretário, Rafael Spínola e Arthur Ferreira, redatores, e Gualberto Cardoso, Miguel Chaves e Cantídio de Souza como noticiaristas. Contava ainda com seis experientes revisores. Toda a equipe sob a direção geral de José de Aguiar Costa Pinto. Rafael Spínola foi um destacado jornalista da imprensa diária baiana, mais tarde redator de O Imparcial, e que a partir de 1938 tornou-se um dos proprietários do Diário de Notícias. Quanto a Arthur Ferreira, fundou o jornal A Hora (1917) que chamou a atenção pela virulência verbal que o indispôs com vários segmentos da economia e da política baiana, chegando às vias de fato. Em 27 de junho de 1918, o jornalista atirou e matou o ex-prefeito de Salvador João Propício Carneiro de Fontoura, que marcara encontro com ele no Bar Gastronome no propósito de espancá-lo, segundo alegou perante o delegado que o interrogou. Anos depois, ironia do destino, outro ex-prefeito da cidade, Aristóteles Góes fuzilou Ferreira com um tiro certeiro no coração. O certo é que o Diário Oficial do Estado da Bahia, no seu número inaugural, contendo 64 páginas, circulou com uma distribuição inicial de 4 mil exemplares em 30 de outubro. Metade do conteúdo, um caderno de 32 páginas, correspondia à “primeira” edição aqui referida, aquela que não chegou a circular por defeito da máquina impressora. O farto material editorial, para além da simples publicação dos atos oficiais, justificava ter dois redatores experientes e três noticiaristas na equipe. Com o tempo, o número de páginas decresceu, provavelmente um ajuste de custos dentro do orçamento do estado, mas continuou a ter matéria editorial complementar, algumas vezes escasso. Em 2 de julho de 1923, a propósito do Centenário da Independência da Bahia, o Diário Oficial do Estado da Bahia circulou com a maior edição de sua história, quase 600 páginas, contendo artigos memoráveis encomendados aos maiores especialistas nos assuntos referidos: teatro, música, imprensa, esportes, literatura, agricultura, comércio, etc. Na época, contava com 588 empregados, segundo nos informa Honestílio Coutinho, funcionário da Imprensa Oficial do Estado no cargo de noticiarista, em texto publicado na referida edição. É interessante a sua observação acerca da decisão do então diretor, Pacheco de Oliveira, ao evitar “o inconveniente da agiotagem, instituindo um regime de vales semanalmente pagos pela tesouraria da casa”.  E conclui com isso terem os funcionários um ganho de 25% “antes usufruído pelos agiotas”.