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O fim da casa própria? Por que a classe média brasileira virou refém do aluguel

Com juros altos e crédito seletivo, número de domicílios alugados dá salto histórico e atinge 19 milhões no país

  • Foto do(a) author(a) Maiara Baloni
  • Maiara Baloni

Publicado em 14 de maio de 2026 às 06:35

Com crédito mais caro, comprar ou continuar no aluguel virou uma conta ainda mais delicada
Com financiamento mais difícil, Brasil soma 19 milhões de domicílios alugados e muda perfil do mercado imobiliário. Crédito: Freepik

O sonho da casa própria tem enfrentado um obstáculo financeiro sem precedentes em 2026. Dados da PNAD Contínua do IBGE revelam que o Brasil já soma 19 milhões de domicílios alugados, um avanço expressivo de 55% em apenas dez anos. Esse movimento reflete um cenário onde o financiamento imobiliário tornou-se mais restrito e seletivo, transformando o aluguel em uma solução permanente para milhões de famílias que aguardam condições mais favoráveis.

O avanço de 55% no mercado de locação reflete a dificuldade de acesso ao crédito imobiliário em 2026. Rafa Neddermeyer/Agência Brasil por AGENCIA BRASIL

A entrada e o custo dos juros

Atualmente, o maior desafio para quem deseja comprar um imóvel não é apenas a prestação, mas o montante necessário para a entrada. Com a Selic mantida em patamares elevados, as instituições financeiras aumentaram as exigências, solicitando frequentemente até 30% do valor total do bem.

Na prática, para uma unidade padrão de R$ 500 mil, o comprador precisa desembolsar cerca de R$ 150 mil de imediato. Somado a isso, as taxas médias do crédito livre para pessoas físicas atingiram níveis que corroem a capacidade de endividamento, excluindo quase 800 mil famílias do mercado de compra nos últimos anos.

Pressão sobre o aluguel em Salvador

Esse excedente de pessoas que não conseguem financiar acaba transbordando para o mercado de locação, o que gera uma pressão direta nos preços. Na Bahia, Salvador acompanha a tendência nacional de valorização real. O custo do metro quadrado para novos contratos na capital baiana tem subido acima dos índices oficiais de inflação, como o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado). O fenômeno revela um descolamento severo: enquanto contratos antigos seguem reajustes moderados, os preços de "entrada" para novos inquilinos seguem em escalada.

A ascensão do modelo "multifamily"

A dependência do aluguel atinge seu ápice enquanto o percentual de residências quitadas declina. Imóveis próprios já pagos representavam 66,8% do total em 2016, caindo para 61,6% em levantamentos recentes.

Essa mudança de comportamento força o mercado a se adaptar através do modelo multifamily, voltado para prédios inteiros operados por empresas exclusivamente para aluguel. O crescimento de casais sem filhos e de pessoas morando sozinhas acelera essa mudança, e a locação deixa de ser uma fase passageira para se tornar parte estrutural da vida nas cidades brasileiras. Com o custo de oportunidade alto para os bancos e o crédito seletivo, morar de aluguel vira o novo limite patrimonial da classe média.

Tags:

Brasil Economia Selic Aluguel