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Colapso de corrente de frio pode congelar a Europa e desestabilizar o mundo, alertam cientistas

Mundo pode entrar em estado de alerta por crescente do aquecimento global, começando pela Europa

  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Agência Correio

Publicado em 26 de fevereiro de 2026 às 13:00

Um colapso, antes visto como distante, agora é tratado como uma ameaça concreta para as próximas décadas
Um colapso, antes visto como distante, agora é tratado como uma ameaça concreta para as próximas décadas Crédito: DCheretovich/Wikimedia Commons

O Atlântico esconde um sistema de correntes capaz de influenciar o clima do planeta. A Circulação Meridional do Atlântico, ou AMOC, leva águas quentes dos trópicos para o norte e devolve águas frias para regiões mais baixas.

Há cerca de 10 mil anos, esse movimento mantém um ciclo constante. No norte do oceano, a água aquece, perde calor, fica mais densa e afunda.

Vitória da Conquista  por Reprodução/Prefeitura Vitória da Conquista

O processo ajuda a equilibrar temperaturas, influencia as chuvas e mantém ecossistemas marinhos ativos.

AMOC é questão de segurança

Nos últimos anos, a Islândia passou a considerar o enfraquecimento da AMOC como um risco real.

Um colapso, antes visto como distante, agora é tratado como uma ameaça concreta para as próximas décadas.

Modelos indicam que o enfraquecimento drástico da circulação poderia manter o planeta mais quente, mas provocar frio intenso em partes da Europa.

No caso da Islândia, invernos com até -45°C e gelo marinho ao redor da ilha não seriam incomuns, fenômeno que não ocorre desde o início da ocupação humana na região.

Impactos além do frio

As consequências não se limitam às temperaturas. A AMOC influencia o regime de chuvas na Amazônia, ventos na África Ocidental e no Sul da Ásia e também afeta a produção agrícola mundial.

Alterações no ciclo podem intensificar tempestades, prejudicar cadeias alimentares e gerar instabilidade geopolítica, segundo análises do Instituto de Potsdam e da Strategic Climate Risks Initiative.

Pesquisas e previsões

Em 2021, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas considerou improvável um colapso antes de 2100. Estudos mais recentes indicam risco maior.

Um levantamento de 2024 analisou diferentes cenários de emissões. Mesmo se as metas do Acordo de Paris forem cumpridas, os cientistas estimam cerca de 25% de chance de colapso ao longo dos séculos.

O oceanógrafo Stefan Rahmstorf, citado pela revista Veja, afirma que o perigo foi subestimado e alerta para um possível ponto de não retorno.

Outros pesquisadores discordam, defendendo que fatores naturais podem oferecer estabilidade ao sistema.

Apesar disso, dados da NOAA e do Met Office britânico mostram enfraquecimento constante desde meados do século 20.

Como o aquecimento global afeta a AMOC

O derretimento da Groenlândia lança grandes volumes de água doce no Atlântico Norte. Com menor salinidade, a água perde densidade e tem dificuldade para afundar, comprometendo o ciclo.

Os oceanos mais quentes trocam menos calor com a atmosfera, reduzindo a formação de águas frias e salinas, essenciais para manter a circulação.

Preparação da Islândia

A Islândia tem cerca de 400 mil habitantes e depende da pesca e de um clima relativamente previsível.

Um resfriamento abrupto poderia afetar a agricultura, a infraestrutura e a vida cotidiana. O governo informou que planeja incluir o risco da AMOC no planejamento nacional até 2028.

Pesquisadores alertam que esperar pela confirmação de um possível colapso pode significar agir tarde demais.

Tags:

Mundo