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Luiz Dias
Agência Correio
Publicado em 4 de junho de 2026 às 16:40
O deslocamento contínuo do Polo Norte magnético da Terra tem despertado a atenção de cientistas e órgãos de monitoramento ao redor do mundo. Depois de avançar mais de 2.250 quilômetros desde o século XIX, o fenômeno levanta uma dúvida comum: afinal, o que pode acontecer com o planeta se essa movimentação continuar?>
A resposta dos especialistas é mais tranquila do que muitos imaginam. Não há previsão de catástrofes, terremotos ou mudanças bruscas na vida cotidiana. Os principais impactos estão relacionados à tecnologia e aos sistemas de navegação utilizados diariamente por bilhões de pessoas.>
Campo magnético da Terra
Por que o polo está se movendo?>
O campo magnético terrestre é gerado pelo movimento de ferro e níquel líquidos no núcleo externo do planeta. Como essas correntes estão em constante transformação, o campo magnético também muda ao longo do tempo.>
Nas últimas décadas, o Polo Norte magnético acelerou seu deslocamento do Canadá em direção à Sibéria. Embora continue se movendo, estudos mostram que sua velocidade diminuiu recentemente.>
O que pode mudar na prática?>
A principal consequência envolve sistemas que dependem da orientação magnética da Terra para funcionar com precisão.>
Entre os setores mais afetados estão:>
• Aviação, que utiliza referências magnéticas para rotas e alinhamento de pistas;>
• Navegação marítima, especialmente em áreas remotas;>
• Satélites e drones de alta precisão;>
• Sistemas militares;>
• Aplicativos de mapas e bússolas digitais.>
Por isso, cientistas atualizam regularmente o chamado Modelo Magnético Mundial, utilizado como referência global por governos e empresas de tecnologia.>
Celulares e GPS vão parar de funcionar?>
Não.>
Os sistemas de GPS utilizam satélites e não dependem exclusivamente do campo magnético terrestre. O que pode acontecer, caso os modelos não sejam atualizados, é uma pequena perda de precisão em bússolas digitais e aplicativos de navegação.>
Em trajetos curtos, o usuário dificilmente perceberia qualquer diferença. Em rotas de milhares de quilômetros, porém, erros acumulados poderiam se tornar relevantes.>
Existe risco de uma inversão dos polos?>
A Terra já passou diversas vezes por inversões magnéticas ao longo de sua história geológica. Nesses eventos, o norte magnético se torna sul e vice-versa.>
No entanto, os pesquisadores explicam que esse processo leva milhares de anos para acontecer. Não existe qualquer indicação de que uma inversão completa esteja prestes a ocorrer.>
E se isso acontecesse?>
Mesmo durante uma inversão, o planeta não perderia totalmente seu campo magnético. O que poderia ocorrer seria um enfraquecimento temporário da proteção contra parte da radiação espacial.>
Nesse cenário, satélites, redes elétricas e sistemas de comunicação poderiam exigir adaptações adicionais. Ainda assim, cientistas ressaltam que não existe evidência de uma ameaça imediata à humanidade.>
O que os especialistas esperam para os próximos anos?>
A expectativa é que o polo continue se deslocando gradualmente em direção à Sibéria, exigindo novas atualizações nos sistemas de navegação.>
Para a população, porém, as mudanças devem permanecer praticamente imperceptíveis. O maior desafio continuará sendo tecnológico: garantir que aviões, navios, satélites e dispositivos eletrônicos acompanhem as transformações naturais do campo magnético terrestre sem comprometer a precisão das operações.>