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Maior obra já criada por pintor excêntrico e genial vai a leilão em Paris a valor milionário

De gravuras esquecidas por décadas em uma garagem de Londres a um gigantesco cenário de ópera que vai a leilão em Paris, descobertas recentes mostram como o legado de Salvador Dalí continua surpreendendo o mundo da arte

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  • Foto do(a) author(a) Raphael Miras
  • Agência Correio

  • Raphael Miras

Publicado em 9 de março de 2026 às 14:00

Obra do surrealista Salvador Dalí volta aos holofotes após a redescoberta de gravuras guardadas por mais de 50 anos e a preparação do monumental cenário “Bacchanale” para leilão internacional
Obra do surrealista Salvador Dalí volta aos holofotes após a redescoberta de gravuras guardadas por mais de 50 anos e a preparação do monumental cenário “Bacchanale” para leilão internacional Crédito: WikiOO.org - Enciclopédia das Belas Artes

O nome de Salvador Dalí evoca relógios derretidos e cenários oníricos, mas, décadas após sua morte, o mestre do surrealismo continua a protagonizar histórias que parecem saídas de seus próprios quadros.

Recentemente, o mundo da arte foi surpreendido por dois extremos da sua vasta produção: de gravuras guardadas por meio século em uma garagem comum a uma pintura monumental que desafia as dimensões de qualquer galeria.

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O achado na garagem: meio século de silêncio

Imagine abrir a porta de uma garagem em Mayfair, no coração de Londres, para uma limpeza de rotina e encontrar dez gravuras assinadas por um dos maiores artistas do século 20.

Foi exatamente o que aconteceu com um morador que planejava sua aposentadoria no exterior.

As obras, que retratam cenas mitológicas e alegóricas, foram compradas em uma liquidação nos anos 70. O proprietário tinha a intenção de emoldurá-las para sua casa na Berkeley Square, mas o projeto nunca saiu do papel.

Esquecidas em meio à bagunça, as litografias — acompanhadas de cinco peças do artista francês Theo Tobiasse — foram "redescobertas" por Chris Kirkham, um leiloeiro que realizava uma avaliação de rotina na propriedade.

"Parecia bem surreal", relatou Kirkham, destacando que esse tipo de visita domiciliar pode esconder tesouros inesperados. O conjunto, que na época custou cerca de 500 euros, agora vê cada impressão individual de Dalí ser avaliada por esse mesmo valor.

A grande escala: "Bacchanale" e o leilão em Paris

Enquanto pequenas gravuras ressurgem de depósitos, a maior obra já criada por Dalí, intitulada "Bacchanale" (1939), prepara-se para um novo capítulo em Paris.

Com mais de 20 por 30 metros de extensão, a pintura é um cenário composto por 13 painéis, concebido originalmente para o Metropolitan Opera de Nova York.

A obra é o que Dalí chamava de seu primeiro "balé paranoico-crítico". Além da escala monumental, a peça carrega uma história rica de colaborações: a coreografia foi de Léonide Massine e os figurinos foram assinados por ninguém menos que Coco Chanel.

Curiosamente, a estreia ocorreu sob a sombra da guerra na Europa, em 9 de novembro de 1939, momento em que a instabilidade política impediu Dalí de estar presente na primeira exibição.

Estimada entre 1,2 a 1,8 milhões de reais, a obra será o destaque de um leilão de Surrealismo na casa Bonhams, reafirmando o valor de mercado de peças que simbolizam o desejo e o pecado, marcas registradas do artista.

Por que Dalí ainda fascina?

Seja em uma garagem em Londres ou em um grande leilão em Paris, a arte de Salvador Dalí permanece viva por sua capacidade de transformar o bizarro em objeto de desejo.

Para colecionadores, as litografias assinadas representam uma porta de entrada acessível ao universo do artista.

Já as peças monumentais como Bacchanale servem como lembrete da ambição de um homem que via a arte como uma "obra total", unindo pintura, libreto e figurino.

O gênio de Figueres, falecido em 1989, provou que sua obra é imune ao tempo. Enquanto houver garagens para serem limpas ou palcos para serem montados, Dalí continuará emergindo para lembrar ao mundo que o surrealismo nunca sai de moda.