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Amanda Cristina de Souza
Publicado em 21 de abril de 2026 às 15:52
Brasília é conhecida como uma cidade-parque. Muito verde, largas áreas abertas e a imagem de uma capital planejada para conviver com a natureza. Mas essa fotografia muda bastante quando o olhar sai do Plano Piloto e chega a regiões como Ceilândia, Samambaia, Gama e Estrutural.
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Neste 21 de abril, data em que a capital completa 66 anos, o contraste revela que a sombra no Distrito Federal tem endereço certo. O fenômeno levanta uma discussão que vem ganhando força entre pesquisadores e urbanistas: o racismo ambiental, que trata das desigualdades na distribuição de infraestrutura e benefícios ambientais nas cidades.
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Racismo ambiental | Brasília
Dados consolidados pelo IPEDF (antigo Codeplan) mostram que a cobertura verde não é equilibrada e se concentra nas regiões mais ricas e centrais. O resultado aparece no dia a dia. Quem mora no Plano Piloto convive com mais conforto térmico e espaços de convivência. Já nas periferias, a paisagem urbana é mais dura, com menos árvores e maior exposição ao calor.
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A origem dessa desigualdade não é recente. Especialistas lembram que a formação de Brasília ajudou a consolidar essa divisão territorial. Trabalhadores que participaram da construção da capital foram deslocados para cidades-satélites que nasceram com menos infraestrutura e menor planejamento ambiental. Com o tempo, o verde urbano se consolidou principalmente nas áreas centrais, enquanto as periferias cresceram de forma acelerada e com menos cuidado vegetal.
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A ausência de árvores vai muito além da estética. Ela influencia diretamente a temperatura das ruas e a qualidade do ar. Sem arborização suficiente, o calor se intensifica e os espaços públicos perdem atratividade. Especialistas apontam que essa diferença reforça desigualdades já existentes e impacta diretamente a saúde.
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No Gama, o professor Jean afirma que o cenário passa sensação de abandono ao dizer que falta poda e cuidado básico com os espaços públicos. A educadora social Thays Camila destaca o contraste com o centro ao relatar que não há espaços adequados para lazer e que a diferença na arborização é evidente.
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Diante da escassez de ações estruturadas, iniciativas locais surgem como alternativa. No Gama, o projeto Tempo de Plantar reúne moradores em ações de reflorestamento urbano e recuperação de áreas degradadas desde 2019. A líder comunitária Cleusa Maria sintetiza o espírito da iniciativa: "Quem planta árvore, planta água".
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O governo do Distrito Federal afirma que a revisão do Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT) coloca a justiça ambiental como prioridade. Entre as propostas estão a ampliação da cobertura vegetal em áreas mais vulneráveis e o incentivo à agricultura urbana. Também há previsão de mecanismos como o IPTU Sustentável para estimular práticas ambientais em regiões afetadas pela desigualdade urbana.
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Especialistas defendem que enfrentar o problema exige planejamento de longo prazo. Sem políticas permanentes de arborização, Brasília segue dividida em duas paisagens. No fim, a sombra que falta em muitas ruas expõe algo maior do que o urbanismo. Revela quem, de fato, ainda tem mais acesso ao direito de viver uma cidade mais fresca, saudável e equilibrada.
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