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Chrysalis: a espaçonave destinada a transportar milhares de humanos em viagem sem volta ao espaço

Projeto prevê nave de 58 quilômetros capaz de abrigar gerações durante viagem de 400 anos até Alpha Centauri

  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Foto do(a) author(a) Vitoria Estrela
  • Agência Correio

  • Vitoria Estrela

Publicado em 9 de março de 2026 às 17:00

Voluntários teriam de viver décadas isolados na Antártida para testar impacto psicológico antes de missão sem retorno
Voluntários teriam de viver décadas isolados na Antártida para testar impacto psicológico antes de missão sem retorno Crédito: NASA/SpaceX

A ideia de abandonar a Terra para sempre costuma aparecer só em filmes de ficção científica.

Mas propostas recentes tratam essa hipótese como uma possibilidade concreta, formada por cálculos estruturais, planejamento populacional e simulações sociais de longo prazo.

O futuro da Terra: quando o planeta pode se tornar quente demais para a vida por Imagem gerada por IA

Uma dessas apostas é a Chrysalis, nave conceitual de 58 km projetada para transportar 2.400 pessoas durante uma jornada estimada em 400 anos.

O destino seria o sistema Alpha Centauri, localizado a cerca de 40 trilhões de quilômetros da Terra.

O projeto venceu a competição internacional Project Hyperion, que desafia equipes a imaginar veículos capazes de sustentar múltiplas gerações no espaço profundo.

Cidade completa

O desenho da nave segue a lógica de camadas encaixadas, semelhante a bonecas russas. No núcleo ficariam sistemas essenciais, como comunicação com a Terra e mecanismos de pouso.

A partir desse centro, cinco níveis organizariam as atividades humanas. A primeira camada seria voltada à produção de alimentos, com cultivo de plantas, criação de insetos e animais, além de áreas que reproduzem florestas tropicais e boreais.

Espaços para viver e conviver

Acima da área agrícola estariam ambientes coletivos, como escolas, hospitais, bibliotecas e parques. A proposta considera que sobrevivência biológica não basta em uma viagem de séculos.

Afinal, crianças nasceriam e cresceriam dentro da nave. Elas precisariam de educação formal, lazer e convivência social estruturada para manter estabilidade emocional.

A terceira camada abrigaria moradias adaptáveis a diferentes formações familiares ao longo das gerações. Já o nível seguinte concentraria atividades produtivas, como reciclagem de materiais e fabricação de medicamentos.

Manutenção constante e apoio automatizado

Além da produção industrial interna, haveria áreas dedicadas à fabricação de peças e manutenção dos sistemas. Em ambiente fechado, desperdício não é opção.

Se um componente estrutural falhar, a reposição teria de ocorrer ali mesmo. Por isso, a eficiência no reaproveitamento de água, ar e matérias-primas seria decisiva.

Na camada mais externa funcionaria um setor automatizado de armazenamento. Robôs organizariam ferramentas e equipamentos, garantindo suporte técnico contínuo sem depender de recursos externos.

População sob controle rigoroso

Como a viagem até Alpha Centauri duraria cerca de quatro séculos, o crescimento populacional precisaria ser planejado.

O objetivo é manter a média em torno de 1.500 habitantes, mesmo que a capacidade inicial seja maior. Esse limite busca equilibrar consumo e disponibilidade de recursos.

A governança seria conduzida por humanos com apoio de inteligências artificiais. A tecnologia auxiliaria na projeção de cenários, na gestão de recursos e na prevenção de conflitos.

Período de teste antes da partida

Caso a construção avance, ninguém embarcaria imediatamente. Os primeiros voluntários teriam de viver de 70 a 80 anos isolados na Antártida, em condições que simulam o confinamento prolongado.

A experiência serviria para avaliar limites psicológicos e dinâmicas sociais. Afinal, a viagem não prevê retorno, e as próximas gerações nasceriam já em trânsito pelo espaço profundo.

Embora ainda seja um conceito, estimativas indicam que a construção poderia levar de 20 a 25 anos, dependendo de avanços como reatores de fusão nuclear.