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O que existe por dentro do Congresso vai muito além das cúpulas

Túneis, obras de arte, acervo diplomático e marcas do 8 de janeiro revelam bastidores pouco visíveis do principal símbolo do poder em Brasília

  • Foto do(a) author(a) Maiara Baloni
  • Maiara Baloni

Publicado em 14 de abril de 2026 às 06:00

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As "torres gêmeas" que escondem uma cidade subterrânea e o nome de um presidente esquecido Crédito: Ana Volpe/Senado Federal

Reconhecido mundialmente pela silhueta de suas torres e cúpulas, o Congresso Nacional é um dos principais marcos políticos e arquitetônicos do Plano Piloto. Projetado por Oscar Niemeyer, com cálculos estruturais de Joaquim Cardozo, o conjunto é tombado como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco e abriga detalhes que vão da engenharia de vanguarda a uma logística subterrânea pouco visível ao público.

As "torres gêmeas" que escondem uma cidade subterrânea e o nome de um presidente esquecido por Wikipédia

O nome oficial e a inauguração de Brasília

Embora a denominação Congresso Nacional seja a mais difundida, o nome Palácio Nereu Ramos refere-se à sede da Câmara dos Deputados dentro do conjunto. A escolha homenageia o político catarinense que presidiu a Câmara e o Senado na condição de vice-presidente da República, além de ter ocupado a Presidência da República entre 1955 e 1956.

Coube a Nereu Ramos, em meio a intensas tensões políticas, exercer a Presidência da República em um período de transição institucional. A transferência da capital para o Centro-Oeste já estava prevista na Constituição e foi implementada posteriormente no governo de Juscelino Kubitschek, responsável pela construção de Brasília e pela consolidação do projeto.

A funcionalidade das cúpulas do Congresso e a engenharia de Joaquim Cardozo

O prédio é composto por duas semiesferas que abrigam os plenários das Casas Legislativas. Essa disposição, pensada no projeto original, organiza a função de cada órgão: a cúpula voltada para cima é a sede do Senado Federal; já a cúpula invertida pertence à Câmara dos Deputados. As formas são frequentemente associadas à ideia de abertura para a pluralidade de vozes, no caso da cúpula convexa, e a um ambiente de revisão e equilíbrio, no caso da estrutura invertida.

Para viabilizar essas formas, Joaquim Cardozo desenvolveu cálculos que permitiram o uso de cascas de concreto armado com espessuras mínimas. As torres centrais, com 28 andares, seguem uma lógica simétrica, com formas idênticas e alinhadas no eixo do projeto. Já as cúpulas, distintas entre si, introduzem um contraponto formal que rompe a repetição e confere dinamismo à composição, preservando a harmonia do monumento no Eixo Monumental.

A logística subterrânea do Congresso e a conexão entre os anexos

A estrutura do Legislativo se estende para além do que é visto na Praça dos Três Poderes. O conjunto é interconectado a diversos blocos anexos por meio de uma rede de túneis de circulação. Um dos principais eixos internos, conhecido nos bastidores como Corredor do H, é utilizado por parlamentares, servidores e prestadores de serviço para acessar plenários e comissões sem a necessidade de circulação pelas áreas externas.

Nesses pavimentos inferiores, encontram-se setores administrativos, gráficas e áreas de suporte técnico. Essa organização permite que a movimentação política ocorra de forma integrada, sustentando a rotina dos 513 deputados e 81 senadores que utilizam o complexo ao longo das atividades legislativas.

Arte e acervo histórico no Congresso

O projeto arquitetônico previu a integração de obras de arte diretamente aos elementos construtivos. O conjunto abriga murais de azulejos de Athos Bulcão, vitrais de Marianne Peretti e esculturas de Alfredo Ceschiatti. O Salão Verde e o Salão Azul, áreas de recepção, contam com mobiliário de design nacional e tapetes fabricados sob medida para as dimensões dos espaços.

Além das obras fixas, existe um acervo de presentes protocolares recebidos de comitivas estrangeiras. Esses objetos, que variam de pratarias a peças de artesanato de luxo, integram o patrimônio institucional e são exibidos em espaços expositivos do Congresso, servindo como registro das relações diplomáticas do Brasil ao longo das décadas.

Restauro preserva a memória do Congresso

A manutenção do patrimônio ganhou novas etapas após os eventos de 8 de janeiro de 2023. No Senado, os custos iniciais de reparos de engenharia foram estimados em R$ 829 mil, englobando a reposição de vidros blindados e o restauro de tapeçarias históricas.

Ao transformar o restauro em parte integrante do roteiro de visitas, o Congresso faz com que o ataque de 8 de janeiro deixe de ser apenas um trauma isolado e passe a ser interpretado como parte da memória institucional do prédio. O trabalho buscou preservar as características originais do edifício, inaugurado em 1960, reforçando o projeto de Niemeyer para as futuras gerações.

Tags:

Brasil Congresso Nacional