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Malha Oeste: governo lança edital para destravar ferrovia e reduzir o Custo Brasil

Projeto mira escoamento de grãos e minério, mas enfrenta dúvidas sobre demanda, investimentos e interesse do mercado

  • Foto do(a) author(a) Amanda Cristina de Souza
  • Amanda Cristina de Souza

Publicado em 23 de abril de 2026 às 15:51

O projeto é a grande aposta para reduzir o Custo Brasil e provar que o modal ferroviário pode, enfim, voltar a crescer com força.
O projeto é a grande aposta para reduzir o Custo Brasil e provar que o modal ferroviário pode, enfim, voltar a crescer com força. Crédito: Pexels, iamabdullahsheik

O governo se prepara para publicar no dia 26 de abril o edital da Malha Oeste, em uma tentativa de destravar uma das concessões ferroviárias mais simbólicas da carteira federal e recolocar o modal ferroviário no centro da logística nacional. A iniciativa, conduzida pelo Ministério dos Transportes, marca mais uma aposta na retomada de projetos de grande porte, após um período de baixa atratividade e dificuldade para atrair capital privado ao setor.

A estratégia mira reduzir gargalos logísticos e pressionar o Custo Brasil, com impacto direto sobre o escoamento de commodities como grãos, celulose e minério de ferro.

Trechos da obra por Divulgação

A aposta nos trilhos: o plano para transformar o coração logístico do país

A Malha Oeste volta ao centro do debate como um ativo estratégico para o escoamento da produção no Centro-Oeste, mas ainda cercada de incertezas que pesam sobre sua viabilidade.

A principal dúvida recai sobre a capacidade de sustentar um fluxo constante de cargas, ponto visto como sensível por economistas que acompanham o setor. A forte dependência de commodities cíclicas, como soja e minério de ferro, mantém o projeto exposto às oscilações de preços internacionais e ao ritmo da atividade agrícola e mineral.

O histórico de subutilização da ferrovia reforça a cautela do mercado. Sem contratos de longo prazo com embarcadores ou garantias mínimas de volume, cresce o risco de desempenho abaixo do esperado nos primeiros anos da concessão.

A concorrência com o transporte rodoviário segue como outro obstáculo relevante. Mesmo com a proposta de ganho logístico, os caminhões ainda dominam boa parte da matriz de transporte, o que dificulta uma migração imediata e consistente de cargas para os trilhos.

O peso dos altos investimentos para modernizar a via

A reativação da Malha Oeste depende de investimentos bilionários em infraestrutura, com recuperação de trilhos, modernização operacional e recomposição de trechos degradados.

O volume de CAPEX, que se refere ao investimento necessário para construção e modernização da infraestrutura, surge como uma das principais barreiras para atrair capital privado e viabilizar o projeto em escala.

Segundo Carlos Henrique Junior, CEO da Sttart Pay, a estruturação da concessão depende de um contrato robusto, com mecanismos de mitigação de risco, previsibilidade de demanda e regras claras de reequilíbrio econômico-financeiro.

Em um cenário de juros elevados, o custo de capital reduz o apetite do investidor e amplia a sensibilidade do projeto a qualquer incerteza operacional.

A previsibilidade para dar confiança e proteção a quem investe

A previsibilidade regulatória ganha papel central no sucesso do edital.

Mudanças contratuais, revisões tarifárias e critérios de reequilíbrio têm impacto direto sobre o retorno esperado e sobre a percepção de risco dos investidores.

Especialistas em infraestrutura apontam que o desempenho da Malha Oeste está menos ligado ao potencial físico e mais à capacidade de consolidar um ambiente estável, com regras claras e segurança jurídica.

Sem esse arcabouço, a tendência é de adesão limitada ao projeto, especialmente em um ativo que carrega histórico de incertezas no mercado.

Malha Oeste como bússola para o futuro das ferrovias

O projeto é visto como um dos primeiros testes da nova estratégia do governo para destravar concessões e ampliar o pipeline de investimentos em logística.

A resposta do mercado ao edital deve ter impacto direto sobre os próximos projetos da carteira.

Uma participação mais robusta tende a sinalizar confiança e abrir espaço para novos leilões. Já um resultado mais fraco pode elevar o prêmio de risco e influenciar negativamente futuras modelagens.

Modelo contratual é peça-chave para destravar o projeto

O avanço da Malha Oeste, portanto, depende menos do potencial logístico em si e mais da capacidade de transformar esse potencial em um modelo contratual sólido, com previsibilidade, segurança regulatória e estrutura de risco compatível com o capital privado. Sem esse alinhamento, a reativação tende a enfrentar dificuldade para sair do papel com a escala e a velocidade esperadas pelo mercado.