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Donaldson Gomes
Publicado em 2 de março de 2026 às 21:51
O presidente dos Estados Unidos Donald Trump avisou nesta segunda-feira (dia 02) que a guerra com o Irã deve durar de quatro a cinco semanas, mas ressaltou que os EUA têm capacidade para mantê-la por “muito mais tempo”. Em discurso na Casa Branca, o republicano afirmou que Washington está “substancialmente à frente das projeções de tempo”. Além disso, o líder norte-americano ainda projetou os ataques mais pesados da ofensiva para as próximas semanas. >
A guerra entre EUA, Israel e Irã, iniciada no último sábado (dia 27) com o ataque conjunto americano-israelense contra o território da nação persa, cresceu em extensão desde então, com as confirmações dos ataques trocados pelas Forças Armadas do Estado judeu e o Hezbollah, grupo libanês aliado de Teerã por meio do “Eixo da Resistência”, e do bombardeio de drones iranianos a uma base do Reino Unido no Chipre. >
A escalada ocorre em um momento onde o espaço para diálogo parece totalmente fechado, com autoridades iranianas rejeitando uma suposta abertura de conversas com Washington, e representantes militares dos dois países afirmaram estar prontos para uma guerra prolongada, com o próprio Donald Trump se dizendo disposto a mandar tropas ao solo “se necessário”.>
Conflito no Oriente Médio - Estados Unidos X Irã
“Projetamos de quatro a cinco semanas, mas temos a capacidade de ir muito além disso. Faremos isso. O que for preciso”, declarou, acrescentando que o “vasto e crescente programa de mísseis” do Irã foi concebido para “proteger o programa nuclear” do país. “Esta foi nossa última e melhor chance de atacar e eliminar as ameaças intoleráveis representadas por esse regime doente”, ponderou o presidente.>
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse ainda que o país fará uma leva de ataques ao Irã maior do que todas as realizadas até o momento na guerra. Trump disse que os EUA “ainda nem começaram a atingi-los com força”. >
“A grande onda de ataques ainda nem aconteceu. A maior está chegando em breve”, completou.>
Trump também chamou de “surpresa” os ataques retaliatórios do Irã contra países do Golfo Pérsico — entre eles Catar, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Jordânia e Kuwait — e acusou o regime iraniano de atirar “contra um hotel e um prédio residencial”. Isso os deixou “com raiva” e com vontade de entrar no conflito, segundo o presidente norte-americano.>
Mais cedo segunda-feira (dia 02) , seis países árabes e os EUA repudiaram, em um comunicado conjunto, os ataques retaliatórios do Irã e o acusaram de ter civis como alvo. >
O secretário de Guerra norte-americano, Pete Hegseth, afirmou que o conflito contra o Irã “não será eterno” e os objetivos dos Estados Unidos são destruir os programas nuclear e de mísseis e a Marinha iranianos.>
“Às organizações de mídia e à esquerda política que gritam ‘guerra sem fim’, parem. Isto não é o Iraque. Isto não é interminável, nossa geração sabe melhor, e Trump também. Esta operação tem uma missão clara, devastadora e decisiva, destruir a ameaça de mísseis, destruir a Marinha, e nada de armas nucleares”, afirmou Hegseth. “O Irã não terá armas nucleares. Estamos os atingindo de forma avassaladora e sem qualquer hesitação”, completou o secretário sobre a guerra contra o Irã.>
Hegseth disse que nada está descartado, mas que os EUA não enviarão tropas para o país. Além disso, ele disse que é o presidente Donald Trump quem decidirá quanto tempo o conflito vai durar. O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas dos EUA, o general Dan Caine, disse que deve demorar algum tempo para que os objetivos sejam atingidos.>
O secretário de Guerra também acusou o Irã de planejar uma “chantagem nuclear” contra o mundo e que “os EUA não iniciaram essa guerra, porém Trump vai a encerrar”.>
“As persistentes ambições nucleares do Irã, seus ataques a rotas globais de navegação e seu crescente arsenal de mísseis balísticos e drones letais não são mais riscos toleráveis. O Irã estava construindo mísseis e drones poderosos para criar um escudo convencional para suas ambições de chantagem nuclear. E nossas bases, nosso povo, nossos aliados — todos na mira”, afirmou Hegseth.>
O secretário de Guerra afirmou que o regime iraniano “teve todas as chances” para fazer um acordo nuclear com os EUA. Segundo ele, a guerra não tem como objetivo a mudança de regime — algo que seria ilegal à luz da Constituição dos EUA —, mas que “o regime já mudou e o mundo está melhor por conta disso”, em referência ao assassinato do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei.>
Novos alvos>
O Hezbollah lançou foguetes contra o território israelense durante a madrugada de segunda-feira (dia 02), rompendo um frágil cessar-fogo mantido desde o último confronto de alta intensidade entre os inimigos históricos, em uma ação que a liderança do movimento afirmou ser uma retaliação pela morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei. Sirenes de emergência soaram por Israel, sobretudo no norte do país, com os militares realizando uma operação dupla de interceptação e ataque aéreo contra o Líbano.>
Os bombardeios israelenses ao norte atingiram regiões de Beirute e no sul libanês. Ao todo, as Forças Armadas israelenses afirmaram ter atingido mais de 70 alvos ligados ao Hezbollah. Mortes foram relatadas na cidade de Tiro, ao sul, e em outras partes do país. Autoridades militares disseram que os alvos eram o alto comando do grupo, considerado uma organização terrorista por Israel, com o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmando que o secretário-geral do Hezbollah, Naim Qassem, “vai terminar como Khamenei”. O Exército israelense confirmou a morte do chefe da inteligência do grupo, Hussein Moukalled.>
O governo do Líbano, que não entrou em guerra com Israel durante os confrontos recentes entre o Estado judeu e o Hezbollah, condenou de forma oficial os ataques lançadas contra o país vizinho a partir do seu território. O primeiro-ministro Nawaf Salam afirmou que tal tipo de decisão cabe apenas ao Estado, e pediu a proibição das atividades militares do movimento xiita.>
A entrada do Líbano na lista dos países diretamente afetados pelos enfrentamentos militares desde os primeiros ataques no sábado aumenta o temor de que o conflito se aprofunde ainda mais. A retaliação maciça do Irã após ser bombardeado alcançou praticamente todos os países da região, com novos incidentes envolvendo interceptações de projéteis e alvos atingidos em uma vasta região.>
A Guarda Revolucionária Iraniana afirmou ter lançado um ataque com mísseis ao Gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Não houve confirmação de danos. No sábado, a Guarda Revolucionária disse ter atacado o porta-aviões americano Abraham Lincoln com quatro mísseis, informação que foi rechaçada pelo Pentágono. Ao todo, Teerã disse ter atacado 500 alvos inimigos desde sábado.>
Tensões chegam à Europa>
Embora o começo das hostilidades já tenha tido implicações globais, com a maior alteração do tráfego aéreo global desde a pandemia e interrupções do trânsito naval em uma importante rota para o setor de petróleo e gás, as ações ostensivas do Irã romperam a barreira regional nesta segunda e elevaram o nível da tensão com a Europa. Drones iranianos atacaram uma base do Reino Unido no Chipre, no Mar Mediterrâneo, forçando uma retirada do pessoal militar destacado na região e provocando uma reação de atores europeus.>
Cerca de 70 veículos deixaram a área da base de Akrotiri, na costa sul do país, segundo fontes locais, após o ataque de um drone iraniano. O governo cipriota comunicou posteriormente ter interceptado outros dois drones que seguiam em direção à base.>
O ataque iraniano foi lançado após o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, anunciar ter autorizado os EUA a usarem as bases do Reino Unido na região para “ações defensivas” — citando bombardeios ao programa de mísseis iraniano. O premier trabalhista afirmou que o país não se somaria a nenhuma ofensiva, e disse em discurso na Câmara dos Comuns que o país não está em guerra. Em entrevista ao The Daily Telegraph, Trump disse estar “decepcionado” com Starmer.>
Impacto>
As ações de empresas aéreas e de companhias do setor de turismo despencam segunda-feira (dia 02), com a intensificação do conflito no Oriente Médio. Ao menos 1.555 voos foram cancelados na região, ampliando os números registrados no fim de semana. Considerando os cancelamentos desde sábado, quando a guerra no Irã começou, já são 7.511 decolagens desmobilizadas, o maior caos aéreo desde a pandemia, de acordo com o jornal britânico The Guardian.>
No Brasil, foram 24 voos cancelados nos três dias, com chegada ou partida do Aeroporto de Guarulhos , em São Paulo. Foram quatro no sábado, oito no domingo e 12 segunda-feira (dia 02). As empresas responsáveis pelos voos são Qatar Airways e Emirates.>
Outro reflexo é um “engarrafamento” de embarcações no Estreito de Ormuz, principal via de escoamento de petróleo do Oriente Médio. Pelo menos 150 petroleiros, com navios de petróleo bruto e de gás natural liquefeito (GNL), estão parados em mar aberto, enquanto outras dezenas esperam na outra extremidade do estreito, segundo estimativas da agência de notícias Reuters, com base em dados de navegação da plataforma MarineTraffic.>
Dessas embarcações, muitas estariam paradas nas zonas econômicas exclusivas (ZEE) de países do Golfo, como Kuwait e Emirados Árabes Unidos. Essas áreas se estendem além do limite territorial de 12 milhas náuticas (aproximadamente 22,22 km), podendo chegar a até 24 milhas (cerca de 44,45 km).>
Cerca de 20% do consumo global de petróleo, incluindo o produzido por Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Kuwait e Irã, passam por Ormuz, além dos grandes volumes de GNL do Catar. >
A Reuters informou ainda que pelo menos outros 100 petroleiros estavam ancorados fora do estreito, ao longo das costas dos Emirados Árabes Unidos e de Omã e em pontos de fundeio — áreas oficiais de ancoragem para navios —, assim como dezenas de navios de carga.>
A QatarEnergy, empresa petrolífera estatal do Catar, anunciou a suspensão total da produção de gás natural liquefeito (GNL) e de produtos associados, segundo comunicado oficial que atribui a decisão a ataques militares ao seu complexo em Ras Laffan.O Catar é um dos maiores produtores globais de gás natural, e a paralisação pode ter impacto relevante no mercado internacional de energia. O petróleo e o gás ainda representam mais de 50% do PIB do país, cerca de 85% das receitas de exportação e 70% das receitas do governo.>
(Com informações de agências de notícias)>