Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Amanda Cristina de Souza
Publicado em 13 de março de 2026 às 16:17
O aumento das tensões no Oriente Médio voltou a mexer com os mercados internacionais e o efeito pode chegar até o carrinho de compras do brasileiro. >
Com a escalada do conflito entre Irã e Israel, o dólar voltou a ganhar força e chegou ao patamar de R$5,27, segundo dados do portal Investing. Quando a moeda americana sobe, produtos importados e diversos insumos usados na produção de alimentos ficam mais caros.>
Na prática, isso significa que a instabilidade geopolítica pode atravessar a economia global e acabar refletindo nas prateleiras dos supermercados.>
Uma das primeiras áreas a sentir o impacto do dólar alto é a importação de alimentos e bebidas.>
De acordo com a Associação Paulista de Supermercados (APAS), produtos como azeites, vinhos, frutas importadas e conservas tendem a sofrer reajustes mais rapidamente porque seus custos estão diretamente ligados ao câmbio.>
Mas o efeito não para aí.>
Diversos insumos usados na produção de alimentos também são comprados no mercado internacional. É o caso do trigo, base de produtos como pão e massas, além de fertilizantes usados na agricultura.>
Quando o dólar sobe frente ao real, esses custos aumentam para produtores e indústrias e parte desse aumento pode chegar ao consumidor final.>
Outro fator que pode pressionar os preços vem da logística.>
Conflitos no Oriente Médio costumam afetar o mercado internacional de petróleo. Quando o preço do combustível sobe, o diesel fica mais caro e o transporte de mercadorias também encarece.>
Como grande parte dos produtos vendidos no Brasil depende de caminhões para chegar aos supermercados, o impacto tende a se espalhar por toda a cadeia de abastecimento.>
Segundo o Plano Nacional de Logística (PNL 2025), cerca de 65% do transporte de cargas no país é feito por rodovias, o que torna o custo do combustível um fator relevante na formação dos preços.>
Em entrevista à Gazeta do Povo, o economista Renan Silva, professor do Ibmec Brasília, explica que essa estrutura amplia o impacto no Brasil.>
Renan Silva
Professor do Ibmec BrasíliaA própria APAS estima que uma desvalorização mais forte do real pode acrescentar até 0,7 ponto percentual à inflação anual, dependendo da velocidade com que os custos são repassados ao consumidor.>
Apesar da pressão do dólar, alguns alimentos básicos apresentaram queda recente de preços.>
No varejo paulista, por exemplo, dados do Índice de Preços dos Supermercados (IPS), calculado pela APAS em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), mostram que arroz e feijão acumulam queda de 18,24% em 12 meses.>
O leite também registrou redução de preços no período, com recuo de 15,31%, movimento associado ao aumento da oferta no mercado.>
Entre os óleos, o óleo de soja apresentou queda recente e o azeite de oliva também começa a recuar após a recuperação da produção na Europa.>
Por outro lado, alguns itens continuam pressionando o orçamento das famílias.>
A carne bovina subiu 1,73% em janeiro e acumula alta de 4,04% em um ano, movimento ligado ao crescimento das exportações brasileiras.>
Produtos industrializados também seguem em alta. Café, chocolates, chás e alimentos prontos registram inflação de 4,39% em 12 meses. O café, mesmo após um recuo recente, ainda acumula alta de 24,31% no período, segundo o levantamento.>
Em um cenário de dólar pressionado e possíveis reajustes de alimentos, especialistas recomendam alguns ajustes no planejamento doméstico.>
Entre as estratégias mais indicadas estão:>
Outras medidas simples também ajudam a aliviar o orçamento, como reduzir o desperdício de alimentos, preparar mais refeições em casa e revisar gastos recorrentes.>
Especialistas também recomendam acompanhar indicadores divulgados pelo Banco Central e manter uma reserva de emergência para enfrentar períodos de maior instabilidade econômica.>
Diante de tensões internacionais e dólar pressionado, planejamento e consumo consciente se tornam aliados importantes para manter o equilíbrio das contas domésticas.>