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Agência Correio
Matheus Ribeiro
Publicado em 24 de abril de 2026 às 22:00
Em meio ao concreto e à pressa das cidades, uma vida quase imperceptível segue ativa nos parques urbanos. E ela pode ser muito mais rica do que muita gente imagina, desde que o ambiente ofereça as condições certas para florescer. >
Um estudo feito em seis parques de São Carlos, no interior de São Paulo, indica que a presença de insetos como abelhas, vespas e formigas não depende apenas de áreas densas de mata. O fator decisivo está na diversidade do espaço e no modo como ele é cuidado.>
Na prática, isso significa que parques urbanos bem manejados, conectados a outras áreas verdes e com diferentes tipos de microambientes podem sustentar uma fauna importante para o equilíbrio ambiental, mesmo cercados por intensa urbanização.>
Abelhas
A pesquisa analisou insetos da ordem Hymenoptera e encontrou mais de 62 mil indivíduos, distribuídos em 14 superfamílias. O volume é expressivo e reforça que a biodiversidade urbana pode ser mais complexa e valiosa do que parece à primeira vista.>
Segundo a pesquisadora Bárbara Ibelli Victorino, “o que realmente determina a presença desses insetos é a heterogeneidade ambiental”. Em outras palavras, a variedade de condições dentro do próprio parque pesa mais do que a simples quantidade de vegetação.>
Esse achado ajuda a ampliar o olhar sobre as áreas verdes nas cidades. Não basta apenas plantar árvores ou preservar um fragmento isolado. É preciso pensar em diversidade, continuidade ecológica e manutenção constante dos espaços.>
Entre os parques estudados, o Bosque Santa Marta chamou atenção por registrar grande abundância de insetos, inclusive espécies associadas à boa qualidade ambiental, mesmo estando em uma área densamente urbanizada de São Carlos.>
O resultado reforça que o histórico de reflorestamento, o envolvimento da comunidade e a ligação com outras áreas verdes podem transformar um parque urbano em refúgio para espécies essenciais ao funcionamento do ecossistema.>
Esses insetos participam da polinização, da ciclagem de matéria orgânica e do controle biológico de outras espécies. Quando aparecem em maior diversidade, eles sinalizam que o ambiente consegue sustentar relações ecológicas mais equilibradas.>
O estudo ainda aponta que nem toda árvore plantada na cidade favorece polinizadores. Por isso, o planejamento urbano precisa ir além da arborização genérica e considerar quais espécies, conexões e manejos ajudam a manter a biodiversidade viva nas áreas urbanas.>