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Pombo Correio
Publicado em 30 de janeiro de 2026 às 05:30
Tem sido recorrente na classe política a avaliação de que o senador Otto Alencar (PSD) ficou com sua liderança contestada depois de ter soltado a mão do seu principal aliado e compadre, senador Angelo Coronel (PSD), para dedicar apoio à chapa puro-sangue do PT. Aliás, há quem diga que Otto nunca tenha sido submetido aos desafios reais de um líder político porque sempre esteve à sombra de outros protagonistas, seja o ex-governador ACM, seja o senador Jaques Wagner (PT), que coordena o grupo petista na Bahia. Assim, o pessedista ergueu seu feudo sem maiores complicações, e na primeira vez em que foi testado de fato fraquejou, soltou a mão de um amigo e chegou até a confessar que estava “sem diagnóstico” eleitoral. Soma-se a isso o fato de Otto sempre ter dito ser homem de partido e ter se esforçado para construir a imagem de leal aos seus correligionários. Agora, pessedistas já dizem que essa imagem está em xeque. >
Vaivém>
Para muitos, inclusive governistas, a melhor ilustração da dificuldade que Otto tem de exercer comando político neste momento é o vaivém das suas declarações públicas, passando mensagens difusas - até para aliados. Primeiro sugeriu que Coronel era arrogante por recusar o posto de vice na chapa. Depois, diante da reação negativa e do desgaste interno, recuou e disse garantir legenda para uma candidatura avulsa de Coronel. Fato é que Otto atravessa dias em que não consegue sustentar de pé o que diz sentado. >
Voto pessoal>
Para piorar a situação, Otto agora precisa lidar também com a chegada do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao PSD, turbinando a disposição da legenda para a disputa presidencial. Com Caiado no jogo, o PSD passa a precisar - goste-se ou não - de palanque próprio nos estados, inclusive na Bahia, o que colide frontalmente com o discurso de Otto de apoio à reeleição do presidente Lula e do governador Jerônimo Rodrigues, ambos do PT. Se a caravana rumo ao Planalto tomar fôlego, não estaria descartado um movimento de troca no comando estadual para alguém disposto a capitanear a reeleição de Coronel alinhada ao projeto nacional da sigla. Em meio à tensão das negociações, um interlocutor brincou que Otto poderá chegar na campanha eleitoral podendo oferecer apenas o seu voto pessoal a Jerônimo.>
Divisão interna>
Experientes parlamentares ligados ao grupo petista na Bahia avaliam que a entrada de Caiado no PSD e a possível candidatura dele a presidente inevitavelmente vão trazer prejuízo para a base no estado. Embora o senador Otto Alencar garanta o apoio da sigla a Jerônimo, Caiado já disse que estará no palanque de ACM Neto. O temor é que a entrada de Caiado leve para o debate nacional o tema da segurança, que coloca em polos distintos Goiás, que virou exemplo para o país, e a Bahia, estado mais violento. Sem contar que fatalmente uma candidatura nacional pode trazer uma divisão interna no partido, o que, pontuam, Otto não conseguirá controlar. >
Pessimistas>
Governistas ligados ao ministro Rui Costa (PT) andam dizendo que o governador Jerônimo terá um caminho difícil na briga pela reeleição. Em conversas reservadas recentemente, chegaram a revelar que o governador está atrás em muitas regiões nas quais ganhou com boa vantagem em 2022. Culpam os problemas de gestão, a falta de entregas e o aprofundamento de crises como a segurança pública. O que não se sabe é se as falas dos aliados foram estimuladas por Rui ou se foram ditas espontaneamente por seus pupilos. >
Oposição pela oposição>
A oposição à prefeita de Lauro de Freitas, Débora Regis (União Brasil), tem usado e abusado do tema das mudanças no IPTU da cidade. Só esqueceram de dizer que o número de imóveis isentos saiu de 5 mil para cerca de 25 mil e que outros 36 mil tiveram redução no valor do tributo municipal, beneficiando especialmente as pessoas que moram nas regiões mais carentes. A narrativa frágil dos oposicionistas não encontra apoio em grande parte da população, que tem aprovado as alterações. Estes mesmos grupos de oposição agora estão sendo acusados de hipocrisia e encurralados por lideranças locais justamente por dizerem que cuidam de gente. Cuidam de gente e não querem isenção de IPTU para as pessoas mais carentes? >
Mudança de verdade>
Por falar em Lauro de Freitas, Débora Regis tem sido alvo de ataques machistas e covardes justamente por ter decidido enfrentar vícios que vinham sendo praticados por gestões anteriores. Uma delas foi reduzir a folha de mais de 22 mil pessoas para cerca de 8 mil, acabando com os famosos “cabides de emprego” do município. O resultado é que os serviços públicos estão sendo recuperados, assim como a manutenção da cidade, que era chamada de “Buraco de Freitas”. Mas os grupos que se beneficiavam desse sistema não aceitam e fazem ataques ferozes contra a prefeita. O problema para eles é que o povo tem aprovado a nova forma de governar a cidade. >
Equívoco aéreo>
Causou estranheza a mudança feita pela Secretaria de Infraestrutura em uma publicação do Diário Oficial do Estado da Bahia na última sexta-feira (23). Pela manhã, o Estado publicou uma dispensa de licitação em caráter emergencial para a concessão dos serviços de gestão, manutenção e exploração do aeroporto internacional de Porto Seguro, com outorga mensal de R$ 450 mil e vigência de 12 meses. Horas depois, no entanto, o ato foi tornado sem efeito e substituído, em edição suplementar, por uma nova dispensa emergencial, elevando a outorga para R$ 500 mil e reduzindo o prazo para seis meses. A justificativa oficial foi um “equívoco no arquivo encaminhado para publicação”. O problema é que ninguém explicou qual foi exatamente o “equívoco” que redesenhou as cifras e o impacto disso na operação do terminal. >
Norte da mudança>
A migração do ex-prefeito de Juazeiro Isaac Carvalho para o campo de oposição foi recebida com um sinal relevante de como o estado vive tempos de mudança. Com passagem pelo PCdoB e pelo PT, Isaac externou que o sentimento dominante nas ruas e até na zona rural é de que “não faz sentido a continuidade do atual governo”. A crescente resistência ao PT deriva especialmente do fato de as pessoas não verem mais no partido a competência para proceder às mudanças e libertar a Bahia, por exemplo da onda de violência, nem tão pouco fazer melhor os serviços básicos. Quando alguém que militou em campos historicamente opostos faz esse diagnóstico, a análise tem outra densidade e prova que o desejo de mudança deixou de ser retórica e passou o sentimento do povo nas ruas.>
Na boca do povo>
A alcunha de “governador meia boca” está pegando em Jerônimo. O termo, que tem sido muito usado por oposicionistas e já começa a chegar no povo, começou após o senador Jaques Wagner dizer que Jerônimo tinha uma avaliação “mediana”, o que alimentou as críticas ao governador petista.>