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Matheus Marques
Publicado em 26 de março de 2026 às 08:02
A Semana do Consumidor 2026 entregou o que o mercado previa: resiliência digital, mas com um pé no freio no gasto por pedido. O faturamento total bateu na casa dos R$ 8,6 bilhões, um crescimento nominal de 4% sobre o ano anterior, segundo dados do setor. No entanto, o perfil do pedido mudou: o tíquete médio caiu 12,9%, encerrando o período em R$ 289,10. O recado para o investidor é claro: o lucro agora vem da massa de pedidos, e não do valor unitário de cada venda.
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Compras
O grande destaque do balanço foi o setor farmacêutico, que superou as categorias tradicionais com uma expansão de 61,9%. O avanço foi impulsionado pela maior demanda por medicamentos e produtos de autocuidado, com destaque para a forte procura por canetas à base de semaglutida, como o Ozempic, além do crescimento do consumo recorrente. O segmento faturou sozinho mais de R$ 562 milhões.
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Para Pedro Chiamulera, CEO da Confi, o varejo conseguiu compensar a margem menor com o alto giro de produtos de primeira necessidade. O brasileiro parou de "sonhar" com o eletrônico de luxo para focar no que é essencial e de consumo recorrente. >
Os dados revelam um comportamento técnico do comprador. Houve uma retração nas vendas no dia 14, com queda de 16,3%, o que pode indicar adiamento das compras para o pico promocional. O represamento da demanda se concentrou no domingo, dia 15, data oficial do Dia do Consumidor. As ofertas de última hora impulsionaram as vendas, reforçando o peso do volume sobre a margem unitária.
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