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Raphael Miras
Agência Correio
Publicado em 18 de abril de 2026 às 10:39
O que antes parecia um cenário restrito está ganhando força definitiva nos escritórios e fábricas ao redor do mundo: a redução da jornada de trabalho sem o corte de salários. >
Governos e empresas da Europa à Oceania já testam modelos que priorizam a eficiência em vez das horas sentadas na cadeira, mostrando que o bem-estar do funcionário é, hoje, uma estratégia de negócio.>
O conceito central dessa mudança é a chamada regra "100-80-100": manter 100% do salário, reduzindo o tempo de trabalho para 80%, desde que se mantenha 100% da produtividade. >
Fim da escala 6X1 e isenção de IR
O foco, portanto, deixa de ser "trabalhar menos" para se tornar "trabalhar de forma mais inteligente", utilizando o tempo extra de descanso para recuperar o foco e a saúde mental.>
Os dados mostram que a teoria funciona na prática. O maior teste global sobre a semana de quatro dias, realizado no Reino Unido com 61 empresas, revelou que 92% das companhias decidiram manter o modelo após o período de teste.>
Para as empresas, os benefícios foram além da satisfação interna: a receita cresceu, em média, 1,4% e os pedidos de demissão despencaram 57%. >
No lado dos trabalhadores, o impacto foi sentido diretamente na saúde, com 71% dos funcionários relatando níveis mais baixos de esgotamento (burnout).>
Não existe uma fórmula única, e cada nação tem ajustado a jornada conforme sua cultura e legislação:>
Islândia: Pioneira no movimento, realizou testes em larga escala entre 2015 e 2019. Hoje, a grande maioria de sua força de trabalho já possui horários flexíveis ou jornadas reduzidas.>
Bélgica: Em 2022, o país aprovou uma lei que permite ao trabalhador condensar a carga horária semanal em quatro dias, garantindo um dia livre extra sem reduzir o total de horas trabalhadas no mês.>
Japão: Conhecido pela cultura de excesso de trabalho, o país viu a Microsoft Japão relatar um salto de 40% na produtividade ao implementar a semana de quatro dias em um projeto piloto.>
Austrália e Nova Zelândia: Nesses locais, a mudança tem sido liderada por empresas de forma independente, focando na retenção de talentos e no engajamento das equipes.>
A tendência indica que repensar a estrutura tradicional de trabalho não é apenas uma questão de qualidade de vida, mas uma necessidade competitiva. >
Em um mercado de trabalho cada vez mais disputado, oferecer flexibilidade e descanso tornou-se o diferencial para atrair e manter os melhores profissionais, garantindo que o crescimento dos negócios seja sustentável a longo prazo.>