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Agência Correio
Raphael Miras
Publicado em 7 de abril de 2026 às 16:00
Depois de 100 anos, na região da Reserva Natural Serra das Almas, uma ave rara volta a se reproduzir no nordeste brasileiro. Chamados de periquito-cara-suja (Pyrrhura griseipectus), o animal é considerado um dos psitacídeos mais ameaçados de extinção no Brasil. >
Porém, no dia 17 de março de 2026, pesquisadores confirmaram o nascimento de filhotes em vida livre, um evento raramente registrado naquele território.>
Canário-da-terra (aves silvestres)
Embora a espécie não estivesse extinta globalmente, ela havia desaparecido de diversas áreas do Nordeste devido à perda de habitat e ao tráfico de animais, o que levou à sua classificação como extinta localmente na Serra das Almas.>
Aves coloridas
O retorno da ave não foi obra do acaso, mas fruto de um projeto de reintrodução estruturado que começou em 2024. >
Como as cavidades naturais em árvores são escassas, os biólogos instalaram caixas-ninho de madeira para simular os ocos onde a espécie costuma se reproduzir. >
O sucesso foi rápido: em menos de um ano, os pesquisadores contabilizaram 33 ovos nessas estruturas.>
Com o esforço conjunto da Associação Caatinga, a ONG Aquasis e o ICMBio, a recuperação da espécie se expandiu para o Parque Nacional de Ubajara, a cerca de 144 km da Serra das Almas. Lá, a reintrodução iniciada em 2025 já resultou no nascimento de 28 filhotes. >
Muitas das aves soltas hoje passaram por um longo processo de reabilitação no Parque Arvorar, após serem resgatadas de situações de cativeiro ilegal. >
Ver esses animais formando casais e cuidando da prole em liberdade é, para as equipes de campo, a prova de que processos de extinção local podem ser revertidos com planejamento e dedicação.>
Apesar do otimismo, o monitoramento permanece constante. A fase inicial de vida dos filhotes é delicada, enfrentando riscos como predação e variações climáticas.>
O renascimento do periquito-cara-suja na Serra das Almas e em Ubajara reafirma o potencial de restauração ecológica do Nordeste. >
Mais do que salvar uma ave rara, o projeto busca devolver à Caatinga a sua fauna original, garantindo que espécies antes silenciadas voltem a voar livremente em seu habitat de origem.>