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Economia brasileira tem menor alta desde a pandemia

PIB perdeu fôlego e cresceu apenas 0,1% no último trimestre de 2025

  • Foto do(a) author(a) Donaldson Gomes
  • Donaldson Gomes

Publicado em 4 de março de 2026 às 05:00

Produção de soja foi um dos destaques positivos no desempenho do PIB brasileiro Crédito: Jaelson Lucas/AEN/Divulgação

Não dá para chamar de “pibinho”, tampouco a economia brasileira fechou o ano de 2025 no negativo, mas o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) no ano passado é um sinal claro de alerta: o Brasil está desacelerando o seu ritmo de crescimento econômico. A expansão de 2,3% representa o pior resultado nos últimos cinco anos, além de uma queda de 1,1 ponto porcentual (p.p) em relação ao desempenho registrado em 2024. E se não fosse pelo agronegócio, que registrou uma expansão de 11,7%, aí o cenário seria o de um “pibinho”.

Em valores correntes, a economia brasileira chegou ao total de R$ 12,7 trilhões no ano. De positivo no resultado de 2025, só o fato de representar o quinto período consecutivo de crescimento – o último resultado negativo aconteceu em 2020, quando o país, impactado pela pandemia de covid enfrentou uma retração econômica de 3,3%. Mesmo em 2021, quando a crise sanitária ainda afetava a atividade econômica, o desempenho foi melhor que o do ano passado.

Um sinal claro do movimento de desaceleração é o resultado no quarto trimestre de 2025, quando o PIB cresceu 0,1% em relação aos três meses anteriores, mantendo-se praticamente estável. Não fossem os números do primeiro semestre do ano, o desempenho seria ainda pior.

Bahia é segundo maior produtor de algodão do país e se destaca por qualidade por Divulgação

O crescimento do PIB brasileiro ficou abaixo do desempenho esperado para a economia mundial no ano passado. Com isso, o país deve perder posições no ranking das maiores economias globais pelos dois critérios utilizados para fazer essa comparação. Entre as cerca de 30 economias monitoradas pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a Irlanda foi o país que mais cresceu em 2025. A alta de 6,7% na Irlanda foi sustentada sobretudo pelas multinacionais de tecnologia que têm sede no país. Outro destaque do ano passado foi a economia da China, que cresceu 5%, atingindo a meta do governo.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê um crescimento do PIB global de 3,3% em 2025 e 2026, segundo projeção divulgada em janeiro deste ano. Para o Brasil, a expectativa é de nova desaceleração da economia neste ano, para 1,8%, de acordo com as projeções da pesquisa Focus do Banco Central. O próprio BC esperava crescimento de 2,3% em 2025 e projeta expansão de 1,6% em 2026. A Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda estima uma expansão de 2,3% neste ano.

Impulsionada pela produção de grãos a agricultura voltou a brilhar no resultado, com aumentos na produção e ganhos na produtividade de várias culturas, com destaque para o milho (23,6%) e a soja (14,6%), que alcançaram recordes no ano. “Só a agropecuária responde por 33% de todo o crescimento da economia do ano passado. Tivemos um recorde nas safra de soja e milho, que pesam 45% da lavoura e também vimos uma safra muito alta de laranja”, afirmou Rebeca Palis, coordenadora de contas nacionais do IBGE.

Petroquímica é o carro-chefe do Polo Industrial de Camaçari por Divulgação

O setor de serviços apresentou um avanço de 1,8% no ano e registrou um crescimento de todas as atividades em 2025. Entre os destaques, estavam informação e comunicação, com crescimento de 6,5%, atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (2,9%) e transporte, armazenagem e correio (2,1%).

A indústria, por sua vez, teve um crescimento de 1,4% no ano, apoiada pelas Indústrias Extrativas, que registraram um avanço de 8,6% no período com o impulso da extração de óleo e gás. O segmento de construção (0,5%) também contribuiu para o avanço do setor, enquanto eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (-0,4%) e as indústrias de transformação (-0,2%) tiveram variações negativas.

Segundo Rebeca Palis, o agro, as indústrias extrativas, informação e comunicação e outras atividades de serviços contribuíram com 72% do PIB no ano passado. “A indústria extrativa veio em segundo lugar na contribuição para o valor adicionado do PIB, respondendo por 15,3% do crescimento. Apesar de todas as atividades serem influenciadas pela política monetária restritiva, essas duas atividades sofrem menos com isso e são mais exportadoras”, diz Palis.

O brilho do campo

O forte crescimento do agro em 2025 representou uma recuperação em relação a 2024, quando o PIB do setor recuou após secas extremas e enchentes terem derrubado diversas produções agrícolas, como as de soja, milho, cana-de-açúcar e laranja.

“A gente sabe que a agropecuária é uma atividade muito vulnerável à questão climática. Mas, em 2025, não tivemos nenhum problema climático relevante a ponto de gerar uma quebra de safra”, diz Juliana Trece, coordenadora do Núcleo de Contas Nacionais do FGV Ibre. Esses fatores fizeram o Brasil colher a maior safra de grãos da história no ano passado. No total, foram 350,2 milhões de toneladas, puxadas por soja e por um volume de milho jamais registrado na série histórica.

No ano, a colheita de milho cresceu 23,6%, enquanto a de soja teve alta de 14,6%, segundo o IBGE.

Com a maior produção dos grãos, a exportação do setor também cresceu. A soja, por exemplo, bateu recorde com o embarque de 108,2 milhões de toneladas, um aumento de 9,5% na comparação com o ano anterior.

Uma das motivações para isso foi a guerra comercial entre Estados Unidos e China. Com os chineses comprando menos dos norte-americanos, a demanda foi redirecionada para o Brasil.

Menos consumo

O consumo das famílias cresceu 1,3% em 2025, como reflexo do mercado de trabalho aquecido e o consequente aumento da massa salarial. Ainda assim, o resultado foi inferior ao de 2024, quando cresceu 5,1%. O desempenho inferior é explicado pela taxa básica de juros (Selic), que impacta nas condições de crédito, e pelo elevado nível de endividamento das famílias. “A política monetária restritiva e o alto endividamento das famílias, que bateu recorde no ano passado, têm puxado um pouco o consumo para baixo", explica a coordenadora de contas nacionais do IBGE.

A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que representa o volume de investimentos feitos, cresceu 2,9%, fazendo com que a taxa de investimento fosse de 16,8% em 2025, outra vez em um percentual menor que no ano anterior. Já a taxa de poupança acelerou de 14,1% para 14,4% na mesma relação.

“A gente tem ali uma grande melhora do mercado de trabalho, uma maior formalização, uma maior contratação em atividades não tão sensíveis a juros. Então, isso acabou melhorando a renda disponível dos brasileiros, e, claro, isso reflete no crescimento do consumo. Mas não igual ao que a gente viu em outros anos”, avalia Juliana Trece, coordenadora do Núcleo de Contas Nacionais do FGV IBRE.