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Henrique Moraes
Agência Correio
Publicado em 22 de março de 2026 às 09:58
Arqueólogos e médicos estão unindo forças em 2026 para estudar o "microbioma fóssil". Ao analisar o tártaro nos dentes de esqueletos de 5 mil anos, cientistas descobriram que nossos ancestrais tinham bactérias que preveniam cáries e obesidade, microorganismos que perdemos com a dieta moderna. Essa "arqueologia médica" está ajudando a criar novos probióticos. >
O que antes era visto apenas como resíduo dentário hoje se tornou uma das principais fontes de informação sobre a saúde humana no passado. >
Pesquisadores utilizam técnicas avançadas para estudar o tártaro e entender como a vida moderna transformou a microbiota oral e impactou doenças comuns hoje.>
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O tártaro, também conhecido como cálculo dental, forma-se a partir da mineralização da placa bacteriana. Em esqueletos antigos, ele endurece e preserva microrganismos, proteínas e DNA. >
Segundo estudos publicados em revistas científicas como Nature e Proceedings of the National Academy of Sciences, esse material pode resistir por milhares de anos sem grandes alterações.>
Isso permite que cientistas reconstruam dietas antigas, identifiquem patógenos e até detectem substâncias consumidas, como plantas medicinais. Esse tipo de análise já ajudou pesquisas sobre avanços da medicina moderna e tecnologia, ampliando a compreensão da evolução das doenças.>
O diferencial do tártaro está na sua capacidade de proteger o DNA de bactérias e do próprio hospedeiro. Isso cria um registro detalhado da microbiota oral ao longo da história. >
Pesquisadores identificaram mudanças significativas na composição bacteriana a partir da Revolução Industrial, período marcado pelo aumento do consumo de açúcar e alimentos processados. >
Essas transformações também aparecem em análises relacionadas a alimentação e saúde no dia a dia, indicando impactos diretos na qualidade de vida.>
Os dados sugerem que a diversidade bacteriana diminuiu ao longo do tempo, o que pode estar ligado ao aumento de doenças bucais e sistêmicas.>
A saúde bucal dos humanos antigos era, em muitos casos, mais equilibrada do que a atual. Isso não significa ausência de problemas, mas uma microbiota mais diversa e estável. >
Com a industrialização, a dieta rica em açúcares e ultraprocessados alterou esse equilíbrio. Isso favoreceu bactérias associadas a cáries e doenças gengivais.>
Especialistas apontam que esse processo acompanha mudanças discutidas em impactos do estilo de vida moderno, incluindo sedentarismo e hábitos alimentares.>
Uma das linhas mais promissoras de pesquisa envolve o uso de bactérias antigas para restaurar o equilíbrio da microbiota oral. Os chamados “probióticos ancestrais” buscam reintroduzir microrganismos benéficos que desapareceram com a modernidade.>
Essa abordagem dialoga com tendências atuais em novas fronteiras da saúde e bem-estar, que priorizam prevenção e equilíbrio biológico.>
Embora ainda em fase de estudo, a ideia é desenvolver tratamentos que vão além da eliminação de bactérias, focando na reconstrução de um ecossistema saudável.>