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Agência Correio
Publicado em 15 de janeiro de 2026 às 07:00
Você já se perguntou por que nunca vemos o preto real quando apagamos todas as luzes? Embora o ambiente pareça totalmente escuro, uma tonalidade acinzentada sempre se faz presente diante de nós. Essa experiência comum a todos os seres humanos revela um segredo fascinante sobre o funcionamento do nosso cérebro.>
Cientificamente, essa cor é batizada de eigengrau, um termo alemão para o conceito de “cinza intrínseco”. Ele descreve a luz que o nosso sistema visual cria de forma independente. Ou seja, mesmo sem luz externa, o cérebro continua percebendo uma forma de luminosidade residual e constante.>
O responsável por desvendar esse mistério foi o físico alemão Gustav Fechner, durante o século XIX. Ele estava interessado em mapear a sensibilidade humana e como reagimos a estímulos ambientais mínimos. Para isso, desenvolveu testes práticos que mediam a fronteira da nossa percepção sensorial.>
Cores
O estudo ficou conhecido como “Método dos Limites” e trouxe respostas definitivas sobre a visão noturna. Fechner provou que o ser humano não consegue atingir a percepção do preto absoluto. Com efeito, demonstrou que as nuances de cinza são a base da nossa experiência em ambientes sem luz.>
Tudo isso ocorre porque temos células chamadas cones e bastonetes, que utilizam a proteína rodopsina. Essa substância é o motor da visão, sendo responsável por capturar as partículas de luz. Os bastonetes são especialmente potentes e conseguem absorver grandes quantidades de fótons durante o dia.>
Surpreendentemente, essa atividade celular não para quando fechamos os olhos ou entramos no breu. A rodopsina permanece ativa e continua gerando pequenos impulsos elétricos que viajam até o cérebro. Por fim, o cérebro interpreta esse ruído elétrico como tons de cinza, garantindo que nossos olhos nunca “desliguem” totalmente.>