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Elaine Sanoli
Publicado em 9 de março de 2026 às 20:31
O Hospital São Rafael, localizado em Salvador, tornou-se alvo de uma ação civil pública do Ministério Público da Bahia (MPBA) após inspeções identificarem irregularidades sanitárias nas dependências do estabelecimento. A ação foi protocolada na última terça-feira (3). O MPBA pede, em caráter de urgência, a adoção de medidas para que a unidade se adeque às normas sanitárias, para evitar "expor consumidores a riscos à saúde e à segurança". >
De acordo com o MPBA, a inspeção foi realizada pela Diretoria de Vigilância Sanitária e Saúde Ambiental (Divisa) no banco de sangue do hospital e identificou irregularidades como operação em condições inadequadas, vazamentos generalizados, mofo no teto de salas de triagem, coleta e copa, além de vazamento de esgoto no espaço onde o lanche é oferecido aos doadores de sangue.>
Todas as irregularidades encontradas foram incluídas em um relatório técnico, que também apontou a ausência de submissão da planta física do setor à análise técnica da Divisa, inexistência de registros que comprovem a rastreabilidade de produtos saneantes diluídos, falta de sistema de exaustão adequado no local onde são diluídos produtos químicos e ausência de registros de manutenção e higienização de equipamentos utilizados nesse processo. Também foi verificada a inexistência de registros formais de capacitação específica dos colaboradores responsáveis por essas atividades.>
“As constatações da autoridade sanitária indicam situações que demandam pronta intervenção para assegurar que os serviços hospitalares sejam prestados em conformidade com as normas de proteção à saúde da população”, afirmou o titular da 4ª Promotoria de Justiça do Consumidor de Salvador, Saulo Mattos.>
Segundo o MPBA, após a identificação das irregularidades sanitárias, o órgão tentou firmar um acordo por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). No entanto, o hospital não teria manifestado interesse.>
Em nota enviada ao CORREIO, o Hospital São Rafael informou que as irregularidades apontadas pelo MPBA foram constatadas no ano de 2024 e já foram devidamente sanadas, com a aplicação de todas as melhorias necessárias a assegurar a conformidade com as normas sanitárias.>
O hospital garantiu que possui um alvará sanitário emitido pela Divisa e que optou por não firmar o TAC à época, porque os protocolos internos e as providências implementadas tornaram desnecessária a formalização. "Cabe reiterar que, sob nenhuma circunstância e em tempo algum, a proteção da saúde e a segurança dos seus pacientes e colaboradores estiveram em risco", afirma o posicionamento. >
Na ação, o MPBA solicita à Justiça, em caráter de urgência, que o hospital seja obrigado a regularizar as pendências encontradas no setor. Entre as medidas solicitadas estão a adequação das instalações físicas, a implantação de um sistema de rastreabilidade de produtos saneantes, a criação de registros formais de manutenção e higienização de equipamentos e a capacitação técnica dos profissionais envolvidos.>
Além disso, o Hospital São Rafael deverá apresentar um plano detalhado de adequação sanitária, contendo um cronograma para implementação das medidas corretivas e a indicação dos responsáveis técnicos por sua execução.>