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Sem travesseiro, 16 sonecas e zero dor: como os astronautas da Missão Artemis conseguem dormir?

Entre sacos de dormir ancorados e 16 pores do sol por dia, entenda como a ciência dribla a falta de gravidade e o caos do relógio biológico para garantir o descanso na Lua

  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Foto do(a) author(a) Raphael Miras
  • Agência Correio

  • Raphael Miras

Publicado em 9 de abril de 2026 às 10:30

Saiba por que o sono é a maior prioridade da Missão Artemis e como os astronautas protegem a saúde mental enquanto flutuam em compartimentos isolados no espaço
Saiba por que o sono é a maior prioridade da Missão Artemis e como os astronautas protegem a saúde mental enquanto flutuam em compartimentos isolados no espaço Crédito: Divulgação/NASA

Com todos os olhos do planeta voltados para o espaço,  parte da população mundial ficou curiosa em saber como os astronautas da Missão Artemis conseguem dormir fora da Terra?

Para quem olha de fora, a vida de um astronauta parece um filme de ficção científica, mas a rotina básica, como o simples ato de fechar os olhos e descansar, exige uma logística complexa e adaptações biológicas impressionantes.

Fotos enviadas pela missão Artemis II por Nasa/Divulgação

O conforto da "falta de peso"

Diferente do que muitos imaginam, a ausência de gravidade traz um benefício físico inesperado que é o fim dos pontos de pressão.

Na Terra, quando deitamos, o peso do corpo sobre o colchão gera pressão nas costas ou nos quadris, causando muita das vezes dores musculares e desconfortos.

No espaço, a sensação é comparada a flutuar na água, tornando o repouso fisicamente muito confortável, já que nenhuma parte do corpo é pressionada contra o resto.

No entanto, essa mesma liberdade exige que o astronauta seja "ancorado". Para evitar que flutuem e colidam com equipamentos sensíveis durante a noite, os tripulantes dormem em sacos de dormir presos dentro de pequenos compartimentos isolados.

O relógio biológico em xeque

Se o corpo relaxa com facilidade, a mente enfrenta um desafio constante. A bordo da Estação Espacial Internacional, é possível ver o nascer e o pôr do sol 16 vezes em um período de 24 horas. Essa rapidez desregula completamente o ciclo circadiano (o nosso relógio interno).

Para contornar isso e emular o ritmo da Terra, as estações utilizam iluminação artificial planejada para sinalizar ao corpo quando é hora de despertar ou de dormir.

Além disso, as agências espaciais monitoram o sono rigorosamente, pois a privação de descanso pode levar à fadiga, comprometer o desempenho e até afetar a saúde mental, facilitando quadros de depressão ou ansiedade.

A vista antes do "boa noite"

Mesmo com o cronograma apertado, o momento de ir para o saco de dormir reserva experiências visuais únicas.

Astronautas relatam que, ao olharem pelas janelas antes do sono, conseguem observar as luzes das cidades, tempestades que parecem teias de aranha de eletricidade e o rastro de meteoros entrando na atmosfera.

Um detalhe curioso é a cor do sol. No espaço, ele é tecnicamente branco, mas os astronautas precisam evitar olhar diretamente para ele sem proteção, já que as janelas nem sempre possuem filtros ultravioleta suficientes para proteger a retina da claridade extrema.

Por que o sono é prioridade?

Dormir oito horas por noite, o padrão recomendado no espaço, é necessário para o corpo humano.

A falta de repouso afeta a imunidade e está ligada a doenças cardíacas e diabetes. Em um ambiente onde qualquer erro de cálculo pode ser fatal, garantir que a mente esteja descansada é de extrema importância na viagem ao espaço.