Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Donaldson Gomes
Publicado em 5 de março de 2026 às 05:00
A guerra no seu bolso >
O conflito entre a coalizão formada por Estados Unidos e Israel contra o Irã vai pesar no bolso dos consumidores no mundo inteiro. A guerra interrompeu o fluxo de navios petroleiros no Estreito de Ormuz, controlado pelo Irã, por cinco dias e já levou a uma alta na cotação do petróleo, de US$ 65 para US$ 80 por barril. Na última segunda-feira (dia 2), as notícias eram de que já haviam 150 navios carregados que não conseguiam deixar o Golfo Pérsico e outros 100 que aguardavam condições de adentrar na área responsável por escoar 20% da produção mundial. De lá para cá, os ataques se ampliaram e Trump projetou uma operação de, pelo menos, quatro semanas. O general Ebrahim Jabari, da Guarda Revolucionária do Irã, disse que o país fará a cotação passar dos US$ 200, com o fechamento de Ormuz. Trump respondeu com a ideia de escoltar as embarcações que entram ou saem do Golfo, por “um preço muito razoável”. O Catar, responsável por 20% do gás mundial, anunciou uma pausa na produção. A Arábia Saudita fechou temporariamente a sua maior refinaria, enquanto o Iraque reduziu a produção de petróleo. >
Custo de vida>
Os efeitos esperados por conta do conflito passam por uma pressão inflacionária – tanto pela alta nos preços de combustíveis, quanto pelo repasse aos demais produtos dos custos de transportes. Mas tem ainda uma outra questão: o impacto sobre o refino privado dos derivados de petróleo, que aqui na Bahia é feito por empresas como Acelen, Brasil Refino e Dax Oil. Enquanto operam por regras de mercado, repassando altas e reduções na cotação do óleo no mercado internacional, a Petrobras segue praticando preços abaixo da paridade de importação (PPI). Evaristo Pinheiro, presidente da RefinaBrasil, associação dos refinadores privados, diz que a atividade opera em um ambiente de alta incerteza e forte pressão. Além de uma reorganização dos fluxos energéticos, que podem dificultar o acesso às importações, refinarias privadas e da Petrobras possuem paradas de manutenção relevantes nos próximos meses, calcula. Isso coloca o país numa encruzilhada: "o Brasil não é autossuficiente em derivados, especialmente em diesel, e depende de importações para atender à demanda". Por outro lado, "os preços atualmente praticados pela Petrobras encontram-se abaixo da PPI, o que desestimula a atuação dos importadores". Ele cita como exemplos, o diesel, que está com 23,9% de defasagem, e a gasolina, abaixo 8,8%. O risco é de escassez e desabastecimento, diz. >
Petrobras>
A Petrobras, por sua vez, diz que monitora diariamente o mercado internacional e está atenta aos “seus possíveis desdobramentos para o mercado brasileiro”. Em comunicado, a empresa pública diz ter como premissas a “prática de preços competitivos com as principais alternativas de suprimento e o não repasse da volatilidade externa para os preços internos”. A Petrobras diz que a sua política de preços proporciona estabilidade para os seus clientes. “Essa prática é especialmente importante em momentos de alta volatilidade, como o que vivemos agora”, destaca, informando ainda que “não antecipa decisões sobre manutenção ou reajuste de preços”. Então tá. >
Ação preocupante>
A ação da CBPM contra a venda da Equinox Gold na Bahia para a multinacional chinesa CMOC é o assunto do momento entre quem acompanha a indústria da mineração no estado. O negócio, avaliado em pouco mais de US$ 1 bilhão, envolve, entre outros ativos, a área produtora de ouro em Santaluz. A estatal estadual diz que a operação descumpre uma cláusula do contrato de concessão da área e cobra também perdas e danos. Nos últimos dias, a CBPM conseguiu uma liminar favorável ao seu pleito, o que pode significar ter alguma razão. Entretanto, há os que acreditam não haver problema na operação de venda e enxergam na ação judicial um possível “tiro no pé”, pois vai acrescentar mais uma preocupação com insegurança jurídica para quem investe na Bahia. Quem diz isso, garante que a Equinox mantinha em dia todas as suas obrigações contratuais, bem como os pagamentos de royalties pela atividade, que é exatamente a mesma. Só mudou de dono. >
Novo investimento >
O Centro Universitário UniFECAF vai intensificar sua presença na Bahia com um aporte estimado em R$ 8 milhões na modernização de polos existentes, ampliação da oferta de cursos e a abertura de novas unidades em cidades estratégicas. A UniFECAF conta com 15 polos de atendimento no estado. O plano de expansão inclui o fortalecimento de unidades em centros urbanos como Salvador e Lauro de Freitas, além da abertura de novos polos em municípios como Camaçari, Feira de Santana, Juazeiro, Alagoinhas, Barreiras, Vitória da Conquista, Teixeira de Freitas, Ilhéus e Itabuna. A meta é alcançar pelo menos 25 polos até o final de 2026.>
Aposta de expansão >
A Bahia registrou, em 2025, a melhor performance dos últimos anos para a MRV&CO, com crescimento consistente em volume e valor de vendas. O número de unidades comercializadas no estado avançou 2,3%, passando de 2.750 para 2.812 imóveis. Já o Valor Geral de Vendas (VGV) subiu 3,7%, de R$ 744 milhões para R$ 771 milhões. Internamente, a companhia ampliou sua estrutura comercial no estado, com crescimento de 56% no número de gerentes e supervisores e aumento de 38% no quadro de corretores, que chegou a 220 profissionais em fevereiro. Para 2026, estão previstos 10.468 lançamentos no Nordeste, dos quais 2.748 unidades serão concentradas na Bahia, consolidando o estado como um dos principais vetores de expansão da companhia na região.>
Construção civil>
Nesta quinta e sexta-feira (dias 5 e 6), a CBIC promove, em Salvador, o Encontro CBIC de Incorporadores e Construtores 2026 | Nordeste, na Fieb. A programação aborda temas como o Minha Casa, Minha Vida, o cenário econômico e político de 2026, os avanços da construção industrializada e a inovação aplicada à construção.>