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Do dólar a R$ 5,27 ao preço do pão: como a tensão no Oriente Médio pode chegar ao seu carrinho de supermercado

Conflito entre Irã e Israel pressiona o câmbio, encarece insumos e pode afetar desde massas até carnes; veja como proteger o orçamento em 2026

  • Foto do(a) author(a) Amanda Cristina de Souza
  • Amanda Cristina de Souza

Publicado em 13 de março de 2026 às 16:17

Pesquisar e substituir marcas seguem como as ferramentas mais eficazes para o consumidor driblar a inflação sazonal em 2026.
Pesquisar e substituir marcas seguem como as ferramentas mais eficazes para o consumidor driblar a inflação sazonal em 2026. Crédito: Andrea Bova, Pexels

O aumento das tensões no Oriente Médio voltou a mexer com os mercados internacionais e o efeito pode chegar até o carrinho de compras do brasileiro.

Com a escalada do conflito entre Irã e Israel, o dólar voltou a ganhar força e chegou ao patamar de R$5,27, segundo dados do portal Investing. Quando a moeda americana sobe, produtos importados e diversos insumos usados na produção de alimentos ficam mais caros.

Na prática, isso significa que a instabilidade geopolítica pode atravessar a economia global e acabar refletindo nas prateleiras dos supermercados.

Do trigo ao azeite , o por quê do dólar pesar no preço da comida

Uma das primeiras áreas a sentir o impacto do dólar alto é a importação de alimentos e bebidas.

De acordo com a Associação Paulista de Supermercados (APAS), produtos como azeites, vinhos, frutas importadas e conservas tendem a sofrer reajustes mais rapidamente porque seus custos estão diretamente ligados ao câmbio.

Mas o efeito não para aí.

Diversos insumos usados na produção de alimentos também são comprados no mercado internacional. É o caso do trigo, base de produtos como pão e massas, além de fertilizantes usados na agricultura.

Quando o dólar sobe frente ao real, esses custos aumentam para produtores e indústrias e parte desse aumento pode chegar ao consumidor final.

Guerra também pesa no frete e no preço dos alimentos

Outro fator que pode pressionar os preços vem da logística.

Conflitos no Oriente Médio costumam afetar o mercado internacional de petróleo. Quando o preço do combustível sobe, o diesel fica mais caro e o transporte de mercadorias também encarece.

Como grande parte dos produtos vendidos no Brasil depende de caminhões para chegar aos supermercados, o impacto tende a se espalhar por toda a cadeia de abastecimento.

Segundo o Plano Nacional de Logística (PNL 2025), cerca de 65% do transporte de cargas no país é feito por rodovias, o que torna o custo do combustível um fator relevante na formação dos preços.

Em entrevista à Gazeta do Povo, o economista Renan Silva, professor do Ibmec Brasília, explica que essa estrutura amplia o impacto no Brasil.

“Nossa matriz de transporte é majoritariamente rodoviária. Como consequência, há elevação do preço do frete e das mercadorias que chegam ao consumidor final”

Renan Silva

Professor do Ibmec Brasília

A própria APAS estima que uma desvalorização mais forte do real pode acrescentar até 0,7 ponto percentual à inflação anual, dependendo da velocidade com que os custos são repassados ao consumidor.

O que já caiu de preço e o que ainda aperta o bolso

Apesar da pressão do dólar, alguns alimentos básicos apresentaram queda recente de preços.

No varejo paulista, por exemplo, dados do Índice de Preços dos Supermercados (IPS), calculado pela APAS em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), mostram que arroz e feijão acumulam queda de 18,24% em 12 meses.

O leite também registrou redução de preços no período, com recuo de 15,31%, movimento associado ao aumento da oferta no mercado.

Entre os óleos, o óleo de soja apresentou queda recente e o azeite de oliva também começa a recuar após a recuperação da produção na Europa.

Por outro lado, alguns itens continuam pressionando o orçamento das famílias.

A carne bovina subiu 1,73% em janeiro e acumula alta de 4,04% em um ano, movimento ligado ao crescimento das exportações brasileiras.

Produtos industrializados também seguem em alta. Café, chocolates, chás e alimentos prontos registram inflação de 4,39% em 12 meses. O café, mesmo após um recuo recente, ainda acumula alta de 24,31% no período, segundo o levantamento.

Como proteger o orçamento no supermercado

Em um cenário de dólar pressionado e possíveis reajustes de alimentos, especialistas recomendam alguns ajustes no planejamento doméstico.

Entre as estratégias mais indicadas estão:

  • priorizar produtos nacionais e da estação, menos expostos ao câmbio;
  • substituir marcas tradicionais por marcas próprias dos supermercados;
  • organizar as compras com listas e promoções;
  • recorrer aos atacarejos para compras em maior volume.

Outras medidas simples também ajudam a aliviar o orçamento, como reduzir o desperdício de alimentos, preparar mais refeições em casa e revisar gastos recorrentes.

Especialistas também recomendam acompanhar indicadores divulgados pelo Banco Central e manter uma reserva de emergência para enfrentar períodos de maior instabilidade econômica.

Diante  de tensões internacionais e dólar pressionado, planejamento e consumo consciente se tornam aliados importantes para manter o equilíbrio das contas domésticas.

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Dinheiro Guerra Dólar