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O que atrai abelhas, vespas e formigas para as cidades não é o que você imagina e por que a vida urbana depende delas

Estudo em parques urbanos mostra que a vida invisível depende menos de mata fechada e mais de diversidade, manejo e conexão entre áreas verdes

  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Foto do(a) author(a) Matheus Ribeiro
  • Agência Correio

  • Matheus Ribeiro

Publicado em 24 de abril de 2026 às 22:00

Pesquisa em São Carlos revela por que alguns parques conseguem abrigar mais insetos e sustentar uma biodiversidade surpreendente
Pesquisa em São Carlos revela por que alguns parques conseguem abrigar mais insetos e sustentar uma biodiversidade surpreendente Crédito: Freepik

Em meio ao concreto e à pressa das cidades, uma vida quase imperceptível segue ativa nos parques urbanos. E ela pode ser muito mais rica do que muita gente imagina, desde que o ambiente ofereça as condições certas para florescer.

Um estudo feito em seis parques de São Carlos, no interior de São Paulo, indica que a presença de insetos como abelhas, vespas e formigas não depende apenas de áreas densas de mata. O fator decisivo está na diversidade do espaço e no modo como ele é cuidado.

Na prática, isso significa que parques urbanos bem manejados, conectados a outras áreas verdes e com diferentes tipos de microambientes podem sustentar uma fauna importante para o equilíbrio ambiental, mesmo cercados por intensa urbanização.

As abelhas são fundamentais para o equilíbrio dos ecossistemas por Imagem: Daniel Prudek | Shutterstock

O que realmente atrai a fauna invisível

A pesquisa analisou insetos da ordem Hymenoptera e encontrou mais de 62 mil indivíduos, distribuídos em 14 superfamílias. O volume é expressivo e reforça que a biodiversidade urbana pode ser mais complexa e valiosa do que parece à primeira vista.

Segundo a pesquisadora Bárbara Ibelli Victorino, “o que realmente determina a presença desses insetos é a heterogeneidade ambiental”. Em outras palavras, a variedade de condições dentro do próprio parque pesa mais do que a simples quantidade de vegetação.

Esse achado ajuda a ampliar o olhar sobre as áreas verdes nas cidades. Não basta apenas plantar árvores ou preservar um fragmento isolado. É preciso pensar em diversidade, continuidade ecológica e manutenção constante dos espaços.

O parque que surpreendeu os pesquisadores

Entre os parques estudados, o Bosque Santa Marta chamou atenção por registrar grande abundância de insetos, inclusive espécies associadas à boa qualidade ambiental, mesmo estando em uma área densamente urbanizada de São Carlos.

O resultado reforça que o histórico de reflorestamento, o envolvimento da comunidade e a ligação com outras áreas verdes podem transformar um parque urbano em refúgio para espécies essenciais ao funcionamento do ecossistema.

Por que isso importa para a cidade

Esses insetos participam da polinização, da ciclagem de matéria orgânica e do controle biológico de outras espécies. Quando aparecem em maior diversidade, eles sinalizam que o ambiente consegue sustentar relações ecológicas mais equilibradas.

O estudo ainda aponta que nem toda árvore plantada na cidade favorece polinizadores. Por isso, o planejamento urbano precisa ir além da arborização genérica e considerar quais espécies, conexões e manejos ajudam a manter a biodiversidade viva nas áreas urbanas.