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Agência Correio
Raphael Miras
Publicado em 9 de abril de 2026 às 17:00
Com o crescimento do esporte feminino, muitos tiveram a curiosidade de trazer à tona um debate essencial para o treinamento de alto rendimento: como as variações hormonais influenciam a performance física e cognitiva? >
Longe de ser apenas um detalhe, o ciclo menstrual divide-se em fases que podem determinar desde a resistência aeróbica até a precisão de milissegundos em campo.>
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De acordo com especialistas da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM-SP), o ciclo se divide basicamente entre a fase folicular (antes da ovulação) e a fase lútea (após a ovulação). >
Os estudos indicam que a fase folicular é o período em que a atleta está mais apta para treinos pesados.>
Nesta fase inicial, as concentrações de estrógenos e progesterona são baixas. Já na fase lútea, ocorre um aumento da temperatura corporal entre 0,3 e 0,5 graus Celsius, provocado pelo pico de progesterona. >
Esse aquecimento interno, embora pareça sutil, limita a capacidade de exercícios prolongados e eleva o esforço cardiovascular, reduzindo a resistência aeróbica (endurance) das atletas.>
Uma descoberta surpreendente de pesquisadores da University College London mostra que o cérebro das atletas funciona de forma diferente durante o período de sangramento. >
Embora muitas relatem se sentir pior fisicamente nessa fase, os dados revelam que o pico cognitivo ocorre justamente durante a menstruação.>
Nesse período, as atletas apresentam tempos de reação mais rápidos e cometem menos erros em tarefas que exigem precisão. >
Por um outro lado, o desempenho cognitivo tende a cair na fase folicular tardia (próximo à ovulação) e na fase lútea posterior, momentos em que a percepção de "desajeitamento" costuma aumentar.>
O aumento da popularidade das modalidades femininas também revelou estatísticas preocupantes sobre lesões, como a ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA), que é mais frequente em mulheres do que em homens. >
A ciência aponta que as variações hormonais podem ser um fator de risco, afetando a resistência e a coordenação espacial.>
Para a Dra. Larissa Garcia Gomes, diretora da SBEM-SP, as diferenças de performance devem ser levadas em conta no planejamento esportivo. >
Ajustar a carga de trabalho de acordo com o calendário hormonal não é apenas uma questão de rendimento, mas de saúde e longevidade na carreira das profissionais.>