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Maiara Baloni
Publicado em 17 de março de 2026 às 12:55
Ir ao supermercado em 2026 exige mais do que uma lista na mão; exige tática. Com a inflação de alimentos pressionando o orçamento das famílias brasileiras, o planejamento tornou-se um mecanismo de defesa essencial para tentar reduzir o valor total da nota fiscal em até 30%. O desafio atual não é apenas comer menos, mas encontrar formas de comprar melhor e desviar das armadilhas de marketing que elevam o valor final da compra. >
Estratégias para enfrentar a alta de preços sem perder a qualidade na mesa
Diante de um cenário onde o salário muitas vezes não acompanha o ritmo das prateleiras, o planejamento é a principal ferramenta de contenção de danos. Especialistas indicam que compras feitas por impulso ou sem um roteiro definido podem encarecer a conta em até 20%.>
É preciso estar atento ao que os especialistas chamam de "ciladas de gôndola", que aproveitam o momento de incerteza econômica para induzir gastos desnecessários. O especialista em vendas e CEO do Grupo Zarb Cosméticos, Rodrigo Galatti, faz um alerta importante: “Preços muito abaixo do mercado devem acender um alerta. O principal cuidado é desconfiar de preços muito agressivos, especialmente quando estão muito abaixo do valor normalmente praticado”, afirma. >
Sérgio Czajkowski Junior, professor e consultor de marketing, reforça que o ambiente do mercado é projetado para estimular o consumo acima do planejado. “O ponto de atenção deve ser o chamado remorso pós-compra, quando o consumidor percebe que o produto não era realmente necessário. Promoções relâmpago estimulam compras impulsivas”, explica. Outro ponto crítico é a reduflação, quando o peso da embalagem diminui, mas o preço permanece o mesmo, camuflando a alta real para o bolso do consumidor.>
A necessidade de o brasileiro ser "estrategista" no supermercado reflete um histórico de instabilidade econômica. Se nas décadas de 80 e 90 a batalha era contra a remarcação diária de preços, em 2026 o desafio é o descompasso entre o custo de produção e o rendimento médio das famílias. >
A inflação atual é impulsionada por fatores globais e logísticos, mantendo itens básicos como feijão e arroz em patamares que sufocam o orçamento doméstico. Nesse cenário, o uso de dados em tempo real e a busca por mercados mais segmentados não são sinais de uma nova era de consumo, mas sim a resposta necessária de uma população que precisa, mais uma vez, se adaptar para garantir o essencial na mesa.>