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Maiara Baloni
Publicado em 14 de abril de 2026 às 18:25
O Banco de Brasília (BRB) está com o pé no freio. A instituição desenha um plano estratégico que deve resultar no fechamento de agências e no corte de despesas operacionais ao longo de 2026. A medida é a resposta da diretoria para reduzir gastos e tentar recuperar a saúde financeira da instituição. Em entrevista ao jornal Correio Braziliense, o presidente do banco, Nelson de Souza, confirmou que a análise é feita "unidade por unidade" e mira áreas que não têm gerado os resultados esperados. >
BRB planeja fechamento de agências em meio a esforço para recompor capital
Na prática, o que está em jogo é o mapa físico do BRB. Esse planejamento de ajustes ocorre em um cenário de forte pressão sobre o patrimônio. Recentemente, auditorias e investigações apontaram perdas bilionárias decorrentes da compra de carteiras de crédito do antigo Banco Master. O desequilíbrio obriga a gestão a adotar medidas para se reenquadrar às normas de capital do Banco Central.>
O centro da crise é o chamado "Caso Master". Estimativas do mercado indicam que o prejuízo acumulado nessas operações afetou drasticamente a capacidade de investimento do banco. Segundo as informações dadas pelo presidente, a avaliação das agências será "extremamente criteriosa", priorizando a manutenção de locais com bom volume de negócios. >
“Vamos mensurar caso a caso, sem nenhum alarde”, antecipou Nelson de Souza ao Correio Braziliense.>
Para sanar as contas, o banco também aposta na venda de ativos. Existe um projeto para negociar cerca de R$ 15 bilhões em carteiras de crédito com fundos de investimento. Se o negócio avançar, a entrada de novos recursos pode evitar que a reestruturação física precise ser ainda mais agressiva do que o planejado originalmente. O objetivo é injetar capital novo e ganhar fôlego.>
A maior preocupação recai sobre o atendimento aos servidores públicos. Como o BRB gere diversas folhas de pagamento, o banco é o endereço principal de milhares de trabalhadores que possuem salários e empréstimos consignados na instituição. O fechamento de unidades gera dúvidas sobre como será mantido o suporte presencial para essa categoria, que frequentemente utiliza o balcão para resolver questões de crédito. >
A desativação deve recair sobre agências com baixa rentabilidade ou que sofram com a sobreposição de serviços de outras unidades próximas. A ideia é enxugar sem abandonar o cliente estratégico.>
A tecnologia aparece como a saída para suprir a ausência física de algumas agências. O banco sustenta que a modernização do aplicativo e dos canais remotos pode manter o atendimento sem os custos de manutenção de um prédio físico. É uma mudança de modelo: sai a capilaridade geográfica e entra a eficiência digital. >
Mas a transição não é simples para todos. Enquanto o público jovem utiliza canais digitais com facilidade, aposentados e o funcionalismo de carreira podem sentir o impacto dos deslocamentos maiores. >