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O mel é mesmo o vômito da abelha? Descubra como ele é produzido na colmeia

Entenda por que o mel não é o que você pensa e descubra como as abelhas utilizam química e "trabalho braçal" para criar esse superalimento

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  • Foto do(a) author(a) Raphael Miras
  • Agência Correio

  • Raphael Miras

Publicado em 7 de abril de 2026 às 18:00

Muito além de um simples adoçante, o mel passa por um rigoroso processo de desidratação e química natural que varia entre as abelhas comuns e as nativas sem ferrão
Muito além de um simples adoçante, o mel passa por um rigoroso processo de desidratação e química natural que varia entre as abelhas comuns e as nativas sem ferrão Crédito: Banco de imagem

Você com certeza já teve essa dúvida quando viu ou comeu esse tipo de alimento: de onde vem o mel? Será que o mel é o vômito da abelha? Mas na verdade, o processo de extração pode ser mais limpo e complexo do que parece.

Muito além de um adoçante natural, o mel é o resultado de uma técnica sofisticada de conservação e química biológica que as abelhas aperfeiçoaram ao longo de milênios.

As abelhas são fundamentais para o equilíbrio dos ecossistemas por Imagem: Daniel Prudek | Shutterstock

A química por trás da doçura

Tudo começa com a coleta do néctar, uma solução aquosa de açúcares (sacarose) que as plantas oferecem como recompensa pela polinização. As abelhas sugam esse líquido e o transportam em um órgão específico chamado papo, ou estômago de mel.

Diferente do que muitos acreditam, esse néctar não chega ao estômago digestivo da abelha. Uma válvula impede que o alimento se misture com os sucos gástricos do inseto, garantindo que o produto permaneça puro e sem odores de decomposição.

No papo, o néctar já começa a ser transformado por enzimas, como a invertase — que quebra a sacarose em açúcares mais simples (glicose e frutose) — e a glicose oxidase, que gera uma pequena quantidade de ácido glicônico, tornando o mel ácido e protegido contra bactérias.

O segredo da durabilidade: desidratação

Quando retornam à colônia, o néctar pré-processado é depositado em favos ou potes. É aqui que entra o "trabalho braçal": as abelhas batem as asas freneticamente para criar correntes de ar que evaporam a água do líquido.

Esse processo de desidratação é o que permite que o mel da abelha-africanizada (Apis mellifera) dure anos sem estragar, já que a baixa umidade impede a reprodução de microrganismos.

Um "vinho" feito por insetos

Assim como o vinho, o mel possui um terroir. Sua cor, aroma e sabor variam drasticamente de acordo com o solo, o clima e o tipo de flor visitada.

No Brasil, destaca-se também a produção das abelhas sem ferrão. Diferente das abelhas comuns, elas estocam o mel em potes de "cerume" (uma mistura de cera e própolis), que conferem propriedades medicinais e aromas amadeirados ao alimento.

Como o mel dessas abelhas nativas retém mais umidade (acima de 20%), ele passa por uma fermentação natural, resultando em um sabor mais ácido e gastronômico.

Como conservar em casa

A regra para o consumidor é simples:

  • Mel de Apis (comum): Pode ser mantido em temperatura ambiente por anos.

  • Mel de abelhas sem ferrão: Devido à maior umidade, o ideal é guardá-lo na geladeira para preservar suas características originais.

As abelhas são os únicos insetos que produzem um alimento consumido diretamente pelos humanos. Entender que o mel é fruto de um processo de engenharia natural, valoriza ainda mais esse superalimento que chega à nossa mesa.