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Maiara Baloni
Publicado em 24 de março de 2026 às 16:56
O boleto do plano de saúde tornou-se um dos itens mais sensíveis do orçamento doméstico em 2026. O que antes era uma despesa automática agora passa por uma revisão rigorosa nas mesas das famílias brasileiras. Com reajustes que podem superar a inflação oficial, especialmente nos planos coletivos, manter a assistência privada deixou de ser uma escolha simples para se tornar uma decisão financeira estratégica.
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O plano de saúde ficou mais caro
Os números explicam a cautela. Enquanto o teto da ANS para planos individuais foi definido acima da inflação oficial no período de 2025/2026, os planos coletivos e por adesão seguem sem um limite oficial, registrando em alguns casos altas de dois dígitos. Na prática, o consumidor está pagando mais caro para manter exatamente a mesma cobertura de anos anteriores.
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Especialistas em finanças pessoais apontam que o plano de saúde começa a comprometer a estabilidade da família quando ultrapassa 15% da renda mensal. Para quem tem mais de 60 anos ou possui dependentes com doenças crônicas, esse percentual pode dobrar, forçando cortes em áreas essenciais como educação ou reserva de emergência. É o que economistas chamam de "gasto medicalizado": a renda é drenada para garantir um atendimento que, muitas vezes, é pouco utilizado no dia a dia, mas serve como seguro para grandes imprevistos. >
Essa pressão financeira tem gerado um movimento de revisão de contratos. Um erro recorrente é pagar por serviços que não se encaixam no perfil de uso. Planos com rede nacional, cobertura odontológica premium ou internação em quarto privativo encarecem a conta sem necessariamente trazer benefícios proporcionais para quem utiliza apenas consultas de rotina e exames básicos.
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Diante das altas, o modelo de autogestão voltou a ganhar espaço no mercado. Regulados pela ANS, esses planos, geridos por associações, sindicatos ou grupos de servidores, operam com foco no equilíbrio financeiro do fundo, e não na distribuição de lucro. Como o objetivo não é o dividendo para acionistas, mas a sustentabilidade do sistema, as mensalidades podem ser mais baixas e os reajustes mais previsíveis, a depender do perfil do grupo. Para empresas e profissionais com acesso a essas entidades, migrar para esses modelos tem se tornado uma alternativa para manter a assistência privada.
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Outra ferramenta de controle de custos é a coparticipação. Ao aceitar pagar uma taxa sobre parte dos procedimentos realizados, o usuário pode reduzir o valor fixo mensal, a depender do contrato. A estratégia funciona bem para quem tem saúde estável e usa o plano de forma consciente. No entanto, para pacientes que demandam terapias contínuas ou exames frequentes, a conta pode ficar mais alta no final do mês, exigindo um cálculo prévio detalhado.
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A decisão de cancelar o convênio em 2026 exige uma análise fria de risco. Para quem tem mais de 50 anos ou doenças crônicas, a saída é arriscada: uma única internação pode gerar custos elevados, muitas vezes superiores à capacidade de pagamento imediato de uma família. Nesses casos, uma alternativa é migrar para planos com cobertura hospitalar ou com coparticipação, o que pode reduzir o valor mensal, a depender do contrato, sem abrir mão da proteção contra despesas de alto custo.
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Por outro lado, jovens saudáveis que usam o serviço apenas para rotina podem considerar estratégias de auto-reserva, aplicando o valor da mensalidade em uma poupança de emergência e recorrendo a clínicas populares ou ao SUS. O sistema público tem forte atuação em procedimentos de alta complexidade, embora ainda enfrente filas em cirurgias eletivas, a depender da região. No fim, o plano tende a fazer mais sentido quando protege contra despesas elevadas; se o custo compromete a vida financeira, a saída pode ser considerada, desde que haja um plano B bem estruturado.
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