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Da Redação
Publicado em 29 de agosto de 2015 às 02:25
- Atualizado há 3 anos
O atacante Rogério é um bom jogador. De Série B. Rildo, ex-Vitória, em qualquer divisão ou período do futebol brasileiro, é um peru zonzo em véspera de Natal (pra não usar um termo mais chulo, porém bem popularizado entre a boleiragem). Já o lateral-esquerdo Mansur... bem, todos somos testemunhas do que Mansur é capaz (?) quando vai a campo.Daí, enquanto escrevo, sabe-se que Rogério já treinou pelo São Paulo. Sabe-se também que Rildo está no Corinthians, líder da primeira divisão - e que de vez em quando é utilizado pelo treinador para “imprimir velocidade”. Sabe-se ainda, repare só, que Mansur agora veste a camisa do Atlético-MG, um dos times que disputam o título nacional, e tem boas chances de ser titular enquanto Douglas Santos estiver na Seleção Brasileira. Não ria. O quadro é um assombro.Se Rogério, Rildo e Mansur podem ser classificados como reforços para clubes com altos orçamentos e que, neste momento, disputam espaço na parte superior da tabela da primeira divisão, podemos ter certeza de que não há mais parâmetros nem critérios no futebol brasileiro. Impossível medir o fosso.Meu amigo Alex Rolim deu de chapa: “Até um tempo atrás, nos vangloriávamos por ter os melhores jogadores. Hoje o que temos de melhor são os empresários”. Disso tudo, só temo que o 7x1 tenha sido pouco e que a próxima Copa (considerando que lá estaremos) termine de forma ainda mais devastadora.Há uns anos, Chico Buarque escreveu que os europeus poderiam ser considerados os donos do campo, pois sempre tiveram mais senso de domínio territorial durante as partidas. Já os brasileiros, outros sul-americanos e os africanos seriam os donos da bola, pela inventividade e o jogo de cintura com que se exibiam. Hoje, não podemos ser considerados os donos do campo, tampouco donos da bola. Só um posto ainda não perdemos: fazemos pose como ninguém.De uns tempos pra cá, o termo entressafra é um dos verbetes mais utilizados nas conversas sobre a bola nacional, para exportação ou consumo interno. Na tal entressafra, surgem alguns bons jogadores, sobram os meeiros, carniças são negociadas como reforços e craque, craque mesmo, aquele excepcional que pode esculhambar num lance e decidir a qualquer momento, pinta a conta-gotas.O caso é que a tal entressafra parece não ter fim. Há quanto anos, este termo é repetido nas tentativas de planificar o pepino? A estiagem chegou à vera e ninguém sabe quando vingará uma safra de verdade. Até lá, ficamos assim, catando grão.No vai e vem da bola, observe com atenção, o zagueiro Ednei acaba de sair do Vitória para atuar pelo Coritiba. Não citei este exemplo entre os outros lá do início porque o Coritiba não briga por título. Pena, isso sim, para fugir da segundona, o que significa que Ednei pode ter subido apenas para tomar fôlego e submergir de novo logo, logo.O mais incrível deste negócio é que o técnico do Coxa é Ney Franco, que no ano passado comandava Ednei no rubro-negro baiano e, se estiver em sã consciência, sabe muito bem que o defensor pode muito pouco. Na resenha, há quem diga que Ney Franco quis manter moral com o Vitória e prestou um favor ao tirar Ednei da Toca do Leão.Pelo lado do Vitória, pode-se dizer que a transferência foi um alívio - professor Evaristo dizia que jogador ruim é melhor não ter: uma hora você vai precisar dele. Já pelo lado do Coritiba (e do Corinthians, do Galo, etc), vale perguntar: isso pode ser chamado de reforço?>