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Flavia Azevedo
Publicado em 31 de março de 2026 às 22:23
O Prêmio Jabuti, a mais tradicional e prestigiada distinção da literatura brasileira, abriu nesta terça-feira (31) as inscrições para sua 68ª edição. Marcada por uma postura rígida em defesa da propriedade intelectual, a organização anunciou que não serão aceitas obras que tenham utilizado ferramentas de inteligência artificial (IA) em tarefas autorais. A decisão coloca o Brasil no centro do debate global sobre os limites da tecnologia na criação artística. >
Autoria humana em primeiro lugar>
A Câmara Brasileira do Livro (CBL) foi enfática ao reafirmar que a essência do prêmio reside na produção intelectual humana. Segundo a presidente da entidade, Sevani Matos, a CBL defende o autor e o direito autoral acima de tudo. O uso de IA só será permitido em casos específicos onde a tecnologia seja, ela própria, o objeto de análise, estudo ou crítica dentro da obra, conforme previsto no regulamento.>
"Enquanto não tiver maior clareza disso, o Jabuti não vai aceitar para criação", declarou Hubert Alquéres, curador da premiação. Ele reforça que o objetivo é proteger o lugar fundamental da criação literária genuína.>
100 livros para ler em 2026
O trauma do 'Frankenstein' robótico>
A rigidez das novas regras é um reflexo direto de polêmicas recentes. Em 2023, a desclassificação de uma edição do livro Frankenstein na categoria Ilustração gerou um forte abalo no setor. Na ocasião, descobriu-se que o designer responsável utilizou a ferramenta Midjourney para gerar as imagens, o que provocou indignação entre ilustradores e forçou a CBL a acelerar o debate sobre o tema. Agora, a proibição é clara e visa evitar que o talento humano seja substituído por algoritmos.>
Influenciadores e a nova "Cultura Digital">
Apesar do veto tecnológico na escrita, o Jabuti quer abraçar a modernidade na divulgação. Uma das grandes novidades deste ano é a criação da categoria Incentivo à Leitura – Cultura Digital. O objetivo é reconhecer criadores de conteúdo que utilizam as redes sociais para valorizar o livro e atrair o público jovem.>
As indicações para esta categoria podem ser feitas por meio de consulta pública no site oficial do prêmio. "O incentivo ao hábito de ler passa também por novos agentes que atuam em ambientes digitais", explicou Alquéres.>
Como se inscrever e premiações>
Os interessados têm até as 18h do dia 19 de maio para realizar a inscrição exclusivamente pela plataforma do prêmio. Podem concorrer obras publicadas em primeira edição no Brasil entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2025. A premiação está dividida em 23 categorias espalhadas por quatro eixos: Literatura, Não Ficção, Produção Editorial e Inovação. Além da cobiçada estatueta, o vencedor do Livro do Ano receberá o valor de R$ 70 mil e terá a oportunidade de participar de uma feira internacional do livro com despesas custeadas pela CBL. Para os vencedores das outras categorias, o prêmio é de R$ 5 mil.>
Por @flaviaazevedoalmeida>