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Setores intensivos em mão de obra, como a construção civil, devem ser os mais impactados com fim da escala 6x1, avalia Fieb

Impacto na indústria Fieb deve variar de acordo com os setores atingidos, as regiões do estado e portes de empresas

  • Foto do(a) author(a) Donaldson Gomes
  • Donaldson Gomes

Publicado em 26 de fevereiro de 2026 às 18:12

Construção civil está entre as atividades que podem ser mais impactadas na indústria Crédito: Paula Fróes/Arquivo CORREIO

Os impactos do Projeto de Lei nº 67/2025 vai atingir o setor produtivo de formas diferentes, adverte a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb). Para a entidade, é preciso levar em conta questões setoriais, regionais e também os diferentes portes das empresas ao tratar do assunto. A proposta em discussão prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas e o fim da escala 6x1, em que o trabalhador tem direito a um dia de folga a cada seis trabalhados.

Para a Fieb, o melhor caminho é que os eventuais ajustes de jornada sejam discutidos "preferencialmente, pela negociação coletiva e acompanhados de uma transição responsável, com avaliação cuidadosa de seus impactos sobre produtividade, custos, competitividade e emprego".

"Uma mudança dessa magnitude não produz efeitos homogêneos: ela atinge setores e regiões de forma distinta, em função de variáveis como estrutura produtiva, intensidade de mão de obra, realidade regional e oferta local de trabalhadores", destaca a Fieb em nota.

Para segmentos industriais intensivos em mão de obra, como a construção civil, a redução imediata da jornada tende a elevar o custo da hora trabalhada e a ampliar a dificuldade de recomposição das horas perdidas, com impacto direto na produtividade e na capacidade operacional das empresas, aponta posicionamento publicado pela entidade.

Para a Fieb, esse risco se agrava no atual cenário de escassez de mão de obra em diversos segmentos, no qual a reposição de trabalhadores, a formação de equipes e a manutenção de turnos já enfrentam obstáculos concretos. "Com menos horas disponíveis por trabalhador, cresce a necessidade de contratação adicional, muitas vezes inviável na prática, comprometendo prazos, rotinas produtivas e a eficiência das operações", afirma.

As micro e pequenas empresas são as que deverão ter mais dificuldades em lidar com as mudanças, aponta. "Para esse grupo, a exigência de recompor produção com menos horas pode significar aumento de custo sem capacidade financeira para absorção, ao mesmo tempo em que a reposição de mão de obra é mais difícil e onerosa, resultando, no limite, retração de atividades e do emprego formal", avisa.