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Brasil no limite: plano de Lula para dívidas foca no alívio imediato, mas ignora o rombo nas contas públicas

Com inadimplência recorde e dívida bruta perto de 80% do PIB, governo aposta no uso do FGTS para limpar nomes

  • Foto do(a) author(a) Maiara Baloni
  • Maiara Baloni

Publicado em 21 de abril de 2026 às 06:01

Brasília (DF), 16/03/2026 - O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, recebe o presidente do Estado Plurinacional da Bolívia, Rodrigo Paz, no Palácio do Planalto. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
 A principal aposta do Palácio do Planalto para aliviar a pressão nas famílias é o chamado "Desenrola 2.0". O plano prevê a liberação de R$ 17 bilhões do FGTS. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Brasil enfrenta em 2026 um cenário de asfixia financeira que atinge tanto o governo quanto o cidadão comum. De um lado, a dívida pública bruta saltou para 78,7% do PIB, impulsionada por gastos elevados e pelo custo dos juros. Do outro, 81 milhões de brasileiros começaram o ano sem conseguir pagar suas contas básicas.

Nesse contexto, o governo federal tenta acelerar medidas de socorro, mas a estratégia levanta um questionamento central entre economistas: o país está de fato resolvendo o problema ou apenas adiando uma crise maior?

Dinheiro por Shutterstock

A engrenagem dos juros e o gasto público

A trajetória do endividamento público brasileiro não mostra sinais de recuo. De acordo com o Banco Central, o maior vilão da dívida hoje não é apenas o que o governo gasta diretamente, mas o custo para manter esses compromissos. Os juros nominais foram responsáveis pela quase totalidade do crescimento da dívida em 2025, criando um efeito de "bola de neve" que o Tesouro Nacional projeta chegar a 83,6% do PIB até o fim deste ano.

A divergência entre o Ministério da Fazenda e o mercado financeiro é profunda. Enquanto o governo atribui o cenário à Selic elevada, analistas independentes argumentam que os juros permanecem altos justamente porque o Estado não sinaliza um controle rigoroso sobre despesas obrigatórias. Sem superávits reais para abater a dívida, a confiança do investidor cai, forçando o Banco Central a manter as taxas lá no alto para conter a inflação.

FGTS como moeda de troca para o consumo

A principal aposta do Palácio do Planalto para aliviar a pressão nas famílias é o chamado "Desenrola 2.0". O plano prevê a liberação de R$ 17 bilhões do FGTS para refinanciar dívidas de cartão de crédito e cheque especial, com descontos que podem chegar a 80%. O público-alvo são os trabalhadores que ganham até cinco salários mínimos, grupo que mais sofre com o comprometimento da renda.

Embora o alívio no CPF seja celebrado por quem consegue limpar o nome, o uso do fundo gera críticas técnicas. Em entrevista à CNN, a professora de economia do Insper, Juliana Inhasz, apontou o risco de se utilizar o "colchão de segurança" do trabalhador para quitar dívidas de consumo. Para especialistas em finanças, o uso recorrente do fundo para apagar incêndios financeiros pode deixar o cidadão desamparado em caso de demissão e, no longo prazo, reduzir drasticamente os recursos destinados ao financiamento da casa própria.

O desafio de enfrentar as causas estruturais

A crítica mais contundente ao atual modelo é que ele foca nos sintomas, e não na doença. Para nomes como Fabio Giambiagi, da FGV, o governo prioriza medidas de impacto popular e imediato, essenciais em anos de decisão política, mas evita o desgaste de reformas estruturais. O déficit primário, que somou R$ 63 bilhões em 2025, mostra que o Estado ainda gasta mais do que arrecada, mesmo com o aumento da arrecadação.

Sem um ajuste que limite o crescimento das despesas obrigatórias e da previdência, o Brasil corre o risco de ficar preso em um ciclo vicioso. O paliativo de hoje devolve o crédito ao consumidor, mas o desequilíbrio das contas públicas amanhã mantém o custo de vida alto e o crescimento econômico travado. O desafio de 2026 é provar que o país pode ir além do socorro emergencial e construir uma rota de solvência que não dependa apenas de soluções temporárias.

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Lula Brasil Fgts