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Recorde histórico da balança comercial no Brasil acende alerta sobre o perigo de 'vender apenas o básico'

Petróleo e ferro garantiram o fôlego no 1º trimestre de 2026, mas economistas alertam que o país precisa de mais do que matérias-primas para crescer de verdade

  • Foto do(a) author(a) Amanda Cristina de Souza
  • Amanda Cristina de Souza

Publicado em 12 de abril de 2026 às 17:00

O Brasil cresce no saldo positivo da balança comercial, mas levanta a discussão sobre o risco de ‘exportar apenas o básico
O Brasil cresce no saldo positivo da balança comercial, mas levanta a discussão sobre o risco de ‘exportar apenas o básico Crédito: Pexels, Davi vives

O Brasil começou o ano com uma balança comercial forte, com um superávit de US$ 13,25 bilhões entre janeiro e a terceira semana de março. Esse desempenho foi impulsionado, principalmente, pelas exportações de petróleo e minério de ferro, um crescimento de 6,8% em relação ao mesmo período de 2025. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

No lado das exportações, o Brasil vendeu US$ 72,7 bilhões, enquanto as importações somaram US$ 59,45 bilhões, praticamente estáveis em comparação ao ano passado, com uma leve queda de 0,2%.

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Por que petróleo e minério salvaram o primeiro trimestre de 2026

O cenário das exportações mostra uma mudança significativa. A indústria extrativa foi a principal responsável pelo crescimento, com um avanço de 27,6%, enquanto setores como a agropecuária caíram 13,4%, e a indústria de transformação teve um declínio de 10,3%.

Ou seja, produtos como petróleo bruto e minério de ferro assumiram o papel de motores do superávit, compensando a perda de fôlego de itens tradicionais do agronegócio.

Mesmo com esse recuo, o setor agrícola segue relevante. A soja ainda ocupa o topo da lista de exportações, representando 17,8% das vendas externas, seguida por café, milho e algodão.

Alguns dos principais destaques positivos incluem o petróleo bruto (+65,1%), o ouro (+87,1%) e a carne bovina (+16%). Já o café (-33,2%), o açúcar (-42,1%) e a celulose (-28,3%) apresentaram quedas significativas.

O que o Brasil comprou no exterior

Em termos de importações, o Brasil manteve sua estratégia de buscar produtos de maior valor agregado. A indústria de transformação liderou as compras externas, com um leve aumento de 0,3%, enquanto o setor agropecuário teve uma queda de 24,9%.

Isso reflete uma economia que, apesar de algumas dificuldades, ainda está consumindo produtos tecnológicos e industriais.

A pauta de importações foi dominada por combustíveis refinados, fertilizantes, medicamentos, veículos e equipamentos industriais e eletrônicos. Alguns itens se destacaram por altas expressivas, como veículos (+96,3%), medicamentos (+39,1%) e geradores elétricos (+127,2%), indicando uma demanda interna aquecida e, possivelmente, mais espaço para investimentos.

Por outro lado, as compras de trigo (-35,9%), máquinas industriais (-81,3%) e aço laminado (-69,1%) apresentaram queda, o que pode refletir tanto ajustes na atividade industrial quanto uma possível recomposição de estoques.

Commodities: o perigo de depender dos preços que o Brasil não controla

Apesar dos números positivos, a estrutura da balança comercial brasileira ainda preocupa. O país continua dependendo majoritariamente de exportações de produtos básicos (soja, petróleo e minério), enquanto importa produtos mais sofisticados, como máquinas, tecnologia e medicamentos.

Embora esse modelo funcione quando o mercado internacional favorece as commodities, ele deixa a economia brasileira vulnerável às oscilações do mercado global.

Essa dependência de produtos primários, combinada com a necessidade de importações mais complexas, continua sendo um ponto de atenção.

Até quando o Brasil consegue manter esse fôlego?

O desempenho da balança comercial neste ano reforça um padrão bem conhecido. Quando o mercado global é favorável às commodities, o superávit cresce.

Mas a questão vai além do número. Economistas questionam a qualidade desse crescimento, já que o Brasil continua focado em produtos de baixo valor agregado.

O grande desafio agora é transformar esse superávit em crescimento sustentável, com uma economia mais diversificada, que dependa menos das flutuações do mercado internacional.

O sucesso futuro do Brasil dependerá de uma maior diversificação nas exportações e da diminuição da dependência de commodities.