Acesse sua conta
Ainda não é assinante?
Ao continuar, você concorda com a nossa Política de Privacidade
ou
Entre com o Google
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Recuperar senha
Preencha o campo abaixo com seu email.

Já tem uma conta? Entre
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Dados não encontrados!
Você ainda não é nosso assinante!
Mas é facil resolver isso, clique abaixo e veja como fazer parte da comunidade Correio *
ASSINE

Saiba por que canetas emagrecedoras funcionam melhor para uns do que para outros

Pesquisa publicada na revista Nature analisa dados de 28 mil pacientes e identifica variantes genéticas que determinam desde a velocidade da perda de peso até a intensidade dos enjoos

  • Foto do(a) author(a) Flavia Azevedo
  • Flavia Azevedo

Publicado em 8 de abril de 2026 às 18:42

Aplicação de Mounjaro
Aplicação de Mounjaro Crédito: Shutterstock

Se você já se perguntou por que aquela sua vizinha parece "derreter" quilos com as canetas emagrecedoras enquanto você mal nota a diferença na balança, a ciência acaba de encontrar uma resposta que não está na sua dieta, mas no seu código genético. Um estudo abrangente revelou que variações específicas em nossos genes podem ditar como o corpo reage a medicamentos modernos para obesidade, como o Ozempic e o Mounjaro. Publicada na prestigiosa revista Nature, a pesquisa utilizou dados de quase 28 mil usuários do serviço de testes de DNA 23andMe que relataram o uso dessas medicações.

A loteria genética da balança

Os novos medicamentos para obesidade, conhecidos como agonistas de GLP-1, imitam hormônios naturais que controlam o apetite e o metabolismo. No entanto, a resposta a eles é tudo, menos uniforme. Em ensaios clínicos anteriores, enquanto alguns pacientes perderam mais de 25% do peso corporal, outros não perderam quase nada, provando que o corpo humano pode ser tão teimoso quanto uma criança que se recusa a comer brócolis.

O estudo atual identificou que pessoas que carregam uma cópia de uma variante específica no gene receptor de GLP-1 perderam, em média, 0,76 kg a mais do que aquelas sem essa variante, em um tratamento de oito meses. Para os "sortudos" que carregam duas cópias desse gene, a perda de peso extra chegou a cerca de 1,5 kg no mesmo período. Embora pareça pouco para quem sonha com transformações de capa de revista, o dado é uma peça fundamental para entender o quebra-cabeça do metabolismo.

Uso indiscriminado das canetas emagrecedoras tem preocupado especialistas por Reprodução

Enjoos com DNA

Se por um lado a genética dá um empurrãozinho na balança, por outro ela pode ser a culpada por aquela náusea persistente. O estudo descobriu que a influência dos genes é ainda mais forte quando se trata dos efeitos colaterais gastrointestinais. Foram identificadas variantes genéticas que elevam consideravelmente o risco de náuseas e outros desconfortos digestivos em quem utiliza as medicações GLP-1.

Adam Auton, vice-presidente de genética humana do 23andMe Research Institute, destaca que, embora a genética seja apenas um dos muitos fatores que influenciam o emagrecimento, a conexão com os efeitos adversos é "mais substancial". Ou seja, seu DNA pode não garantir que você vire um modelo de fitness da noite para o dia, mas ele pode muito bem ser o responsável por fazer você visitar o banheiro mais vezes do que gostaria.

Pés no chão e ciência

Apesar do entusiasmo com as descobertas, especialistas pedem cautela antes de corrermos para fazer testes de DNA antes da primeira dose. Andrea Ganna, cientista de dados de saúde da Universidade de Helsinque, ressalta que o efeito genético na perda de peso ainda é considerado pequeno. "Não vejo isso como algo que os clínicos usarão agora para informar sua prática", afirma Ganna, lembrando que a ciência, diferente das dietas milagrosas, caminha com passos sólidos, mas às vezes lentos.

O próprio Adam Auton reconhece que a genética é apenas um "subcomponente" em um mar de variáveis que afetam o peso. No entanto, o estudo abre portas para uma medicina mais personalizada no futuro, onde o tratamento da obesidade poderá ser ajustado de acordo com o que está escrito em nossas células.

Por @flaviaazevedoalmeida , com agências