Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Matheus Marques
Publicado em 17 de março de 2026 às 21:55
A economia brasileira vive uma contagem regressiva ditada pelos conflitos no Oriente Médio. A disparada do petróleo tipo Brent, que se aproximou dos US$ 120 em momentos recentes de tensão internacional, colocou a Petrobras e o Ministério da Fazenda em uma encruzilhada estratégica. O desafio é hercúleo: como absorver a alta internacional sem repassar o choque para o setor produtivo e para o prato do trabalhador?
>
O nó da questão está na defasagem. Segundo a Abicom, a diferença entre o preço interno e o internacional atingiu níveis críticos em levantamentos recentes, chegando a cerca de 85% no diesel e 49% na gasolina. Embora a estatal tenha abandonado a paridade direta de importação (PPI), manter os preços represados por muito tempo pode custar caro. Estima-se que a companhia perca US$ 300 milhões para cada US$ 10 de alta sustentada do barril sem repasse.
>
Para Rogério Ceron, secretário do Tesouro Nacional, o cenário ainda é de incerteza controlável. Ele aponta a valorização do real como um fator de mitigação: “A princípio, não tem um efeito relevante neste primeiro momento se o petróleo ficar nesse patamar, dada a apreciação cambial”, pontuou em evento recente.
>
O risco real é a consolidação do barril em patamares elevados. Como o Brasil é um país essencialmente rodoviário, o óleo diesel tem papel central na dinâmica da inflação. Diante de tensões recentes no Estreito de Ormuz, uma eventual ameaça de fechamento pode impor à logística nacional um choque de custos que o câmbio sozinho não conseguirá segurar. O futuro imediato da estabilidade econômica em 2026 repousa, portanto, em um equilíbrio frágil entre a diplomacia internacional e a resiliência da nossa moeda.
>