Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Donaldson Gomes
Publicado em 28 de fevereiro de 2026 às 05:00
Foi só o tempo esquentar entre o Paquistão e o Afeganistão, na última quinta-feira (dia 26), que o Catar já chegou para tentar colocar panos quentes – no caso, frios. Já notou que o país do Oriente Médio está sempre na turma do "deixa disso" dos conflitos mundiais? É de propósito. O Catar é uma nação rica, muito rica mesmo, possui território e populações pequenas, e está cercado de vizinhos poderosos e prontos para a briga. >
A estratégia adotada pelo país árabe se chama "hedging", que numa tradução direta para o português seria "cobertura". Mas o sentido mais correto é o de um "equilíbrio pragmático". Para isso, precisa manter diálogo entre atores que são rivais, evitando se alinhar com um dos lados e se posicionando como um canal de comunicação entre eles. >
Vejam, o Catar é tão eficiente neste negócio que consegue dialogar com Hamas, Talibã, Irã e praticamente todos os governos do Oriente Médio, mesmo mantendo uma base dos Estados Unidos em seu território. A Al Udeid é a maior estrutura militar americana na região e é de onde, eventualmente, são lançados ataques a alguns dos parceiros do governo de Doha. >
O que os grandes opositores no teatro geopolítico global encontram no Catar é um intermediário confiável, como indicam as recentes negociações envolvendo Israel e o Hamas, ou os Estados Unidos e o Talibã, quando discutiram a retirada das tropas norte-americanas de lá. >
Uma estratégia que o emirado absolutista e hereditário comandado pela Casa de Thani adota para aumentar a sua influência é o chamado soft power. Os árabes sediaram a última copa do mundo e seus fundos soberanos com recursos bilionários possuem investimentos ao redor do mundo. Aqui no Brasil, os catari já investiram mais de US$ 5 bilhões desde 2014. >
Para Joseph Nye, cientista político norte-americano, o poder não está apenas na capacidade de coagir militarmente ou induzir economicamente. Passa por uma capacidade de influenciar o comportamento dos outros pela atração ou persuasão. É aquela coisa, na mesa de negociação a legitimidade é muito mais importante que a força. Ou: “A melhor propaganda não parece propaganda”, como diria Nye. >
Nos últimos 30 anos, Doha já negociou o fim de conflitos políticos no Líbano, Sudão, disputas de fronteiras envolvendo diversos países africanos, o cessar-fogo em Gaza, a retirada dos Estados Unidos do Afeganistão, trocas de prisioneiros entre os EUA e países como Venezuela e Irã. Já se ofereceu para intermediar conversas entre a Rússia e a Ucrânia também.>
Nem sempre as iniciativas são bem sucedidas, um exemplo disso é este conflito entre o Afeganistão e o Paquistão. Em outubro passado, o Catar testemunhou um acordo de paz entre os dois países. Mas os árabes estão lá, sempre tentando acalmar os ânimos. >
Também não é a única nação a adotar esta estratégia. Países como a Noruega e a Suiça – que virou símbolo de neutralidade – vão pelo mesmo caminho. >
Entretanto, o Catar é possivelmente o mais destacado negociador da atualidade. E este jornalista desconfia que se Lula e Bolsonaro se sentassem numa mesa em Doha para conversar, era capaz de saírem de lá abraçados.>
Deixem Barbacid em paz>
Primeiro, o cientista espanhol Mariano Barbacid virou alvo de chacota nas redes sociais por conta da sua aparência física. Agora, a imagem dele está sendo utilizada por golpistas, pedindo dinheiro para supostamente apoiar estudos. Diretor do Grupo de Oncologia Experimental do Centro Nacional de Pesquisa Oncológica da Espanha (CNIO), ele lidera uma pesquisa baseada numa combinação de medicamentos capazes de combater o câncer de pâncreas, um dos mais agressivos que existem. Os testes em camundongos mostraram que os tumores desapareceram entre três e quatro semanas. A visibilidade dada aos bons resultados atraiu golpistas do mundo inteiro. Tem gente na Venezuela se passando por Barbacid. Como se vê, é mais fácil encontrar a cura para o câncer do que a humanidade perdida de alguns. >
E a maioridade?>
Após ceder na aprovação do Projeto de Lei Anfi Facção, o governo Lula vai tentar convencer os parlamentares a deixar de lado a ideia de reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos, em discussão na Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Segurança Pública. A proposta deve ser encaminhada ao plenário para votação na próxima semana. Sem votos para barrar a proposta, a ideia dos aliados do presidente é tentar empurrar a votação para o ano que vem. O novo líder da bancada do PT na Câmara dos Deputados, deputado Pedro Uczai (PT-SC), afirmou que o partido não tem maioria para barrar a redução. “Teríamos o resultado esperado: seríamos derrotados. Não temos nenhuma ilusão sobre isso", calcula Uczai. O ministro da Justiça Wellington Lima e Silva chegou a dizer que seria aceitável a realização de um plebiscito sobre a maioridade penal, mas o partido do presidente não quer nem ouvir falar sobre o assunto. >
Tragédia cantada>
O aumento na produção de conteúdos com o uso de inteligência artificial (IA) vai reduzir significativamente as receitas dos criadores de música e audiovisual até 2028, aponta um relatório da Unesco. De 2018 para cá, as receitas digitais passaram de 18% para 35% dos rendimentos dos criadores – o que indica a importância dos meios para os criadores. Segundo o estudo da Unesco, até 2028 a expansão de conteúdos produzidos por IA generativa poderá provocar perdas globais de receitas de até 24% para criadores de música e 21% para o setor audiovisual.>
A volta da vilã>
A principal vilã da inflação no ano passado deve dar as caras novamente este ano e voltar pesar no bolso dos brasileiros. Com reservatórios baixos, o que deve ampliar o uso de energia térmica, além do aumento nos subsídios nas contas de luz, o mercado estima aumentos para os consumidores que podem variar de 5,1% a 7,95% – percentuais superiores à inflação média esperada para este ano, de 3,91%, segundo o mais recente Boletim Focus do Banco Central. >
Fumava ou não? >
Voltaram a circular vídeos em que a atriz Cláudia Raia falou sobre a sua relação com o cigarro. Num deles, ela diz a Ana Maria Braga que colhe hoje os frutos de escolhas saudáveis. Uma delas seria a de não fumar, aí a turma das redes sociais foi atrás de outras entrevistas da artista dizendo justamente o oposto. "Eu fumava na hora do banho, começava a fumar, tomava banho, enxugava o dedo, fumava... Olha que loucura", aparece ela falando no Roda Viva, no ano passado. Numa gravação mais antiga, ela aparece inclusive se queixando do preconceito contra fumantes. No Roda Viva, ela conta que deixou de fumar em 1994, portanto há mais de 30 anos, mas ainda assim a internet não perdoa.>
meme da semana>
É o Esquadrão, não tem jeito. E, mesmo de coração partido, trazemos o meme desta semana sobre o nosso querido Bahia. Claro que o Flamengo também se deu mal, mas deixemos a zoação aí por conta dos cariocas. Por aqui fica a expectativa do nosso Baêa na próxima Libertadores.>