No dia seguinte ao Ba-Vi, Salvador se veste de Vitória enquanto Bahia tenta esquecer jogo

Não faltam motivos para Nivaldo, Nina e Dido festejarem: o time está há seis jogos sem perder e é o segundo colocado na Série B

Publicado em 5 de outubro de 2015 às 08:09

- Atualizado há 10 meses

A combinação das cores vermelho e preto dominou a cidade no domingo (4), um dia após o Vitória ganhar de virada do Bahia, na Fonte Nova, o terceiro e último Ba-Vi do ano. Lá estavam elas: nas bandeiras estendidas nas sacadas dos prédios e nas janelas dos carros e, claro, vestindo os torcedores que desfilavam orgulhosos suas camisas.  Sol, sorrisos, muita chacota e confiança no acesso à Série A. O que mais os torcedores do Leão poderiam querer para um domingo? (Foto: Marina Silva/Correio)Teve torcedor que desdobrou a comemoração: o autônomo Nivaldo Souza, 58 anos, fez questão de colocar, na manhã de ontem, o uniforme também na cadelinha Nina, 5. “Todo Ba-Vi eu visto ela de Vitória. Ela assistiu ao jogo comigo”, conta.

Na casa de Nivaldo, além dos dois filhos e da cadela, o papagaio Dido também é rubro-negro. “Ele sabe até cantar o hino. Toda vez que tinha gol do Vitória, ele dava um grito. Quando falo do Bahia, ele diz ‘tô fora’”, se diverte.Helder Melo, 30 anos, com a filha Ana Luísa, 2; e Vagner Costa com o filho Matheus, 3: todo mundo de bom humor após triunfo do Vitória  (Foto: Marina Silva/Correio)Não faltam motivos para Nivaldo, Nina e Dido festejarem: o time está há seis jogos sem perder e é o segundo colocado na Série B – o Bahia é o sexto na tabela. Quem não está  nada contente com a euforia rubro-negra  na casa é a esposa de Nivaldo, a autônoma Bernadete Mendes, 55.Rubro-negra Laís Neves mostra o três do placar para o tricolor Sílvio  (Foto: Marina Silva/Correio)Ela, que é a dona do papagaio, não se conforma com a debandada do animal de estimação. “O papagaio era Bahia mas pela influência dele acabou Vitória”, conta a única tricolor da casa.

Depois de um sábado de nervosismo, o administrador Roberto Nova, 39, torcedor do Vitória, tirou o domingo para espairecer. “Fiquei pirado com o gol do Bahia. Pego ar muito fácil e quase morri do coração”, diz Roberto que descobriu ser hipertenso há dois anos e parou de acompanhar as partidas em bares. Nivaldo, segura Nina, torcedora pé-quente, ao lado da mulher Bernadete  (Foto: Marina Silva/Correio)As memórias da partida ainda estavam frescas para quem foi para a rua comemorar o triunfo do time rubro-negro. O analista de sistemas Helder Melo, 30, que viu o jogo na Fonte Nova, afirmou ter sofrido durante a partida.

“Minha pressão deve ter ido lá para cima no começo do jogo. Mas aos poucos fui me acalmando porque o Vitória dominou a partida”, afirmou ele, que comemorou com a filha Ana Luísa, 2, também rubro-negra.Melina e Roberto: com medo de o marido enfartar, ela virou Vitória (Foto: Marina Silva/Correio)Ostentando a camisa do Vitória, o analista de sistemas Vagner Costa, 32, foi com o filho Matheus, 3, e a esposa Daniele Costa, 36, caminhar pela orla da Barra. “Fico de mau humor quando o Vitória perde. Tive que trabalhar isso em mim porque a minha esposa reclamou dessa minha reação”, conta ele.

“Falei para ele: ou você muda, ou a gente se separa. Não tem como aguentar você chateado toda vez que o Vitória perder”, afirmou Daniele.Rinaldo Carneiro mostra orgulhoso o escudo do time: domingo feliz (Foto: Marina Silva/Correio)