Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Amanda Cristina de Souza
Publicado em 26 de fevereiro de 2026 às 17:25
Se você deixou de votar e não justificou no prazo de 60 dias, saiba que você entrou para a lista de "pendentes" da Justiça Eleitoral. No Brasil, o voto é obrigatório para quem tem entre 18 e 70 anos e é alfabetizado, mas a verdade é que muita gente acha que a multa, com valor simbólico, não dá em nada. Ledo engano.>
Mais do que um puxão de orelha democrático, não estar em dia com as urnas cria um "efeito cascata" que pode travar sua vida em Salvador ou em qualquer lugar do país. >
Justiça Eleitoral
Acredite: o problema não é o boleto, é a falta da certidão de quitação eleitoral. Sem ela, você fica de mãos atadas. De acordo com o Código Eleitoral, quem está irregular é proibido de:>
Muita gente se surpreende, mas o valor padrão da multa por turno de ausência é de R$3,51. É quase o preço de um cafezinho, mas o transtorno que ela evita é gigante.>
Fique ligado: cada turno (1º e 2º) conta como uma eleição diferente. Se faltou aos dois, a dívida dobra. E atenção, se o juiz eleitoral entender que sua situação financeira permite, esse valor pode aumentar em até dez vezes. Mas para a maioria, o valor fixo é o que prevalece.>
A boa notícia é que o TRE-BA facilitou a vida do baiano. Nada de filas em cartórios: você resolve tudo pelo celular.>
Aqui o papo fica sério. Se você faltar a três eleições consecutivas (lembrando: 1º turno é uma, 2º turno é outra) e não pagar as multas, seu título é cancelado.>
Não basta apenas pagar o boleto. Você terá que passar pelo processo de regularização (Título Net ou presencialmente no SAC/Cartório) e apresentar documentos de identificação e comprovante de residência. Com o título cancelado, o cruzamento de dados com a Receita Federal é quase imediato e seu CPF pode ir para a situação "Pendente de Regularização".>
Essa obrigatoriedade tem raízes profundas. O Código Eleitoral de 1932 foi o marco que instituiu o voto obrigatório e secreto no Brasil, tentando acabar com a abstenção da época. A Constituição de 1988 reafirmou: o voto é um dever coletivo para fortalecer a democracia.>
Com o tempo, a gestão dessas multas evoluiu. O que era manual hoje é digital. A biometria e a integração com a Receita Federal fazem com que o cruzamento de dados seja quase imediato. Ficou muito mais difícil "contornar" a situação sem regularizar.>
Muita gente pergunta se esse dinheiro fica com o Tribunal. A resposta é não. Os valores das multas vão direto para o Fundo Partidário, que financia a manutenção e as atividades das legendas registradas no país.>
Você pode até achar que o valor da multa é simbólico, e financeiramente ele é mesmo. Mas, na prática, essa sanção é o que segura a estrutura do voto obrigatório no Brasil. Sem esse mecanismo, o país correria o risco de ver os índices de comparecimento despencarem, como acontece em nações onde o voto é facultativo e a abstenção costuma ser altíssima.>
Além de "puxar" o eleitor para a urna, esses valores que você paga têm um destino certo: o Fundo Partidário. É esse dinheiro que ajuda a custear a existência das legendas e garantir que o sistema político funcione com financiamento público.>
No fim das contas, estar em dia com a Justiça Eleitoral vai muito além de pagar um boleto de R$3,51. É sobre manter seus direitos políticos ativos e garantir que você tenha voz nas decisões que mudam o rumo da Bahia e do Brasil. Sem a regularidade, você não apenas trava sua vida civil, mas se afasta do processo que define o futuro de todos nós.
>