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Deslocamento do campo magnético da Terra afetará aviões, GPS e satélites? Entenda o que os cientistas preveem

Mudança já deslocou o norte magnético mais de 2.250 quilômetros e exige atualizações constantes em sistemas de navegação

  • Foto do(a) author(a) Luiz Dias
  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Luiz Dias

  • Agência Correio

Publicado em 4 de junho de 2026 às 16:40

Campo magnético ajuda a desviar parte do vento solar antes que ele atinja a atmosfera
Campo magnético ajuda a desviar parte do vento solar antes que ele atinja a atmosfera Crédito: NASA

O deslocamento contínuo do Polo Norte magnético da Terra tem despertado a atenção de cientistas e órgãos de monitoramento ao redor do mundo. Depois de avançar mais de 2.250 quilômetros desde o século XIX, o fenômeno levanta uma dúvida comum: afinal, o que pode acontecer com o planeta se essa movimentação continuar?

A resposta dos especialistas é mais tranquila do que muitos imaginam. Não há previsão de catástrofes, terremotos ou mudanças bruscas na vida cotidiana. Os principais impactos estão relacionados à tecnologia e aos sistemas de navegação utilizados diariamente por bilhões de pessoas.

Movimentos de fluido condutor no núcleo externo ajudam a gerar o campo magnético da Terra por Andrew Z. Colvin / Wikimedia Commons

Por que o polo está se movendo?

O campo magnético terrestre é gerado pelo movimento de ferro e níquel líquidos no núcleo externo do planeta. Como essas correntes estão em constante transformação, o campo magnético também muda ao longo do tempo.

Nas últimas décadas, o Polo Norte magnético acelerou seu deslocamento do Canadá em direção à Sibéria. Embora continue se movendo, estudos mostram que sua velocidade diminuiu recentemente.

O que pode mudar na prática?

A principal consequência envolve sistemas que dependem da orientação magnética da Terra para funcionar com precisão.

Entre os setores mais afetados estão:

• Aviação, que utiliza referências magnéticas para rotas e alinhamento de pistas;

• Navegação marítima, especialmente em áreas remotas;

• Satélites e drones de alta precisão;

• Sistemas militares;

• Aplicativos de mapas e bússolas digitais.

Por isso, cientistas atualizam regularmente o chamado Modelo Magnético Mundial, utilizado como referência global por governos e empresas de tecnologia.

Celulares e GPS vão parar de funcionar?

Não.

Os sistemas de GPS utilizam satélites e não dependem exclusivamente do campo magnético terrestre. O que pode acontecer, caso os modelos não sejam atualizados, é uma pequena perda de precisão em bússolas digitais e aplicativos de navegação.

Em trajetos curtos, o usuário dificilmente perceberia qualquer diferença. Em rotas de milhares de quilômetros, porém, erros acumulados poderiam se tornar relevantes.

Existe risco de uma inversão dos polos?

A Terra já passou diversas vezes por inversões magnéticas ao longo de sua história geológica. Nesses eventos, o norte magnético se torna sul e vice-versa.

No entanto, os pesquisadores explicam que esse processo leva milhares de anos para acontecer. Não existe qualquer indicação de que uma inversão completa esteja prestes a ocorrer.

E se isso acontecesse?

Mesmo durante uma inversão, o planeta não perderia totalmente seu campo magnético. O que poderia ocorrer seria um enfraquecimento temporário da proteção contra parte da radiação espacial.

Nesse cenário, satélites, redes elétricas e sistemas de comunicação poderiam exigir adaptações adicionais. Ainda assim, cientistas ressaltam que não existe evidência de uma ameaça imediata à humanidade.

O que os especialistas esperam para os próximos anos?

A expectativa é que o polo continue se deslocando gradualmente em direção à Sibéria, exigindo novas atualizações nos sistemas de navegação.

Para a população, porém, as mudanças devem permanecer praticamente imperceptíveis. O maior desafio continuará sendo tecnológico: garantir que aviões, navios, satélites e dispositivos eletrônicos acompanhem as transformações naturais do campo magnético terrestre sem comprometer a precisão das operações.