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Detalhe simples no preparo pode mudar completamente o sabor do café coado e deixá-lo mais forte e saboroso

Forma de despejar a água influencia diretamente a extração dos aromas e compostos da bebida

  • Foto do(a) author(a) Fernanda Varela
  • Fernanda Varela

Publicado em 31 de maio de 2026 às 15:00

Café coado
Café coado Crédito: Imagem gerada por IA

Quem prepara café coado em casa costuma acreditar que o segredo de uma boa xícara está apenas na qualidade do pó ou na proporção entre água e café. Mas um novo estudo sugere que um detalhe aparentemente simples pode fazer toda a diferença no resultado final.

Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, descobriram que a maneira como a água quente é despejada sobre o pó interfere diretamente na intensidade do sabor e no aroma da bebida. Segundo os cientistas, é possível extrair mais compostos do café sem aumentar a quantidade de pó utilizada.

De vilão a aliado: o café deixou de ser visto apenas como prejudicial e hoje é associado a benefícios, principalmente pelo alto teor de antioxidantes, com potencial efeito protetor cardiovascular e metabólico por Freepik

A pesquisa foi publicada na revista científica Physics of Fluids e analisou o comportamento da água durante o preparo do café coado. Os resultados indicam que um fluxo contínuo e despejado de uma altura maior favorece a movimentação das partículas e aumenta o contato entre a água e o pó.

O que muda no preparo do café

De acordo com os pesquisadores, o ideal é utilizar uma chaleira de bico fino, conhecida como pescoço de ganso, despejando a água de forma constante e sem interrupções. Esse movimento ajuda a misturar melhor o café e prolonga o processo de extração dos compostos responsáveis pelo sabor e pelo aroma.

O estudo aponta que fatores como altura do jato, velocidade da água e formato do fluxo têm impacto direto na bebida final. Em outras palavras, não basta apenas aquecer a água e despejá-la sobre o filtro.

Como os cientistas chegaram à conclusão

Para entender o fenômeno, os pesquisadores utilizaram inicialmente partículas de sílica gel em vez de pó de café e um cone de vidro semelhante aos filtros usados no preparo doméstico.

Após observar o comportamento do fluxo de água, eles repetiram os testes com café real. A conclusão foi que o despejo contínuo da água movimenta as partículas presentes no fundo do filtro e aumenta a eficiência da extração.

Casa Ópera: fica na Rua Pernambuco, nº 280, Pituba. @casaopera por Reprodução

Menos pó, mais sabor

Uma das conclusões que mais chamaram atenção foi a possibilidade de preparar uma bebida mais intensa utilizando menos café.

Segundo os autores, aumentar a distância entre a chaleira e o filtro pode melhorar a mistura da água com o pó, ampliando a extração dos compostos aromáticos sem necessidade de adicionar mais grãos.

Além da economia para o consumidor, a técnica também pode contribuir para um uso mais eficiente do café em um cenário de aumento dos preços e impactos das mudanças climáticas sobre a produção mundial.

No experimento final, os pesquisadores utilizaram 10 gramas de café moído e 150 gramas de água a 95°C despejada por uma chaleira de bico fino. O resultado reforçou a hipótese de que pequenas mudanças na técnica podem alterar significativamente a bebida servida na xícara.