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Carmen Vasconcelos
Publicado em 23 de fevereiro de 2026 às 06:00
O mercado de trabalho na Bahia está em plena metamorfose. Se antes o diploma era o ponto final da qualificação, em 2026, ele é apenas o ponto de partida. Uma pesquisa recente da Catho acende o alerta: flexibilidade, tecnologia e bem-estar são os pilares que definem as contratações agora. Mas como essa tendência se traduz na prática para quem busca uma vaga em Salvador ou no interior do estado? >
Para Eduardo Murin, COO do CNA+, esses sinais já são realidade de ponta a ponta na Bahia. "A digitalização acelerou em setores tradicionais como comércio, turismo e educação. Vemos empresas de todos os tamanhos adotando automação e inteligência artificial", afirma. >
Segundo o executivo, o trabalho híbrido também abriu portas para que profissionais baianos disputem vagas globais, o que elevou a linha de corte da qualificação. >
Um dos exemplos mais claros dessa reinvenção está no Sul da Bahia. O polo turístico, hoje um dos mais sofisticados do mundo, tornou-se um laboratório de novas competências. "Hotéis, beach clubs e restaurantes demandam formação sólida e domínio de línguas estrangeiras, mas também familiaridade com sistemas complexos de gestão e reservas", pontua Murin. >
Essa necessidade de atualização não se restringe à alta hotelaria; ela atinge desde o setor administrativo até o comércio de bairro, onde o atendimento digital e a agilidade tecnológica tornaram-se requisitos básicos. >
Base tripla >
Para garantir a relevância no mercado de trabalho em 2026, o profissional deve estruturar sua carreira sobre uma tríade essencial de competências, conforme aponta o especialista. >
O primeiro pilar é a tecnologia, que hoje vai muito além do setor de TI para se consolidar como um "letramento digital" obrigatório em qualquer função. >
Complementando essa base técnica, os idiomas surgem como uma ferramenta estratégica indispensável, funcionando como uma ponte que conecta desde profissionais autônomos até pequenos negócios locais a fornecedores e clientes em um cenário globalizado.>
Por fim, o diferencial competitivo reside nas habilidades comportamentais, as chamadas soft skills. Em processos seletivos onde os candidatos apresentam formações técnicas equivalentes, a postura, a inteligência emocional e a capacidade de aprender rápido — a adaptabilidade — tornaram-se os principais critérios de desempate, definindo quem está realmente pronto para evoluir junto com as empresas.>
Reposicionamentos>
A ideia de que a formação termina na formatura é o maior erro de quem tenta se reposicionar. Murin defende a educação continuada, através de cursos de curta e média duração. "Eles permitem aprendizado prático e aplicação imediata. É a estratégia ideal para quem precisa de resultados rápidos sem ficar longos períodos fora do mercado", explica. >
Reinventar-se profissionalmente deixou de ser um movimento de risco para se tornar uma estratégia de sobrevivência e inteligência no mercado de trabalho atual. Seja por insatisfação, desemprego ou pela simples percepção de que a tecnologia transformou o setor de atuação, a transição de carreira é o grande tema de 2026. >
No entanto, o sucesso dessa jornada depende menos de impulsividade e muito mais de um roteiro prático bem executado. De acordo com Eduardo Murin, o primeiro passo para qualquer mudança bem-sucedida é o diagnóstico honesto. O profissional deve encarar o próprio currículo com um olhar clínico, listando as habilidades que já possui e, principalmente, identificando os "gaps" — as lacunas de conhecimento — em relação ao cargo que deseja ocupar. >
Esse inventário pessoal é o que impede que o trabalhador navegue à deriva em um mar de incertezas.Com as lacunas identificadas, entra em cena o foco no objetivo. Um erro comum em momentos de transição é a "obesidade mental": o consumo desenfreado de cursos aleatórios que não se conectam a uma meta clara. >
Murin alerta que o tempo e o investimento devem ser direcionados a capacitações que conversem diretamente com o novo setor. Escolher o aprendizado certo é tão importante quanto decidir o que não estudar.>
Por fim, a transição exige uma mudança de mentalidade sobre o tempo. A regra de ouro é não esperar a crise chegar. Antecipar-se às mudanças tecnológicas e às flutuações do mercado é um sinal de maturidade.>
Check list da Reinvenção>
Mapeamento de Competências Liste suas cinco principais habilidades técnicas e comportamentais>
Análise de Mercado Pesquise três vagas dos seus sonhos e anote quais requisitos você ainda não preenche (os "gaps")>
Funil de Aprendizado Selecione apenas um curso ou certificação que ataque diretamente sua maior lacuna de conhecimento.>
Networking Estratégico Conecte-se com três pessoas que já atuam na área desejada para entender os desafios do dia a dia>
Reserva de Contingência Calcule o tempo necessário para sua transição e planeje-se financeiramente para o período de adaptação>
Atualização Digital Adeque seu currículo e seu LinkedIn, destacando habilidades transferíveis da carreira anterior.>