Colecionador de recordes, André Brasil tentará aumentar marca nos Jogos Paralímpicos do Rio 2106

André é detentor de seis recordes mundiais da categoria S10: 50m, 100m e 200m livre, 50m e 100m borboleta e 50m costas

Publicado em 15 de fevereiro de 2016 às 14:24

- Atualizado há 10 meses

Foi pela TV que o jovem André Brasil, então com 20 anos, descobriu o que queria. Competir numa Paralimpíada. A inspiração era Clodoaldo Silva, herói nos Jogos de Atenas-2004. Trabalho, dedicação e talento fizeram o atleta realizar seu sonho.Aos 31 anos, tem dez medalhas paralímpicas, 24 em Mundiais e 21 em Parapans. Além disso, é detentor de seis recordes mundiais da categoria S10: 50m, 100m e 200m livre, 50m e 100m borboleta e 50m costas. Em setembro, no Rio-2016, ele tentará aumentar essas marcas. Aos 31 anos, nadador tem dez medalhas paralímpicas, 24 em Mundiais e 21 em Parapans (Foto: CPB/Mpix/Divulgação)A poliomelite que acometeu André aos seis meses de idade não o impede, inclusive, de competir com atletas sem deficiência. “Meus amigos sabem que, se vacilarem, irão perder”, garante, em papo com o CORREIO. Confira:Qual sua expectativa para os Jogos Paralímpicos deste ano? Como estão sendo os treinamentos?  Em que você acha que ainda pode melhorar?Estou extremamente feliz e ansioso para esta grande festa do esporte em nossa casa. Para mim, em particular, no jardim de casa, já que sou carioca. Os treinos estão de vento em popa. Muito trabalho até lá. É uma mistura de muita dor e sofrimento que espero transformá-las em alegrias. Prefiro dizer que sempre tenho o que melhorar. A busca incessante da perfeição leva à excelência e, se isso se reverter em resultados, metas ou objetivos pessoais, estarei satisfeito.O que a vida de atleta e o reconhecimento já te proporcionaram?Transformação + mudança = realizações, conquistas pessoais e profissionais. Não digo que o esporte paralímpico trouxe reconhecimento, mas notoriedade a um segmento, que muitas vezes colocado de lado em nossa sociedade, torna-se grandioso aos olhos do esporte. É a tal da inclusão ou simplesmente crescimento cultural. Entender que o outro, com ou sem deficiência, é tão capaz quanto você.Você sente que o preconceito para com os portadores de deficiência diminuiu após tanto sucesso no esporte?Preconceito sempre irá existir, infelizmente. Mas a vida tem mostrado que a nova geração está mais aberta a novidades e oportunidades. A mudança cultural é que precisa existir: entender que educação e saúde são prioritárias na formação do cidadão para gerar oportunidade dele viver uma vida digna.Clodoaldo Silva, um dos seu ídolos e uma de suas inspirações, vai se despedir do esporte nos Jogos do Rio. Na sua opinião, qual o papel dele para o esporte paralímpico brasileiro? Clodoaldo é como o provedor de tudo o que aconteceu no cenário nacional. Sem ele, eu, Daniel (Dias) e tantos outros nem saberíamos da existência do esporte para pessoas com deficiência. “Pendurar a sunga” no Rio-2016, será, sem sombra de dúvidas, a cereja do bolo e torço para que ele seja coroado por tudo isso. Além de amigo, um ser humano incrível com um coração enorme. Sentiremos falta. Mas algo me diz que ele não estará muito longe.(Foto: CPB/Mpix/Divulgação)Qual seu objetivo ao competir com atletas sem deficiência?Acho que esse é um dos grandes motivos para não me acomodar com os resultados e buscar o limite ou ultrapassá-lo muitas vezes. Competir com atletas sem deficiência é muito divertido, pois ali todos são apenas atletas. Não importa ter uma perninha mais fina. Meus amigos sabem que, se vacilarem, irão perder.O que você espera dos Jogos como um todo, em termos de legado para o país e para o esporte?Torço para que milhares de pessoas possam contribuir com essa grande festa, pois cabe a nós mostrarmos a força de uma nação. União é a palavra chave. Não temos que esperar pelo governo, ajuda divina ou algo do tipo.... mãos à obra! E tenho certeza que a festa estará garantida. E que as oportunidades, igualdades e direitos de todos sejam fortalecidos. E que o Brasil possa mostrar o quão forte é.