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Ave rara reaparece após 100 anos e escolhe exclusivamente o Nordeste para voltar a se reproduzir

Após um século de ausência na Serra das Almas, o periquito-cara-suja volta a ocupar a Caatinga graças ao uso de caixas-ninho e projetos de reintrodução de aves resgatadas

  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Foto do(a) author(a) Raphael Miras
  • Agência Correio

  • Raphael Miras

Publicado em 7 de abril de 2026 às 16:00

O periquito-cara-suja (Pyrrhura griseipectus) em seu habitat natural: após um século de ausência, a espécie volta a se reproduzir na Reserva Natural Serra das Almas, no Ceará
O periquito-cara-suja (Pyrrhura griseipectus) em seu habitat natural: após um século de ausência, a espécie volta a se reproduzir na Reserva Natural Serra das Almas, no Ceará Crédito: Wikimedia Commons/Michael Hurben

Depois de 100 anos, na região da Reserva Natural Serra das Almas, uma ave rara volta a se reproduzir no nordeste brasileiro. Chamados de periquito-cara-suja (Pyrrhura griseipectus), o animal é considerado um dos psitacídeos mais ameaçados de extinção no Brasil.

Porém, no dia 17 de março de 2026, pesquisadores confirmaram o nascimento de filhotes em vida livre, um evento raramente registrado naquele território.

Canário-da-terra por Shutterstock

Embora a espécie não estivesse extinta globalmente, ela havia desaparecido de diversas áreas do Nordeste devido à perda de habitat e ao tráfico de animais, o que levou à sua classificação como extinta localmente na Serra das Almas.

Aves coloridas por Shutterstock

A estratégia das "caixas-ninho"

O retorno da ave não foi obra do acaso, mas fruto de um projeto de reintrodução estruturado que começou em 2024.

Como as cavidades naturais em árvores são escassas, os biólogos instalaram caixas-ninho de madeira para simular os ocos onde a espécie costuma se reproduzir.

O sucesso foi rápido: em menos de um ano, os pesquisadores contabilizaram 33 ovos nessas estruturas.

Esforço conjunto e expansão

Com o esforço conjunto da Associação Caatinga, a ONG Aquasis e o ICMBio, a recuperação da espécie se expandiu para o Parque Nacional de Ubajara, a cerca de 144 km da Serra das Almas. Lá, a reintrodução iniciada em 2025 já resultou no nascimento de 28 filhotes.

Muitas das aves soltas hoje passaram por um longo processo de reabilitação no Parque Arvorar, após serem resgatadas de situações de cativeiro ilegal.

Ver esses animais formando casais e cuidando da prole em liberdade é, para as equipes de campo, a prova de que processos de extinção local podem ser revertidos com planejamento e dedicação.

O restauração da fauna brasileira e o futuro das aves

Apesar do otimismo, o monitoramento permanece constante. A fase inicial de vida dos filhotes é delicada, enfrentando riscos como predação e variações climáticas.

O renascimento do periquito-cara-suja na Serra das Almas e em Ubajara reafirma o potencial de restauração ecológica do Nordeste.

Mais do que salvar uma ave rara, o projeto busca devolver à Caatinga a sua fauna original, garantindo que espécies antes silenciadas voltem a voar livremente em seu habitat de origem.